terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

OS PACIFISTAS

Agora, os governantes
das nações evoluidas
são humanistas,
pacifistas
antibelicistas,
e se escandalizam
com a violência
das gerras modernas.
Mas eles varrerão
as guerras inúteis do mapa
e farão uma grande guerra
para acabar com as guerras
(matarão milhões e milhões por uma causa nobre)
Esses pacíficos serão candidatos
ao Premio Nobel da Paz.

O CANTO DE BORGES

 Ouço o verso de Borges
sangrando a alma Argentina
é o grito épico do tango
rasgando a noite em "el pampa".

Ouço o tinir das adagas
nos entreveros de "los gauchos"
é o choro do bandoneon
e a pena deitando sangue
no poema trágico borgueano.

Na noite de vento gelado
um vulto caminha em "la calle"
é o velho poeta sem olhos
aquecendo a alma num sonho

Sonhando pela vida, o poeta
perdeu a vista no espelho
gravou a fogo a imagem
nas curvas do labirinto

domingo, 21 de fevereiro de 2010

SAUDADE DO MEU FILHO

Eu me lembro de quando ouvia o Roberto
cantando para o filho doente:
As flores do jardim da nossa casa...
E o inverno da saudade desabou...
Então, pensava com os meus botôes:
Meu Deus, que dor pungente na alma de um pai.

Pois é, faz tempo!
Mas o pior é que a vida imitou a arte.
É que no ano passado, o meu filho enfrentou uma longa enfermidade
e acabou morrendo.
Agora eu ouço todos os dias aqueles acordes
que ficaram gravados na minha alma:
AS FLORES DO JARDIM DA NOSSA CASA MORERERAM TODAS
DE SAUDADE DE VOCÊ!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

STELA

Meu nome é Stela;. a idade não gosto de dizer, mas sou jovem. Tenho um metro e setenta e sessenta e dois quilos, acho que bem distribuidos por este corpinho de vida ainda curta.

Meus gostos são praticamente iguais aos gostos das meninas da minha geração. Gosto dos filmes estrelados po Marlon Brando, Marcelo Mastroiani e Alan Dellon e tenho uma puta inveja das atrizes Caterine Deneuve, Jane Fonda e Brigite Bardott, porque elas contracenam com os homens mais charmosos do planeta, e além disso, certamente, entre uma e outra filmagem, devem fazer com aqueles caras, as sacanagens mais gostosas do mundo.

Curto muito as músicas da Joven Guarda, claro que gosto mais dos meninos, sobretuto, do Roberto, do Jerry e do lindinho, o Ronnie Von, por que eu não sou boba nem nada. Aliás, por falar em música, tem uma que é uma "brasa, mora!" É a música do cantor Fábio: Stela; às vezes quando a estou ouvindo, fico com todos os meus pelinhos arrepiados, e penso; ah, essa música foi feita para mim.

Eu falei há pouco, alguns nomes de atores internacionais que eu amo, mas quero deixar claro que também gosto muito de vários dos nossos atores. Gosto mais dos filmes brasileiros, porque neles, muitas vezes, eu me vejo. Quando falo sobre o nosso cinema, dois filmes enchem as minhas medidas: " Os Paqueras" e "Todas as mulheres do Mundo"  O primeiro, eu vi umas dez vezes, e sempre fico encantada com o desempenho do Reginaldo Farias. Acho que só faltou uma coisinha para que a fita fosse melhor: o personagem do Reginaldo tinha que encarnar um cara rico, com muita grana para gastar com toda aquela mulherada; mas, enfim, nem tudo é perfeito.

Já tive vários namorados, mas no momento estou só, em fase de estudo, esperando o momento oportuno para o que der e vier. Dar, ainda não dei, por que no fundo, sempre exigi muito, inclusive, algumas vezes propus aos caras que pretendiam traçar o meu corpinho, um contrato sacramentado em cartório , em que constasse, que se o rapaz me comesse antes do 2º ano de namoro, eu teria de receber a importância em dinheiro, na quantia de..., mas como todos eles eram duros...ainda continuo virgem...

Claro que a minha proposição era uma blefe. O meu objetivo era vislumbrar nos meus pretendentes, um interesse verdadeiro por mim, porque quando existe desejo sincero, isto é, quando um rapaz deseja de verdade uma mulher, ele aguenta no osso uma longa espera.

Acho que os homens que eu conheci, queriam de mim apenas uma coisa: que eu abrisse as pernas  como faria qualquer mulher fácil. Com isso não quero dizer que sou difícil - aliás, um amigo meu, que já tentou me traçar, fala que não existe mulher difícil, mas mulher mal cantada, no entanto, comigo não deu certo as cantigas dele; talvez ela tenha usado o repetório errado-, eu apenas valorizo o meu espaço porque sei que que os guris de hoje, querem nos comer e depois sair dizendo prá todo o mundo, que a gente é assim e assado. No fundo parece que a maioria dos rapazes não está interessada na fruição do prazer que o nosso corpo pode proporcionar, mas em contar vantagens sobres as suas conquistas. Têm também aqueles guris que namoram todas as gurias que conseguem. É um tipo nada seletivo, para quem não importa se a menina é bonita, chique, careta, torta, branca, preta, demodé... Esses meninos querem se mostrar; gostam de beijar, amassar, arretar, enfim, fazer tudo em público; eles precisam ser vistos em atividade. Se eles agarram a gente numa festa, acabam nos comendo de pé, no meio do povo. No entanto, quando ficam à sós com a gente, esses malandros enfiam o rabinho no meio das pedras.

Eu, apesar de jovem e conhecer pouco do mundo, e menos ainda de mim mesma, acho que o homem que um dia vai ganhar o meu coração, será um cara manhoso, cheio de picardia, mas eu por meu turno, não facilitarei as coisas. Imagino que será bonito, assim como um jogo.

Meu príncipe encantado sentirá o meu cheiro de fêmea no ar e me encontrará trêmula e lívida, mas resistirei; não entregarei nada. Conquistarei o meu amado com trejeitos faciais, carregados de sensualidade. Usarei decotes insinuantes que realcarão os meus seios, cobertos por sutiãs negros, em baixo de miniblusas muito brancas, adequadas a minha pureza de corpo e de alma; e na parte de baixo, nada de slaques apertadíssimos, capazes de salientar as reentrâncias, mas saias largas, plissadas, à altura do joelho e meias americanas estilo colegial ingênua, mas usarei perfumes de fragâncias lascivas.

Sei que ele vai me convidar para um daqueles drinks que todo rapaz chique gosta de oferecer à moça que pretende conquistar, e eu aceitarei, fazendo beiçinho, querendo dizer que não devia, mas na hora de beber, molharei apenas a ponta da língua e direi: não estou acostumada a sair com rapazes, pos isso estou sentindo vergonha de estar sentada contigo aqui a esta mesa.

Quando ele pegar a minha mão e a puser na mão dele, eu, discretamente, a retirarei; entretanto, em intervalos regulares de tempo, lançarei olhares de ingenuidade misturados com picardia, prometendo tudo e não cedendo nada. Mais tarde, quando ele quiser tocar o meu corpo, inventarei suspiros, tremores pelo corpo, no entanto, deixarei muito claro que exijo respeito; beijo só no rosto e na testa; nada de beijo de língua, amasso, arreto, aula prática de piano, essas coisas, somente bem mais tarde, mas como preâmbulo para a fornicação; portanto, devagar com o andor, que a carne e fágil e eu não quero me perder e virar moça falada.

Quando eu receber o meu amado na minha casa - ainda moro com os meus pais, nisso sou cafona -, farei tudo para deixá-lo com água na boca, no entanto, apenas me mostrarei. Eu sentarei numa cadeira, ele em outra e ficaremos de frente. Cruzarei e descruzarei as pernas para que ele advinhe a cor da minha calcinha, escondida em baixo da minissaia jeans, ou então usarei shortinhos, desfiados, adentrando nas cavidades. Vez que outra, simularei cãimbras nas coxas, comichão nas espáduas; direi que existe um espírito enconstado no meu corpo; mentirei que à noite sonho que sou Lady Godiva, nua, montada no cavalo branoc. Mas quando o cara estiver com a libido a mil, eu pedirei licença, tomarei um banho, colocarei o vestido mais recatado que possuo, um igual àquele que usei na primeira comunhão e me transfomarei novamente numa menina tímida e acanhada. Essa será a prova dos noves. Se ele não fugir da raia, então, terá grandes chances de ser o meu guerreiro encantado.

Quando eu estiver certa de que o meu pretendente realmente me ama, e ele houver dito que já não aguenta mais tanto desejo reprimido, então pedirei que ele afague os meus cabelos e acaricie o meu rosto. Se nesses momentos, ao olfatar as mãos dele, eu sentir o cheiro de centenas bronhas esfareladas em minha homenagem, então abrirei um botão da minha blusa e direi: amado, me beija!         

   

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

TUPINIQUIM

Ontem deitei-me tranquilo
mas despertei aborrecido no meio da noite
e irritado por acordar na cama dura
de cobertor curto e mosquitos
penetrando no meu corpo.

Abatido diante da realidade crítica
embriaguei-me sem culpa
e sonhei que era feriado
"Dia Nacional do Sonho"
promulgdo por lei federal,
aprovada no Congresso
pelos deputados delirantes.

Então sonhei que usufruia
todas as benesses da terra
que todas as coisas
existiam para o meu deleite
e tudo era permitido.
As imagens se superpunham
de maneira veloz e diversa
e como em toda a história
apareceu o contraponto:
surgiu-me uma dor nos rins
mas o hospital foi fechado
pelo Sistema de Saúde;
desesperado, eu grito:
socorro!Acudam-me,
quero um exorcista, um Pagé,
um macumbeiro, um copo d'água.
Apesar da dor, outras cenas cortam minha visão
como num sonho acordado:
momentos recontados da nossa história
em cima de carros alegóricos
repletos de mulheres nuas
 numa festa pirotécnica
transmitida pela rede teleguiada
De repente acordei com batidas na porta,
era o homem da loja que veio buscar
o aparelho de tv de prestações vencidas.

A BREVIDADE DA VIDA

A minha geração passará
como também passarão
as gerações subsequentes
assim como passam os dias,
os anos, os séculos, os milênios...
E ficará apenas
a área de transferência
onde armazenamos os sonhos
para ser recuperados
e vividos à posteriori...
Mas a vida é exígua
tal como um sopro no abismo
e o homem, um eterno aprendiz
na arte de viver,
que no ocaso da existência
solicita ao árbitro do jogo
uma compensação de tempo
para retornar àquela área de transferência
como se fosse possível
reverter as leis físicas,
resgatar o elixir da juventude...
Mas o tempo concedido
é menor que o delírio criativo de Proust:
Albertine já morreu
e o caminho de Germantes não existe...

NUNCA, NUNCA MAIS

Passamos a vida inteira
falando aleatoriamente
a palavra nunca;
a usamos, quase sempre, inadequadamente.

Eu mesmo, muitas vezes
falei sob qualquer pretexto
nunca isso, nunca aquilo
ainda que fora de contexto.

Mas depois que o meu filho partiu
deste mundo para sempre
eu senti na carne o sentido
da palavra nunca
e também da frase "nunca mais"