domingo, 18 de abril de 2010

A VELOCIDADE DA RODA DO MUNDO

Hoje, eu acordei pensando
na velocidade do giro
da roda do mundo;
parce que tudo está passando tão rápido
e, entre curioso e assustado, me pergunto:
onde foram parar as coisas de ontem?
Cadê o meu rosto imberbe,
cadê a minha voz suave,
cadê a minha des-canseira?

Cadê as minhas bolas de gude,
cadê as pedras de cinco-marias,
cadê a bola de meia,
cadê os gibis que eu lia,
cadê a Seleta em prosa e verso
e cadê os biscoitos que a minha vó fazia?

Cadê o meu velho pião
cadê o doce de goiaba de mamãe,
cadê a fogueira de São João,
as brincadeiras da escola
e o carrinho de lomba, então?

Cadê as galenas do meu tempo,
cadê as novelas do rádio,
cadê Jota bronquinha
cadê "Até depois de 2001"
do Flavio Alcaraz Gomes,
o maior de todos?
Cadê o staf esportivo da Guaíba
formado pelo Pedro Carneiro Pereira,
o Ruy, o Lauro, o Streck, o Amir, o Lasier,
o Lupi e o Antonio  Augusto?

Cadê o Sergio Joickmann,
cadê "Dois minutos" com Ivete Brandalise,
cadê Fernando Veronesi
e a Música da Guaíba?

cadê o "Bric-a-Brac da Vida",
cadê o "Caderno de Sábado"
do meu Correio do Povo?
Cadê o Diario de Notícias,
a Última Hora, a Folha Esportiva,
a Folha da Tarde, a Revista do Globo,
a Intervalo, a Manchete, a Placar
e o Pasquim?
Cadê, cadê, cadê?...

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Hoje, eu acordei pensando
na velocidade do giro
da roda do mundo

domingo, 11 de abril de 2010

PODER E GLÓRIA

Tu que buscavas o poder
por toda a terra
construias teus palácios
nas nuvens.
Pensavas hipnotizar o vento,
aspiravas à glória salomônica.

Tu era Cesar
atravessando o Rubicom,
incorporavas Sócrates
calando Atenas.

Mas, agora, no final da reta,
percebes tua corrida vã.
Vês ali na esquina
a sombra da Dama de preto
Sabes que do outro lado
não poderás cambiar
tuas moedas podres
e compreendes, que tudo é poeira.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A CONSTRUÇÃO

Os grãos de areia
o sono da pedra
e o barro das mãos
moldam a parede;
tecitura concreta
de um projeto abstrato.

No esboço em branco
a tarefa não anda
a argamassa some
no buraco do ralo.

No canteiro da obra,
o pedreiro dorme durante o dia.
À noite, ele disputa com os bichos
um espaço no buraco do bueiro.