sexta-feira, 27 de maio de 2011

O ESPANTO

Confesso que fiquei assustado
ao rever o amigo de infância
separado por um intervalo
de algumas décadas.

Eu que guardava na lembrança
a imagem daquele menino
escanhoando o rosto pela primeira vez,
aparecia-me agora, à minha frente,
aquele senhor de cara enrugada
e com os cabelos grisalhos.

Pior que o choque foi recíproco.
Meu velho amigo
também não conseguiu disfarçar
a angústia estampada no rosto
e um diante do outro, ficamos
calados durante algum tempo.
Quando conseguimos dizer alguma coisa,
falamos ao mesmo tempo:
precisamos evitar os espelhos!

Passado o primeiro impacto
daquele encontro fortuito
fui saindo da zona de turbulência
e à medida que retornava ao território da razão
refletia sobre as ilusões da existência
e na lógica da realidade transitória.
Confesso que fiquei assustado
ao rever o amigo de infância
separado por um intervalo
de algumas décadas.

Eu que guardava na lembrança
a imagem daquele menino
escanhoando o rosto pela primeira vez,
aparecia-me agora, à minha frente,
aquele senhor de cara enrugada
e com os cabelos grisalhos.

Pior que o choque foi recíproco.
Meu velho amigo
também não conseguiu disfarçar
a angústia estampada no rosto
e um diante do outro, ficamos
calados durante algum tempo.
Quando conseguimos dizer alguma coisa,
falamos ao mesmo tempo:
precisamos evitar os espelhos!

Passado o primeiro impacto
daquele encontro fortuito
fui saindo da zona de turbulência
e à medida que retornava ao território da razão
refletia sobre as ilusões da existência
e na lógica da realidade transitória.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

O CAMINHO

Pudesse o homem
tocar o tecido das coisas
agarrar a substância da certeza,
quem sabe uma janela oculta
no espaço incomensurável
entre o cérebro e a mão...

Pudesse o homem
abrir a porta
do quintal cotidiano
desvendar os segredos da vida,
descerrar o véu genético
que envolve a existência
e conhecer a natureza do ego...

Pudesse o homem
à deriva de mares incógnitos
assimilar os ventos
das tempestades interiores
que esfacelam o corpo;
transmutar esses vendavais
em casulos embrionários de auroras...

Pudesse o homem
premido sob o peso
das ações do passado,
esvaziar as mãos,
arejar a mente,
observar as setas
e intuir o caminho,
penetraria na simplicidade das coisas...

O homem peregrino
na estrada do bem
pode penetrar no seu âmago
e despertar a criança adormecida
- guardiã dos segredos do espirito -
e refundir os múltiplos eus,
acoplados na ignorância,
em consciência plena!

terça-feira, 17 de maio de 2011

A FERA

O grito que irrompe
das entranhas da fera
é o mesmo grito lançado
no espaço cósmico
há milhares de anos
no tempo em que eu era
mata, pedra e rio
e medo do desconhecido.

Se agora a fera ruge
é porque a outra fera
egoista e ignorante
exterminou florestas,
plantou cidades,
queimou os campos,
envenenou as águas
e matou a esperança.

Quando a consciência do homem
for tocada
pelos gemidos da terra
que não seja tarde
nem as lágrimas inúteis!

quinta-feira, 12 de maio de 2011

A ILUSÃO DO CAMINHO

Antes de voltarmos
para o planeta
fomos preparados
para caminharmos tranquilos
pelas sendas da terra,
porém, muitas vezes,
a gente aqui se atrapalha
pelas curvas da estrada.
Quase nunca lembramos
de que os caminhos são árduos
Entreges à preguiça,
condicionados à lei
do menor esforço,
diante das encruzilhadas da vida,
relegamos aos planos secundários
os caminhos mais seguros,
porém, menos floridos,
e optamos pelas veredas largas
que conduzem depressa
aos desvios do mundo.
Pois quando sopesamos
as possibilidades de crescimento,
nos deixamos iludir
pelos arautos da permissividade
e ao abaixarmos a guarda
acabamos engulidos
pelas tentações mundanas.
Provavelmente, ao fim da jornada
nossos olhos se abram
diante do vazio da nossa passagem,
então iremos lamentar
a oportunidade perdida.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

O CRIME COMPENSA?

Os fihos do Tio Sam
Regozigam-se entre eles
e festejam pelo país inteiro
a morte de Osama Bin Laden.

Um dia após a beatificação
de João Paulo Segundo
o presidente do império americano
falou aos seus confrades
e aos cidadãos do mundo:
"matamos o Bin, agora estamos vingados!"
Falou isso como se houvesse
praticado uma boa ação!

Alguns valores cultivados
pelo homem do século vinte e um
ainda estão bem próximos
daqueles valores manipulados
ao tempo das cruzadas.

As guerras santas não acabaram
e crimes ainda serão cometidos
em nome de ideologias acarcaicas.

O escritor alemão Hermann Hesse
disse no livro O Lobo da Estepe:
o homem traz no seu âmago
"um santo e um bandido"
Gente, está na hora de banirmos
o criminoso que mora dentro de nós
e aderirmos à única ideologia viável:
a ideologia do Amor e do Perdão!