terça-feira, 29 de maio de 2012

AVENCA

Procurei durante muito tempo por aquele pé de avenca
que havia no jardim da minha lembrança,
mas pelos lugares por eu andava
não achava a espécie da minha saudade.

Nas minhas andanças pelas veredas da vida
vi coisas que não esperava encontrar,
milhares de surpresas surgiam pelo caminho,
mas o meu pé de avenca não soube onde foi parar.

Talvez eu não seja o único cara apaixonado por avencas.
Acho que Caio Fernando de Abreu também gostava delas,
pois num conto do livro "O Ovo Apunhalado"
ele faz algumas referências a essa plantinha frágil, simples
e bela.

Ano passado eu construí um pequeno jardim
no espaço que havia atrás da minha casa.
Preparei o solo e feliz como uma criança,
plantei uma semente num cantinho do coração,
mas a avenca que nasceu não tem o  perfume
daquela avenca da minha infância.


domingo, 27 de maio de 2012

O TEMPO VOA

Às vezes fico pensando
como a vida passa veloz
Ainda parece que foi ontem
quando eu andava de calças curtas.

Após a curva da metade do caminho
a existência passa tão depressa,
que algumas vezes eu imagino
que somos produto de um sonho.

Ai que saudade de antigamente
do doce período da infância.
Aquilo era outro tempo
e as horas corriam a nosso favor.

Quando as lembranças vêm à tona
algo diferente se passa aqui dentro.
São sensações nostálgicas tão intensas
que eu tenho medo de descuidar do presente.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

AUXÍLIO

Quem já não disse muitas vezes
que se ganhasse o prêmio da  loteria
iria auxiliar a tanta gente.
Que tem grande desejo de ajudar os necessitados,
mas faltam as condições necessárias...

Já dissemos tantas e tantas vezes:
gostaríamos de ajudar as pessoas,
estamos  cheios de disposição e  vontade
mas não sabemos por onde começar...

Pois é, quanta forçação de barra!
Existem inúmeras possibilidades
de se prestar ajuda neste mundo
ainda tão cheio de carências.

Se de fato  quisermos ser  úteis
não precisamos dispor de prêmios lotéricos.
Podemos iniciar o trabalho agora, neste momento.
Os recursos necessários não estão na conta bancária,
mas brotam de  dentro do coração.

domingo, 20 de maio de 2012

DOENÇAS

O mundo é o palco
por onde desfilam
nossas virtudes,
nossas vaidades,
nossas mazelas,
nossas indiossincrasias...

O mundo é um circo
já disseram.
Talvez num momento mal humorado
o saudoso Chico Anísio dissesse:
O mundo é uma comédia...

Pois, pois, como falam
nossos irmãos lusitanos...
Mas virando a página
e indo para o lado B
Tratemos de coisas sérias,
preocupantes e tristes,
ou seja, falemos de enfermidades
quando melhor seria discorrer
sobre saúde,
mas enfim, tudo tem seu tempo...

Outro dia quando estive doente,
amolado pela artrose,
aventurei-me numa pesquisa ligeira
sobre moléstias no Brasil
Eu que imaginava
que o câncer e o infarto do miocardo
eram as causas campeãs de morte,
fiquei chocado ao saber
que a doença mais ceifadora
de vida neste país
é a arma de fogo

quarta-feira, 16 de maio de 2012

INTELIGÊNCIA PRIMÁRIA

O materialismo corrobora
a tendência pragmática
de exclusivizar à ciência
uma explicação razoável
para as coisas do universo.

Em contrapartida, existe aquela turma
radicalizando tudo ao pé da letra,
explicando o mundo pela ótica da tradição,
confundindo, algumas vezes, verdade com simbologia.

Eu, na minha pequenêz,  prefiro
ingerir uma dose de humildade
e deixar de lado
aquelas discussões cansativas,
geradoras de discursos  polêmicos
que dificultam a compreensão das leis naturais
criadas pela Inteligência Primária e Eterna.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

NÓS E O TEMPO

Fiquei mais calmo
quando parei de me preocupar com o tempo.
Não tendo o relógio acorrentado ao pulso
desapareceu aquela preocupação antiga
de olhar as horas a todo  instante.

Estou mais tranquilo
desde que passei a assimilar
a substância dos dias,
retirando a placa de chumbo
que eu colocava antigamente
em torno das segundas-feiras.
Agora a semana ficou mais leve
e quando vem a sexta-feira
estou feliz por que sei
que sou parte de um sistema
cíclico e perfeito.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

AMOR DE MÃE

Poetas de todos os tempos
colocaram o amor romântico
no pódio dos sentimentos.
Poetas de todos os lugares
escreveram milhões de poemas
sobre o amor sensual e a paixão.
Exaltaram em demasia essas expressões
e economizaram versos
em relação à pureza do amor,
porque falaram pouco
do amor que as mães são capazes de sentir.
Agora o tema vem à tona,
no quinto mês do ano,
segundo domingo de maio,
data de interesse comercial,
mas o amor não pode ser mercantilizado.
Poetas, vamos cantar o verdadeiro amor.
Vamos louvar o amor incondicional;
amor do coração de mãe.

terça-feira, 8 de maio de 2012

DESVIOS

Procuramos, sempre, de qualquer maneira
justificar nossos desvios de conduta
através de velhos expedientes
para várias atitudes condenáveis.

Quando o meliante rouba
ou prática pequenos delitos
dizemos que o "pobre coitado"
é apenas mais um excluído
de uma sociedade injusta
que   penaliza os menos  capacitados.

Quando o policial que deveria
cuidar da ordem pública
abusa, mata, extorque
atenuamos essas atitudes
sob o frágil argumento
de que a categoria  é mal paga
como se o bom caráter
tivesse um preço de custo.

Acostumados com a canalhice diária,
hoje, encaramos com naturalidade
os sofismas jogados no ar
  pelos arautos da República das maracutaias.
Dentro desse quadro maquiavélico
estamos anestesiados, há muito tempo,
pelos efeitos do sistema corruptivo,
mas sempre há quem diga
que o povo é o culpado pela situação caótica
porque não sabe votar corretamente

 

sábado, 5 de maio de 2012

TOMATE

Liguei a tv
e passava o filme
"Tomates verdes fritos"
- Será que o enredo é poético,
qual era o título da película na origem, perguntei-me.
Talvez o título  original
seja outra coisa,
mas o tradutor é poeta...
Pensando em poesia, um pensamento
foi encadeando em outro...
Desliguei o aparelho, deixei o filme gravando,
para vê-lo em outra oportunidade.
Fui jantar. E o que vejo sobre a mesa
entre os pratos?
Um tomate. Não verde. Nem frito.
Mas um lindo tomate maduro, colorido
e com o aroma característico da espécie.
Fiz a refeição e o tomate  continuou
sobre a mesa.
Eu aprecio, sobremaneira, essas frutas,
mas aquele tomate era belo demais
para ser devorado num jantar!

quarta-feira, 2 de maio de 2012

A PUREZA DO AMOR

Passei o dia refletindo sobre
esse magistral verso de Fernando Pessoa
"Eu gosto tanto dela que não sei como a desejar"
E veio a noite e eu continuava pensando,
Meu Deus, como o amor é lindo!
Pena que ainda sejamos tão sensuais,
tão dependentes dos desejos corpóreos
e ainda amamos com as mãos, com os lábios,
com os póros...
Quando duas criaturas enamoradas
testemunham a paixão, afirmam,
com entusiamo:
rolou entre a gente a química de pele...
E assim vamos nós, sacralizando
os fenômenos gerados pela combustão
dos elementos inflamáveis dos sentidos.