sexta-feira, 31 de maio de 2013

JUNHO

Enquanto meus camaradas
recebem amuados
o mês do inverno,
eu digo bom dia
Junho amigo.
Sei que nome de mês
se escreve com letra minúscula,
mas eu não concordo com a norma,
portanto, te escrevo com J grande,
velho amigo, de tantas parcerias.
Junho, tu és bemvindo!
Gosto das tuas fogueiras,
dos teus bailados,
do teus pinhões
e principalmente
do teu friozinho
tão gostoso
aqui no sul,
que nós esquentamos
com o nosso chimarrão.


sexta-feira, 24 de maio de 2013

CELULAR

Quem não lembra
do primeiro celular
posto no mercado.
Tijolão esquisito
de quase um quilo,
sonho de consumo
de muita gente fissurada
naquela engenhoca feia,
escassa e cara.
O aparelho primitivo
perdeu o peso,
fixou enxuto,
ganhou funções,
viciou as mentes,
transformou-se num órgão
do corpo do homem.

domingo, 19 de maio de 2013

INSATISFAÇÃO

Pessoas realizadas não criam.
Elas vivem arrotando contentamento
e morrem estagnadas em consequência da ingestão
do gás venenoso oriundo da própria felicidade.
Pessoas realizadas não contribuem
com o avanço do planeta,
sobretudo aquelas satisfeitas consigo mesmas,
que constroem muros de proteção
em torno das próprias cabeças
e encarceradas dentro de seus castelos,
gritam para o mundo: somos felizes!
Mas esquecem dos desafortunados
que passam em frente às suas portas.
Muitos hão de perguntar, que mal  há
em viver a vida regalado e satisfeito.
Não existe nenhum mal,
mas também não existe bem.
Homens e mulheres
que marcaram o mundo
de forma positiva,
deixaram seus legados
porque estavam insatisfeitos
com a miséria ao derredor.
Por isso, seres como Mahatma Gandhi,
Martin Luter King, Teresa de Calcutá,
Valter Mandela, Chico Xavier
são espelhos para a humanidade.

terça-feira, 14 de maio de 2013

ÀS VEZES O PASSADO E O FUTURO PARECEM REAIS...

O aqui e o agora se assemelha
a um sanduiche prensado
entre às expecativas ao futuro
e as paredes do passado.

Exilado da pátria do pretérito,
a ambição do ser pensante,
aquém da contingência do futuro
acorrentado à substância do passado.

A película tempo deslisando para trás,
a impossibilidade de romper o tecido
que envolve o futuro;
o ser condicionado pela contingência da matéria.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

PICUÍNHAS

Maria tentou quebrar a tv de led
porque não gostou do final da novela.
João jogou o radinho de pilhas no fosso
porque o atacante perdeu o gol feito.
Antonio esteve sisudo por uma semana
porque seu time perdeu o campeonato.
Alice deixou de ir à escola
porque Marcos a trocou por Paula.
Paulo parou de ir a Argentina
porque os hermanos consideram
Maradona melhor que Pelé.
Não escrevi poemas durante muitos anos
porque não havia ninguém para lê-los.
Ah, se a gente deixasse de lado as picuínhas
e seguisse o percurso natural da vida...