quarta-feira, 31 de julho de 2013

QUÃO GRANDE É O NOSSO POTENCIAL DE MALDADE

Não me canso de repetir
que necessitamos crescer,
aprender, praticar, evoluir,
visto nos encontrarmos
numa faixa vibratória
densa, escura, pesada;
entretanto, muitas vezes,
quase me surpreendo
diante das mazelas diárias.

Mesmo tendo consciência
de que as turbulências cotidianas
são consequências do nosso mérito,
tenho dificuldade para aceitar
com tranquilidade
tanto descalabro,
tanta mentira,
tanta grosseria,
tanto desgoverno,
tanta pobreza de espírito.
Ainda fico chocado
com as atrocidades
produzidas por meu irmão,
o ser humano.
Dentre tantas ignomínias,
ocorridas no último fim de semana,
três estão corroendo o meu estômago:
1 - policial batendo num aleijado
2 - homem morrendo porque o motorista
da ambulância da Samu não pode resgatar
o paciente por motivos burocráticos
3 - corpo de homem queimando na calçada.

Precisamos crescer,
precisamos aprender,
precisamos evoluir...




quarta-feira, 24 de julho de 2013

O FRIO DO SUL

Nesta semana,
no sul do Brasil,
estamos saboreando
clima polar.

Algumas cidades
da nossa região
estão sendo contempladas
com temperaturas europeias.

É frio que não acaba;
o sol escondido,
o minuano soprando,
o apetite aguçado.

Hajam cachecóis,
hajam luvas,
hajam chapéus,
hajam ponchos,
haja churrasco,
haja sopão,
haja cafezinho,
haja chimarrão
Assim é o inverno
neste pedaço
do Brasil continente.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

A CAMINHO DO HOMEM

O autor do Tempo e o Vento
falava do Homem Total,
o Ser liberto das amarras
do estado e da ignorância.

Friederich Nietzsch
anunciava o Super Homem;
o homem do futuro,
forte,destemido, positivo
em oposição ao homem
fraco, anêmico, massificado,
enfim, um homem virtuoso,
mas neurotizado pelo orgulho.

Minha professora primária
não tinha faculdade,
conhecia poucos autores literários,
mas acreditava na necessidade
do homem solidário;
indivíduo desprendido, magnânimo, holístico...

quarta-feira, 17 de julho de 2013

CANETAÇO

No meu tempo de criança
quando via os adultos
sérios, compenetrados, diferentes
do jeito de todo dia,
falando sobre o poder da caneta,
ficava pensando,
que coisa misteriosa será essa?

Mais tarde  aprendi
com a escola e a rua
aquilo que todo mundo aprende,
que por trás da caneta
pessoas decidem a sorte
de outras pessoas,
e que um maluco qualquer,
num simples canetaço,
pode mandar pôr
fogo no mundo

domingo, 14 de julho de 2013

BRAZUCAS

Durante séculos
nós, tupiniquins,
comemos nas mãos alheias,
bebemos das pipas importadas
e depreciamos o nosso nome,
ignorando a nossa força
como se fôssemos uma gente incapaz
de gravar a nossa marca.

Agora, sabemos do nosso valor:
não somos piores nem melhores
que nenhum outro povo,
mas apenas diferentes;
temos a nossa identidade.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

MEU MEDO DE MIM

Eu tinha medo
da noite escura,
dos temporais de inverno,
da mula sem cabeça
e do fim do mundo.

Eu tive medo
da carga alegórica
de algumas palavras,
causa de angústia
quando havia necessidade
de pronuncia-las.

Eu tenho medo da língua
distribuindo pólvora rascante
e da lábia lisonjeira
por trás dos interesses escusos.
Eu tenho medo de mim
que ainda não sei me portar
de forma correta no mundo.


sábado, 6 de julho de 2013

SERÁ QUE A FELICIDADE ESTÁ DO LADO DE FORA?

Acordei pensando naquele velho amigo
que andou pelo mundo na juventude.
Lembrei daquele tempo em que a gente
tinha enorme inveja da sua sorte.

Nós queríamos fazer
aquilo que ele fazia naquela época,
mas não tínhamos os recursos necessários
para viajar mundo a fora.

Algumas vezes, quando nosso amigo partia
para mais uma jornada no planeta,
ficávamos com sensação de vislumbrar
uma faixa de tristeza em seus olhos.

Quando o dinheiro acabou,
o rapaz se preparou para envelhecer no seu canto
e nós pensamos que o cara seria sufocado pelo tédio,
entretanto, para nossa surpresa, ele disse:
gente, a felicidade sempre esteve aqui,
mas tive de percorrer o mundo para saber disso.


segunda-feira, 1 de julho de 2013

Mario Quintana

É julho outra vez,
tempo de relembrar
mais um aniversário
do nosso anjo-poeta
que deve estar olhando a gente
lá do outro lado.

Penso que quando ele tira folga
da tarefa de plasmar sorrisos
no perispírito dos desiludidos,
desce aqui na Rua da Praia
para cutucar os transeuntes,
que andam apressados e distantes
da beleza que ainda existe
no rosto das meninas que passam
enfeitando nosso ar de província.

Acho que ele fala baixinho aos ouvidos
dos homens entediados, carrancudos;
 com caras de segundas-feiras:
Ei, acorda, entra na corrente da vida,
que vibra no ar, no som, na cor...