terça-feira, 26 de novembro de 2013

LÁ E CÁ, CÁ E LÁ...

Eu, leitor preguiçoso
das manchetes dos jornais,
anestesiado pelo bombardeio
de informações ruins,
surpreendi-me outro dia
por uma notícia
vinda da fria Suécia:
quatro presídios serão fechados
por falta de usuários...
Só pensar no contraponto brasileiro
e ficar de boca aberta...
Nos presídios suecos não têm
residentes oriundos da política.
As prisões brasileiras não tinham clientes políticos
porque as nossas leis não mandavam
colarinhos brancos para trás das grades.
Mas na Suécia os políticos são conscienciosos.
Para eles cargos políticos são ferramentas
de controle da manutenção do bem comum.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

O QUE É O TEMPO?

Enquanto alguns
dizem que o tempo
corre a seu favor
 outros reclamam
do  peso do tempo
sobre às costas.
A toda hora
tem alguém
dissertando
sobre
a brevidade do tempo.
ou sobre a elasticidade
do mesmo.
Apesar do tempo,
conceito matemático,
medido por números,
há quem diga
que este senhor
não é tão matemático assim,
que é um efeito ilusório
criado pelo homem
para dimensionar
a ansiedade humana
durante nossa passagem
por aqui.





terça-feira, 19 de novembro de 2013

SOMOS DOIS EM UM

Hoje,
perto do fim
da curva,
venho agradecer
os serviços
de um velho amigo,
companheiro
de tanto tempo,
tão pouco
valorizado
por mim.

Este fiel escudeiro,
que me conduz
pra todo  lado,
vida afora,
nem sequer
tem ouvido
um "obrigado".

Tenho sido,
nesta existência,
no mais das vezes,
um hospedeiro
pretensioso,
autoritário,
cruel
para com
meu servidor.

Meu condutor
tem suportado
os desmandos,
os deslises,
os excessos;
sem queixas,
sem melindres,
sem mágoas.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

A GENTE SEMPRE LEMBRA DO MALUCO BELEZA

Hoje lembrei-me
de um mendigo,
velho conhecido,
que muitas vezes
parava nas esquinas
falando aos ventos;
Se eu fosse Raul Seixas
teria feito estes versos:
Eu sou o portal
de acesso
ao conjunto vazio
de todas as ideias
Eu sou a incerteza
respirando na encruzilhada
da política do nosso país
Eu caminho submerso
sob a multidão
de homens inteligentes
e mulheres interessantes
que não me veem
porque eu sou
a tangente das metáforas.
Eu sou a certeza dos tolos
armazenada no bau corroído
pela poeira do tempo.
Eu sou as notas no rodapés
dos compêndios que trazem guardados
as arestas dos conhecimentos fúteis
Em suma, eu sou aquele que não vê.
Eu sou aquele que não foi.
Quando a gente pensava
que o cara já havia
cantarolado todo o embróglio,
ele subia no degrau do paralepípedo,
arrematava com a voz metálica:
Eu sou a linha torta
do poema Reto de Fernando Pessoa.
Eu sou o painel de Kafka,
o caos,. a neurose, o processo.
Eu sou o tempo perdido de Proust,
o sonho, a memória, a lembrança
Eu sou a Náusea de Sarte,
o Ser, o Nada, a Angustia
Eu sou a dor de Nietzche,
a corda suspensa no abismo.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

A VELHA FEIRA DO LIVRO

Ontem à tarde
quando visitava
a nossa Feira do Livro
de Porto Alegre,
senti saudade
da Antiga Feira
dos anos sessenta,
época das barracas
- hoje são stands -,
umas vinte e poucas,
talvez trinta,
se a memória
não me falha.
Agora são quase duzentas...
Naqueles dias,
a cidade
era bem menor.
 Ainda havia
aquele ar de província
e menos pessoas
desfilando
por entre os livros.
A gente podia
se demorar
o tempo que quisesse
a folhear as obras expostas...
De repente surgia
Mario Quintana,
Erico Verissimo,
Dionélio Machado
ou qualquer outro
autor local
menos renomado
e a gente nem respirava
observando aqueles seres
vindos de outro mundo,
mas para nossa surpresa
eles também folheavam
os escritos de seus confrades...
Aquilo era uma festa
na velha Praça da Alfândega


terça-feira, 5 de novembro de 2013

SE TODOS GOSTASSEM DE OUVIR A MÚSICA GENUÍNA...

Somos surpreendidos
quase todos os dias
por ocorrências
à nossa volta
indo de encontro
à nossa visão
de mundo.

Às vezes,
são afirmações
resultantes
de comportamentos
estranhos
à nossa compreensão,
tipo o depoimento
de um camarada,
que me disse
com todas as letras,
que pretendia
mudar de bairro
porque já não aguentava
ouvir
o canto dos pássaros
todas as manhãs.