quarta-feira, 29 de junho de 2016

POR ANDA VOCÊ

O poeta disse que
havia uma pedra
no meio do caminho,
mas prosseguimos
de mãos dadas
e cantemos
o tempo presente,
mas a festa acabou
e o riso não veio
e agora Josè?
Mas o poeta
contornou as pedras
aparou as arestas
e quando escureceu
acendeu uma vela
e quando fecharam a rua
foi pelo atalho...
Mas a lide é dura,
existência é curta,
e o tempo não pára
e o poeta fez-se de morto...
Mas você não morre,
você é duro,
se perpetua na nossa memória
Você ausente/presente
ri dos nossos versos
zomba dos nossos medos...
Ah, poeta, tu disseste
o mundo é grande,
o mar é grande,
 o amor é grande...
e se teu nome fosse Raimundo...
Não foi necessário,
 tu tinhas a solução,
 a rima, tanta coisa
tu eras completo,
enfim, um poeta
grande, grande, grande...
Mas a pedra está
no meio do caminho.
Ela é renitente,
ela é surda,
ela é doida,
ela rouba,
ela mente,
ela corrompe...
E agora, Drummond?




es

sexta-feira, 24 de junho de 2016

PARAFRASEANDO

 Pensando naquele sucesso
do cantor Belchior,
dos anos setenta,
que dizia, no meio da música:
" Não me peça que lhe faça
uma canção como se deve,
limpa, suave, muito leve",
sou tentando à paráfrase
e digo que acho difícil
escrever uma linha arejada,
um verso suave,
um poema limpo
imune à pestilencia
que paira ao entorno
Está difícil respirar
o ar denso, poluído,
contaminado,
corrompido...
Ele dizia,
eu sou  um rapaz latino-americano,
sem dinheiro no banco.....
Poderia dizer agora,
sou um sobrevivente
de um país desmoralizado
que sucumbiu ao comando
da caterva dos larápios...


terça-feira, 21 de junho de 2016

AH, ESTE HOMEM!

Fala-se que
que a tv é uma praga
e a internet uma overdose,
o que em determinada escala
parece ser verdade.
Fala-se mal da política
a tal ponto que a contrapartida
é a louvação da anarquia
o que até é compreensível
em face da leva corrupta
que açambarcou o sistema.
Mas se pensarmos um pouquinho
chegaremos a conclusão,
aparentemente singela,
de   que   somos  nós,
a   doença   moderna
que   está  por    trás,
das coisas.....

sexta-feira, 17 de junho de 2016

E DE REPENTE...

A humanidade sonhou
com o futuro, montado
num   cavalo    digital.
Esperou para embarcar
no tapete magico, voar
pelo  espaço   dourado,
sem tirar  pés  e  mãos
da aldeia globalizada,
Ai veio uma carroça
composta de  válvulas
de   chips,   de   bits
e perfurava cartões
e acumulava dados
em rolos, em fitas,
em disketes, hds...
De repente tio Bill
olhou  o ambiente
e arejou tudo....
Não havia necessidade
de conhecer  muito
era só abrir janelas....
Num passe de mágica,
mister Jobs  enfiou
o computador no celular
e ai a vida virou um circo
sem pão, sem vinho, mas
com mãos nervosas...
que  nunca  cansam,
se agitam desesperadas,
o tempo inteiro, talvez
por medo de que os dedos
morram amanhã...









terça-feira, 14 de junho de 2016

AQUI E AGORA

Alguém já me disse que
que o passado o persegue
e todas tentativas de fuga
resultam sempre infrutíferas
Quando busca o horizonte
mesmo de forma consciente
vê o pretérito ao seu encalço.
Imagino  que são miragens
a perseguir-nos - incautos -
por que o passado ficou
junto à poeira no espaço.
Por mais que tentemos
retroceder no tempo
certamente, ficaremos
neste instante, o presente,
porque estamos pregados
no aqui e o no agora.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

AH, MEU DEUS!

Outro dia eu me encontrava entres amigos
alguns da geração afim e outros mais jovens
e rolava o papo da contempoaneidade digital
e diante da minha arrelia ao que julgo excesso
quanto ao comportamento virtualizado de agora
um menino tirou do Youtube  um poema de Drummond
para dizer que eu deveria voltar à pasmaceira de outrora:
tio, tu tens que viver na cidadezinha  do poeta de Itabira!



CIDADEZINHA QUALQUER

Casas entre bananeiras 
mulheres entre laranjeiras 
pomar amor cantar.

Um homem vai devagar. 
Um cachorro vai devagar. 
Um burro vai devagar. 
Devagar... as janelas olham.

Eta vida besta, meu Deus.
Carlos Drummond de Andrade
Depois dessa ducha fria o que poderei dizer?:Talvez eu seja um velho bobo, meu Deus! Ah, nem tudo está perdido , pois alguns meninospelo menos leem poesia através da Internet.,

segunda-feira, 6 de junho de 2016

POIS ENTÃO

Tenho  dito  tantas vezes:
novamente segunda-feira,
de outra   ótima    semana
o que tem me contemplado
algumas divertidas críticas.
Alguns amigos replicam:
vem depressa sexta-feira
porque segunda lembra
retorno á labuta diária
de uma jornada cheia,
de  uma vida corrida.
Não  tenho     ressentimento
a qualquer dia do calendário,
porque a vida não tira férias
e  no  fundo tudo   depende
do nosso estado de espírito.