A minha Lista de blogues

quinta-feira, 31 de março de 2016

ABRIL

É outra vez abril.
Eu novamente
me encanto
com a musicalidade
desta pequena palavra
A-B-R-I-L.

O charme de abril
está no teu nome
delicado e poético
A-B-R-I-L

Teu nome rima
com céu,
com azul,
com mel,
com anil,
A-B-R-I-L

Abril,
há quem diga
que tu rimas,
mas disso
não tem certeza,
com Brasil.

quarta-feira, 30 de março de 2016

CRIANÇAS...

O menino perguntou:
Pai, é verdade que
plantando se colhe?
-Sim. Isto é certo.
- Então vamos plantar aqui em casa?
- Não dá. Falta espaço,
não temos sítio, não temos horta
e o nosso quintal é de pedra.
- Mas eu acho que  a gente pode
plantar um pé de feijão num vaso.
- Feijão a gente compra no mercado.
- Mesmo assim não seria legal
plantar e ver o feijãozinho crescer?
- Filho, no caso de se plantar
teria que ser algo difícil de se obter.
- Ah, pai, já sei, então vou plantar
um pé vergonha,  outro de caráter
e um pé de honestidade.

segunda-feira, 28 de março de 2016

O TEMPO

Este ser invisível, o tempo,
vai passando
e a gente rodando com ele.
Não vemos o rosto do tempo
se transformar em outro
como acontece conosco...

Às vezes fico pensando,
que o tempo é uma ficção,
que a nossa vida é mensurada
através das lacunas do espaço.
Acho  que o tempo transcende
a imaginação dos poetas.

sábado, 26 de março de 2016

ANIVERSARIO DE PORTO ALEGRE - 244 ANOS

Moro numa cidade velha,
que às vezes  parece nova,
outras vezes parece outra.
Às vezes parece antiga
menos antigas que outras
que se tornaram velhas,
mas querem ser modernas,
entretanto minha cidade,
que há pouco era província
tem um jeito diferente
das cidades que eu conheço.
Ela mora lado  ao do rio,
o  qual dizem  que um lago,
composto por quatro braços;
que eu chamo de estuário,
e o seria  se não houvesse
uma lagoa entre o lago e o mar,
entre o rio e o mar para quem
ainda não assimilou a ideia
e reitera que o nosso lago é um rio.
Este rio, este lago, este processo
de água doce, trouxe os açorianos,
lá no século dezoito,
para o entorno do Gasometro
onde engendraram a Porto Alegre.
Então ela desceu as curvas do rio
para o lado do sul,  para o lado norte,
 depois desgarrou para os lados de Viamão...

quinta-feira, 24 de março de 2016

MEU RIO

Minha cidade namora um rio
minha cidade sonha com o lago
minha cidade bebe a água do estuário
Minha cidade nasceu ao lado do rio,
enrugou a pele dos braços do lago,
faz xixi na foz do estuário.
 A cidade cresceu ouvindo a balada do rio,
poluiu sem piedade a orla do lago,
escondeu com um muro
a cabeça do estuário.
Construíram uma ponte feia
sobre as pernas do lago.
Permitiram às barcaças velhas
embaçarem a vista do estuário.
Querem plantar um shopping
à beira do cais do porto.
Rio, lago, estuário;
isso parece loucura,
tantos nomes para a mesma água.
É que de repente perceberam
que o rio não é rio, mas um lago,
mas quem o conheceu como rio
não quer chamá-lo de outra coisa.

segunda-feira, 21 de março de 2016

O NOVO, AH POIS É... O NOVO...

Eu não teria  nada contra o paradigma
esquerdizante do mundo, desde que
essa nova visão fragmentada das coisas
não fizesse o nivelamento por baixo,
que também não trouxesse no bojo
o afrouxamento dos hábitos e costumes
e a negação dos valores universais.

Creio que a distensão  radical do sistema
ampliará o universo do analfabetismo funcional,
haja vista o descaso acadêmico pelo alto saber.
As ditas normas arejadas enfiaram os pés pelas mãos
e esqueceram  que o conhecimento clássico nunca envelhece.

quinta-feira, 17 de março de 2016

SE FÔSSEMOS BONS!

As inverdades, as quais ouço
 desde sempre, constrangem-me:
"brasileiro, um  povo bom",
porque bondade é um luxo
inacessível aos espíritos fracos.
Bondade, apanágio dos santos
e destes ainda estamos distantes
quilômetros luzes...
Para atingir a bondade é necessário
e obrigatório, no mínimo do mínimo,
assimilar os  estágios intermediários
da solidariedade, da ética e da honestidade...

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