A minha Lista de blogues

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

SE FOSSE DIFERENTE!

Num certo país
da América do Sul
todos os problemas
são solucionados
através do discurso
durante a temporada
de caça ao voto.

Ainda que vivamos
na esbórnia generalizada
onde quase nada
haverá de mudar
se não sublimarmos
nossos maus instintos.
Ainda acreditamos
ou fingimos acreditar
nos fanfarrões dos palanques.

As beberagens estão
nas ruas outra vez,
as promessas nas bocas
dos labiosos,
porque nós possuímos
algo que interessa
ao segmento que controla
o jogo de cartas marcadas.

domingo, 4 de setembro de 2016

NAQUELE TEMPO!

Eu gostava da introdução
das prédicas dominicais
que começava assim:
"Naquele tempo...
A gente nem respirava
ansioso pela história
que seria contada...
Mas, por vezes
ficava desapontado
porque em meio à leitura
havia algum recheio,
proibição ou alerta,
que gerava culpa
a alguma atitude
do dia-a-dia,
assim, por exemplo,
ler o velho Machado
era desaconselhável,
pois o pai da Academia
era zombeteiro, sacrílego,
um homem sem religião...
Os poetas, uns exagerados
quase todos imorais,
Augusto dos Anjos,
então, pactado com o Demo...
O bom homem de Deus
queria saber das nossas leituras,
mas leituras piedosas...
Uma ocasião, copiei
o poema, Dorme Ruazinha,
e mostrei ao pároco
cheio de expectativa,
mas grande foi a  decepção
diante da reprimenda:
"O Quintana é louco
pois rua não dorme!"


sexta-feira, 2 de setembro de 2016

SETEMBRO OUTRA VEZ

Ontem acordei cantarolando
esta singela canção:
Há um clima todo diferente, que aquece,
 mexe com o coração da gente...
Cantarolava sentindo
uma vibração apaziguadora
acariciando as fibras do ser.
Era uma conexão sutil, agradável,
que não importava a origem,
queria mesmo permanecer vibrando
naquela onda...,
Eis que de repente vi grafado
na capa do jornal impresso
a data do dia e tudo ficou claro,
era MANHÃ DE SETEMBRO

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

SOL DE AGOSTO

Houve uns agostos
que o sol acordava
com outra cara.
Aparecia pra gente
meio cor de laranja.
Naquele tempo
eu ficava pensando
que o astro-rei
dormia na Escócia
porque eu vira
o céu escocês,
num prospecto
de viagem,
com aquela mescla
ruivo alaranjado
que precede à chuva
no pequeno país
da Bretanha.


segunda-feira, 29 de agosto de 2016

POIS ENTÃO!

Naquele tempo
saí à rua pedindo
eleições diretas:
gritando por direito
de votar em alguém.
Meu pai olhava
aquilo de longe,
dizendo:
Queres engordar
as demandas
dos oportunistas,
pensado que fazes
grande coisa.
Eu retrucava
meu pai,  falando:
a coisa está errada,
é necessário mudar
a estupidez regimentar,
que não permite
o eco da minha voz.
O velho treplicava:
se queres mudar algo
não delegues nada a ninguém.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

BOLA NO PÉ, BOLA NA MÃO

O pais do futebol
ganha mais um título
na quadra de volei.
Enquanto nossa mídia
enfatiza as bobagens
ditas por algumas
figuras carimbadas
do esporte bretão,
nossos guerreiros,
pupilos do Bernardinho,
dão aula de sensatez;
gigantes na quadra,
ponderados na fala,
educados, modestos,
cidadãos exemplares.


quarta-feira, 17 de agosto de 2016

ERA UMA TARDE

Era uma tarde de agosto e rolava
um vento macio ao encontro
da minha pele hibernada,
e eu era outra vez um neófito
catando lembranças na relva.

Era uma tarde calma e amena
dessas que a gente esquece
do ruido que vem da rua,
quando o silêncio da alma
nos leva lá  para o  oriente.

Era uma tarde de azul celeste
tipo aquelas que guardamos
no rol das boas lembranças
e as coisas esquecidas voltam
como se a gente fosse criança

Era uma linda tarde  dourada
daquelas que a gente esquece
que o mal ainda existe,
porque o mundo pode ser bom,
e só depende de nós, seres errantes.