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terça-feira, 13 de setembro de 2016

VELHOS SETEMBROS

Ando meio assustado
com a voracidade
do tempo.
Setembro entrou
na semana passada
e hoje já é dia treze.
Se continuar assim
semana que vem
vai ser outubro.
Saudade de quando
setembro era do tamanho
de um latifúndio.
Naquele tempo
o nono mês do ano
durava  sessenta dias.
Naquela época
SETEMBRO
nunca terminava...

sábado, 10 de setembro de 2016

SONHO, FICÇÃO, FANTASIA?

As palavras espaço e tempo
mais que melodiosas e musicais
também dão panos para mangas...

Sem esse binômio não teríamos
os minutos, os dias, as horas,
os anos, os séculos, os milênios...

Na ausência dessas medidas
andaríamos em círculos cegos
fluindo à margem da História.

Sem calendário,  sem idade
sem tempo, que diferença faria
o passado, o presente, o futuro?


quarta-feira, 7 de setembro de 2016

SE FOSSE DIFERENTE!

Num certo país
da América do Sul
todos os problemas
são solucionados
através do discurso
durante a temporada
de caça ao voto.

Ainda que vivamos
na esbórnia generalizada
onde quase nada
haverá de mudar
se não sublimarmos
nossos maus instintos.
Ainda acreditamos
ou fingimos acreditar
nos fanfarrões dos palanques.

As beberagens estão
nas ruas outra vez,
as promessas nas bocas
dos labiosos,
porque nós possuímos
algo que interessa
ao segmento que controla
o jogo de cartas marcadas.

domingo, 4 de setembro de 2016

NAQUELE TEMPO!

Eu gostava da introdução
das prédicas dominicais
que começava assim:
"Naquele tempo...
A gente nem respirava
ansioso pela história
que seria contada...
Mas, por vezes
ficava desapontado
porque em meio à leitura
havia algum recheio,
proibição ou alerta,
que gerava culpa
a alguma atitude
do dia-a-dia,
assim, por exemplo,
ler o velho Machado
era desaconselhável,
pois o pai da Academia
era zombeteiro, sacrílego,
um homem sem religião...
Os poetas, uns exagerados
quase todos imorais,
Augusto dos Anjos,
então, pactado com o Demo...
O bom homem de Deus
queria saber das nossas leituras,
mas leituras piedosas...
Uma ocasião, copiei
o poema, Dorme Ruazinha,
e mostrei ao pároco
cheio de expectativa,
mas grande foi a  decepção
diante da reprimenda:
"O Quintana é louco
pois rua não dorme!"


sexta-feira, 2 de setembro de 2016

SETEMBRO OUTRA VEZ

Ontem acordei cantarolando
esta singela canção:
Há um clima todo diferente, que aquece,
 mexe com o coração da gente...
Cantarolava sentindo
uma vibração apaziguadora
acariciando as fibras do ser.
Era uma conexão sutil, agradável,
que não importava a origem,
queria mesmo permanecer vibrando
naquela onda...,
Eis que de repente vi grafado
na capa do jornal impresso
a data do dia e tudo ficou claro,
era MANHÃ DE SETEMBRO

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

SOL DE AGOSTO

Houve uns agostos
que o sol acordava
com outra cara.
Aparecia pra gente
meio cor de laranja.
Naquele tempo
eu ficava pensando
que o astro-rei
dormia na Escócia
porque eu vira
o céu escocês,
num prospecto
de viagem,
com aquela mescla
ruivo alaranjado
que precede à chuva
no pequeno país
da Bretanha.


segunda-feira, 29 de agosto de 2016

POIS ENTÃO!

Naquele tempo
saí à rua pedindo
eleições diretas:
gritando por direito
de votar em alguém.
Meu pai olhava
aquilo de longe,
dizendo:
Queres engordar
as demandas
dos oportunistas,
pensado que fazes
grande coisa.
Eu retrucava
meu pai,  falando:
a coisa está errada,
é necessário mudar
a estupidez regimentar,
que não permite
o eco da minha voz.
O velho treplicava:
se queres mudar algo
não delegues nada a ninguém.