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sábado, 31 de dezembro de 2016

O TEMPO, AH, O TEMPO!


Se o  o tempo
é um corte na  eternidade,
um ano de nossa existência
é um  piscar de olhos do criador.
O Supremo,
que não teve início
nem terá fim,
não sabe o que é o tempo.
Portanto, tantas coisas
caras a nós, seres transicionais,
não têm nexo para o Altíssimo.
As passagens, as celebrações
são indiferentes à divindade,
porque o tempo
 é uma necessidade humana.



quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

A VOZ DO SER

Quando lhe perguntaram
o tempo de permanência
pelos caminhos da vida
disse com naturalidade;
tenho a idade necessária
agora, nesta existência.

Quando lhe perguntaram
porque não juntou dinheiro
trabalhando todos os dias
durante a longa jornada
respondeu que a riqueza
se examinada à luz da  LEI
é um mero ponto de vista.


terça-feira, 27 de dezembro de 2016

FASES

Quando fiz vinte anos
 perguntaram-me como sentia
Lembro-me que disse:
 Encantado!
Aos trinta, falei:
um touro!
Aos quarenta,
nem sei.
Aos cinquenta,
algo estranho.
Aos sessenta,
dei-me  conta
de que  o tempo passou rápido.
É provável que aos cem,
se chegar lá,diga:
 estou velho!

domingo, 25 de dezembro de 2016

CHUVAS DE VERÃO

Do que eu mais gosto nesta estação
são daquelas pancadas de chuva
que acontecem na instantaneidade.
Num dia abafado, de calor intenso,
de repente, uma nuvem generosa
carregada de gotas maduras
vem refrescar   a nossa pele.
Nesses momentos hídricos,
minha alma se expande
com a dádiva refrescante,
cheirando à terra molhada.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

É NATAL!

Parece que na semana de Natal
o mundo perde o juízo.
As pessoas correm, automatas,
de um lado para outro
buscando alguma coisa,
impulsionadas pelo inconsciente coletivo.
É como  se após o disparo do chip
embutido na criatura, todos os caminhos
desembocassem no paraíso do consumo.



segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

COMO FICAR DE PÉ


Ainda somos bípedes
movidos pela psique.
Não por acaso  que
mantras e mudras
ganharam espaço
até no ocidente.
Os condutores
dos rebanhos
se equilibram
na cantilena
que produz
adeptos,
porque
somos
crianças
grandinhas
que procuram
um farol no vazio
criado pelo poder oculto
para manobrar vidas incautas.

sábado, 17 de dezembro de 2016

TRANSMUTAÇÃO

Naqueles dias sombrios
buscava um resto
de primavera,
que guardara
nos olhos.
Naquelas
horas vibrantes,
um leve sobressalto
ameaçava o horizonte,
porque aprendera,
que a felicidade é fugaz.
Naqueles momentos
em que a angústia descia
de alguma nuvem,
contava até dez,
até cem, até mil...
até dar-se conta,
que muita vezes,
a dor é gestação
da própria alma.