A minha Lista de blogues

sábado, 4 de fevereiro de 2017

AS PEDRAS

Caro mestre Drummond,
disseste que havia uma pedra
no meio do caminho
Pois é! Agora tem uma pedreira
obstruindo o caminho!
E agora José?, digo,
e agora Drummond?
Tu  sabias que as pedras
teriam vida longa
por isso te especializaste,
lapidando teus poemas,
para a gente cantar
à guisa de salmos
diante das pedras.
As pedras nascem,
se multiplicam,
mas não morrem,
e estão nas ruas,
nos mercados,
na Petrobrás,
no Congresso...
Caro, Drummond,
exorciza as pedras!




quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

SEMEADOR DE VENTOS

Lembro-me do tempo de infante
quando eu cultivava o gosto
de ouvir   frases feitas
havia uma que soava
tronitruante:
"Quem semeia ventos,
colhe tempestades"
Bastava o céu ficar feio
com promessa de chuvarada,
eu sai sugerindo à minha volta,
detenham o semeador de ventos!


terça-feira, 31 de janeiro de 2017

A SAUDADE É LEVE

Não sei de onde
 as crianças retiram
 frases espirituosas
e as  recitam convictas
da mensagem  expressa.
Nós, macacos velhos,
desconfiados  da   verbosidade,
às vezes, exageramos um  tanto
e enveredamos  um pouco,
para a falta de sensibilidade.
Pois, outro dia, um infante
ao ouvir meu lamento
sobre a dor da lembrança,
disse-me  de pronto:
tio. um dia  a dor passa
e além do mais,
a saudade é leve.


domingo, 29 de janeiro de 2017

QUANDO NADA É TUDO

Quando a gente vivia na caverna
não sabia das horas
nem dos dias
dos meses
dos anos
Quando a gente vivia na caverna
também não tinha nome
não tinha  medo
não tinha fome
Quando a gente vivia na caverna
não tinha nada.
Não necessitava
de nada.
Tinha tudo.


sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

AVENCA

          RESPOSTAGEM

Publiquei este post, aqui,  lá no início do blog e nem lembrava,
porém, ontem à tardinha ao deparar-me com um lindo pé de avenca
no quintal de um vizinho e sentir  vontade de escrever um poema,
lembrei-me de que já havia escrito um sobre o tema. Então, vasculhei o blog e
percebi que havia publicado o poema Avenca, no dia 29 de maio de 2012.
Mas, agora, achei longo e pesado. Dai, fiz uns cortes e o republico, mas numa versão mais leve.


Procurei durante muito tempo
por aquele pé de avenca que havia
no jardim da minha avó,
mas pelos lugares por onde andei
não vi o mimo da minha infância.

Nas minhas várias andanças
através da veredas da vida
vi coisas que não esperava encontrar,
mas o pé de avenca dos meus sonhos
não sei onde foi parar.

Ano passado, construí um jardim
no espaço, atrás da minha casa
esperançoso, preparei o solo
e plantei uma semente no meu coração
mas a plantinha que nasceu não possui
o perfume da avenca da minha saudade.


terça-feira, 24 de janeiro de 2017

TEMPO DE LER

Aparentemente é uma tarde parada
de ruas vazias e praças desertas
de  uma cidade em letargia
Tempo de veraneio;
empregado de férias,
patrão de férias,
estudante de férias,
pobre de férias,
rico de férias,
futebol de férias,
governo de férias,
(governo está sempre de férias)
Quem nunca sai de férias:
 cachorros,
 conchavos,
 maracutaias,
  entorpecentes,
 jogo do bicho,
 acidente de transito,
 crime organizado, etc,
etc, etc...
Eis um bom tempo para ler,
porque sempre é tempo de ler!






quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

IDADES

Quando minhas pernas cansaram
fui socorrido pela bengala
Se ainda fosse jovem
diriam que sou um dândi
mas como a juventude se foi
dizem que sou mesmo um velho.
Quando os olhos perderam o alcance
submeti-me ao poder das lentes,
porém quando defendo meu ponto de vista,
falam: há controvérsia, por causa da miopia.
Quando meus cabelos cansaram de mim
e começaram a voar em todas as direções,
pensei, peruca é algo que não cola, é retrocesso,
mas, de repente, o chapéu pode salvar a pátria.
entretanto, pensando melhor, isso é bobagem,
porque quase todo mundo nasce sem pelos.