A minha Lista de blogues

segunda-feira, 15 de maio de 2017

MEDO

Bendito  tempo aquele
em que eu tinha medo
da mula sem cabeça
e de outras histórias
do nosso folclore
Bendito era o tempo
em que eu tinha medo
de filmes de vampiros
e dos livros de terror
do cult H P Lovecraft.
Bendita aquela época
em que eu andava a esmo
durante as madrugadas
pelas ruas deste país,
porque o perigo que havia
era topar com alma penada
procurando o caminho de casa.


quinta-feira, 11 de maio de 2017

A HISTÓRIA

A Historia seria diferente
se o sol não separasse
os dias das noites.

Fosse sempre dia
ou sempre noite,
a contagem do  tempo
seria sempre zero

Daí deduzimos. que
Heródoto não é
o pai da criança,
porque o verdadeiro
mentor da História
é o Sol.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

ARTISTA

Dizem que a passagem do tempo
é igual para todos os viventes,
mas quando se trata de artista
ai já  é outra história..,
Hajam vistas, os artistas
saindo do tubo de formol
com a face lisa aos  oitenta
e a cabeleira bem composta
tal  qual se vê em gente moça.
O artista se vê diferenciado
porque a turba o  enxerga
através de outras lentes.
Por vezes. nem tanto
pela arte em si mesma
mas pelo que sai da boca
do arauto engajado.


Nota: ficou a impressão de que generalizo, mas não tenho
essa pretensão. O poema faz referência a algumas figurinhas
carimbadas. Talvez o caro amigo e a cara amiga  que me
leem, lembrem-se de cara, de algumas das figuras a que
faço alusão, em off.




sexta-feira, 5 de maio de 2017

SERES PERVERSOS

Seres perversos, reencarnados aqui,
têm causado danos inomináveis
aos cidadãos de bem deste país.
Haja vista a barbárie praticada
na cidade do Rio de Janeiro
como a queima dos coletivos
sem uma gota de remorso.
Eis apenas um dentre
múltiplos eventos
de malignidade
de todo o dia
Seres desalmados,
assaz perversos,
outros ignóbeis
até certo ponto,
por preguiça
ou desleixo;
eis a seara
de   almas
presentes
agora.




terça-feira, 2 de maio de 2017

HOUVE UM TEMPO

Houve um tempo em que os dias eram  primaveras
de manhãs serenas,  matizadas de anis e  tardes azuis.
As nuvens, quando haviam, eram plácidas e  brancas
e a música que preenchia a alma vinha  das galáxias.

Houve um tempo em que os dias  eram azuis-turqueza,
e as histórias que eu  lia tinham sempre um desfecho bom.
Quando as narrativas saiam do script por mim desejado
eu as modificava, mentalmente, para o deleite do espírito.

Ouve um tempo em que os dias eram como girassóis
e a brisa que vinha da rua tinha uma aroma especial
Os pirilampos estavam presentes por toda a parte
e o arco-íris emoldurava o céu de cada dia.

Houve um tempo que ficou guardado no tempo,
 uma época em que tudo fluía lentamente,
entretanto a gente queria queimar etapas;
almejava ser adulto de uma vez



quarta-feira, 26 de abril de 2017

A MÚSICA ORQUESTRADA PELA CHUVA

Ontem à noite desliguei a tv
para ouvir o som da chuva,
esses momentos especiais
custam-me passar batidos

A peculiaridade sonora da chuva
deslisando  sobre   as  lacunas
da composição  tempo/espaço
soou-me  o efeito de um mantra.

Não sei quanto  tempo durou
a chuva na  noite de ontem,
por certo o tempo necessário
para a alma conectar o divino.




segunda-feira, 24 de abril de 2017

PALAVRAS

Às vezes, ainda lembro
de um episódio antigo
que me causou espécie
durante algum tempo.
Havia um cidadão,
leitor de almanaques,
que vivia a recitar
frases espirituosas...
E eis que , um pérola
dita pela criatura
causou-me o efeito
de náusea mal resolvida
Mas o rei tempo é um bálsamo:
esponja das angústias da existência;
 um rio que corre para o infinito
serenando as inquietudes da  alma...
Hoje quando relembro do adágio:
a morte é um momento poético
penso que se reencontrasse
o mentor daquele discurso
talvez lhe dissesse isso:
saberemos se a morte é bela
no momento da nossa passagem!