A minha Lista de blogues

sábado, 15 de agosto de 2015

NADA?

Às vezes pensamos certas coisas
que parece não ter nada a ver
com nosso histórico de vida.
Mas, então, de onde é que vem
ensejo para se voar  em devaneios
sem prováveis pontos de apoio,
ainda que acreditemos que nada
acontece assim tirado do nada,
porque nada é o que não existe?

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

A DUPLA

Quando olho pelo lado de fora
dos compêndios gramaticais
por vezes fico pensando
que a dupla
substantivo-adjetivo
é  carne e unha;
 o casal perfeito, sem rusgas,
sem resenhas, sem demandas,
entretanto, depois repenso,
que talvez não seja  bem assim.
Também deve existir vaidade na morfologia
O substantivo batendo no peito, orgulhoso:
eu sou o líder, mas, às vezes,  aparece um cara chato
coordenando meu ser, adjetivando meus passos...
Já o adjetivo, se vangloria vaidoso:
sem meu carimbo, ele é um sujeitinho acéfalo,
indivíduo aleatório, inútil sem minha companhia...





terça-feira, 11 de agosto de 2015

SÍNDROME

A busca incessante do conforto;
marca registrada do bem-estar,
 necessidade psíquica introjetada
na mente do indivíduo moderno,
doutrinado na cartilha do comodismo
e na preservação do menor esforço
condicionou o homem atual,
a aspirar,  por tabela ,vantagens,
benesses,  fruição, deleite...,
através da velha tese simplista,
de que veio aqui para ser servido.

sábado, 8 de agosto de 2015

EXECUÇÃO SUMÁRIA

Tanta violência nas ruas,
tantos crimes pela cidade
agoniando a opinião pública
levando o povo a implorar
a implantação da pena de morte,
mas ela já vige na prática
de forma sumaria e à revelia
da ordenação institucionalizada
sob o jugo dos instintos rudes,
hajam vistas os linchamentos
ocorridos  a toda a hora
à sombra da impunidade,
à luz de motivos torpes...

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

A MENINA

A menina feia (entre aspas)
não sabia que certos conceitos
foram determinados à revelia,
que a beleza à luz do filtro social
é inerente à imagem, e a época,
que o olho foi condicionado,
que a indústria dos apelos
produz novas cartilhas
corroboradas pela mídia
padronizada, cartelizada...

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

O FRIO SAIU DE FÉRIAS

Parece que o inverno trocou de roupa.
Acho que ele quer brincar de outono
ou então saiu de férias pela Europa
para um flerte com o verão de lá
enquanto nós esperamos em vão
que ele retorne para completar
o mandato em curso vacante,
mas o frio reclama seu direito
quer governar sobre o sul
enquanto ainda é tempo.
O resto do Brasil acha engraçado
a gente sentir falta do inverno,
mas quem nasceu aqui no pampa
é conservador sobremaneira
e resiste às nuances do clima,
queremos o frio de volta.
Já não bastasse a crise
a esvaziar nossas bolsas
agora a estação escamoteia
e o que acontecerá para a frente,
ah, mas o futuro a Deus pertence!



sábado, 1 de agosto de 2015

AGOSTO

Se minha vó ainda estivesse aqui
certamente teria ficado surpresa
com a entrada atípica de agosto;
sem frio, sem nuvens, com sol
e jeito de primavera precoce.

Ela renegava os atributos negativos
de agosto, mês do cachorro louco,
época da ceifadora de vidas, solta,
sobretudo nos quintais dos idosos,
pois então era linguagem trivial:
os velhos que atravessarem agosto
ganharão mais um ano de vida.

Lembro-me também de que
no livro olhai os lírios do campo
do nosso Erico Verissimo
o Sr. Angelo, pai de Eugênio,
também não gostava do mês nº 8
e dizia: agosto, mês de desgosto.

Enfim, agosto vem chegando
com passos largos, rápidos.
Entremos na dança do tempo,
porque logo será setembro.