A minha Lista de blogues

sábado, 26 de junho de 2021

 


O PAÍS DOS HOMENS TRANQUILOS

A vocês, meus amigos
que falaram tantas vezes:
não suportamos mais a vida deste país,
queremos ir embora para um lugar melhor,
eu pergunto, o que fizeram ou o que podem fazer
a fim de melhorar a conjuntura geral.

Pois é, eu sei, já tentaram isso
e ficaram com a  sensação
de um jogador de bilhar
diante de uma sinuca de bico.

A notícia de que existe
um mundo ideal,
trás-nos o conforto equivalente
à duração de um relâmpago,
porque ainda não temos acesso
a esse paraíso, além das utopias:
o país dos homens tranquilos.

No país dos homens tranquilos
nãos existem tribunais
nem prisões
nem policiais
e a lei, é uma mera formalidade,
pois  inexistem demandas.
No país dos homens tranquilos,
as palavras governo, poder e autoridade
ficaram esquecidas no léxico.
No país dos homens tranquilos
não existe vaidade, inveja, cobiça
e a consciência é o parâmetro
das relações interpessoais.

Agora, já ouço vossas vozes:
iremos para o país dos homens tranquilos,
porém, preciso lhes falar de um detalhe,
e diz o adágio: Deus mora nos detalhes;
ainda não estamos aptos à conexão
com o país dos homens tranquilos;
pois não basta apenas sair do país dos homens renegados,
teremos de passar primeiro pelo país dos homens exaltados,
cruzar pelo país dos homens eufóricos,
atravessar o deserto do país dos homens afoitos
para, finalmente, desembarcar no país dos homens tranquilos...

sexta-feira, 12 de março de 2021

ESTAMOS ACOMODADOS

 Naquele tempo bebemos do remédio amargo

à época  do contragolpe dos  anos  sessenta,

mas   afirma  um  adágio  de  remotas eras

que água mole na superfície da pedra dura

bate, bate, bate, até que um dia a  perfura...

Pois de repente  a pedra de Drummond

foi retirada de vez do meio do caminho...

e os próceres daquela época gritaram:

ditadura aqui no trópico nunca mais,

porque agora temos a carta cidadã!

E muita gente acreditou naquilo...

As forças armadas saíram do palco

e retornaram às lides das casernas

Os verdes-oliva  pairam tranquilos

mas onze canetas afiadas e inquietas

estão a reeditar uma ditadura escabrosa





sábado, 13 de fevereiro de 2021

SOMOS CHATOS!

 À medida que envelheço vou ficando chato,

porque o mundo parece-me fora dos eixos.

Antigamente quando ouvia os reclames

de  pessoas  inseridas  na  faixa etária

em que  me encontro agora, pensava:

quando ficar maduro serei diferente!

Foi engano. Estou igual àquela gente

que eu criticava por excesso de zelo.

Pior de tudo é que é tempo perdido

querer mudar o mundo através

de palavras, teorias, pensamentos..



quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

SONS E TELAS

 Era manhã e chovia suavemente

quando acordei sob os acordes de Vivaldi

executados magistralmente pela passarada

e o meu ser ficou entregue á magia.


Momentos assim plenos de contentamento

dizem ao meu coração  que é bobagem

gastarmos energia em buscas aleatórias

em alvos improváveis ditados por modismos...


Houve um tempo em que os tapumes

escondiam as belezas naturais da cidade,

mas hoje surgiram tapumes mais nocivos:

são as telas conectadas ao túnel digital.


domingo, 22 de novembro de 2020

QUE VÍRUS XAROPE!

 Diziam-me que o "coronga"  era chato,

mas não imaginava tanto.

Faz uma semana que a coisa não me larga

Este hospedeiro é um chiclete indesejado.

Ando todo o tempo na canseira,

com dores pelo corpo inteiro,

  dificuldade com os alimentos,

pois o paladar ficou horroroso.

Vou encerrando por aqui

antes que a sonolência me apague...


domingo, 15 de novembro de 2020

ESTE CORONA!

 Meu hospedeiro é muito chato

 Provoca-me a todo o instante.

Lê meus pensamentos

e os replica sempre..

Hoje, por exemplo,

sugere-me que eu vá à rua:

seja patriota - vote!

Digo que não e não e não

Não irei infectar as pessoas sadias

Ele fala que sou preconceituoso:

se o "Tio Sam" fosse o meu pai

por certo sairias à rua contente

e me tratarias com devoção e carinho.



domingo, 8 de novembro de 2020

POIS ENTÃO !

 

 Naquele tempo
saí à rua pedindo
eleições diretas:
gritando por direito
de votar.
Meu tio olhava
aquilo de longe,
dizendo:
Queres engordar
as demandas
dos oportunistas,
pensado que fazes
grande coisa.
Eu retrucava:
a coisa está errada,
é necessário mudar
a estupidez regimentar,
que não permite
o eco da minha voz.
O velho treplicava:
se queres mudar algo
não delegues nada a ninguém.