Yeshua Bem Padira falou:
Pedro, apascenta minhas ovelhas?
.........................................................
Muitos séculos depois,
Marx, cofiando as barbas, pensava consigo:
meus discípulos conduzirão o rebanho
pelo deserto teórico
e o instalarão na casa da utopia.
quinta-feira, 22 de março de 2018
segunda-feira, 19 de março de 2018
PODER E GLÓRIA
Tu que buscavas
o poder
por toda a parte,
construías teus palácios
nas nuvens.
Pensavas hipnotizar o vento.
Aspiravas à glória salomônica.
Tu eras César
atravessando o Rubicom
Incorporavas Sócrates
calando Atenas.
Agora, no final da reta,
percebes tua corrida vã.
Vês ali na esquina
a sombra da dama da foice.
Sabes que do outro lado
não poderás cambiar
tuas moedas podres.
Então, compreendes
que tudo é poeira.
o poder
por toda a parte,
construías teus palácios
nas nuvens.
Pensavas hipnotizar o vento.
Aspiravas à glória salomônica.
Tu eras César
atravessando o Rubicom
Incorporavas Sócrates
calando Atenas.
Agora, no final da reta,
percebes tua corrida vã.
Vês ali na esquina
a sombra da dama da foice.
Sabes que do outro lado
não poderás cambiar
tuas moedas podres.
Então, compreendes
que tudo é poeira.
terça-feira, 13 de março de 2018
AROMA
O cheiro da relva molhada, suspenso na tarde,
resgata os dias primaveris estendidos
no varal das estações;
ferrugem das talhas penduradas no cabide do tempo,
escopo de uma ilusão insone acoplada
à engrenagem da memória.
Quando o aroma das coisas pretéritas,
soterrada no arquivo morto da lembrança,
surpreende-me, de repente, assim do nada,
navego na cauda do vento feito criança.
resgata os dias primaveris estendidos
no varal das estações;
ferrugem das talhas penduradas no cabide do tempo,
escopo de uma ilusão insone acoplada
à engrenagem da memória.
Quando o aroma das coisas pretéritas,
soterrada no arquivo morto da lembrança,
surpreende-me, de repente, assim do nada,
navego na cauda do vento feito criança.
segunda-feira, 12 de março de 2018
QUEM SOMOS NÓS?
Quantas vezes posamos
de donos da verdade
sem saber o que é a verdade?
Passamos a vida
buscando o novo
em fontes caducas
sem perceber
que a novidade
é o aqui, o agora.
Gastamos parte
desta existência
julgando as coisas,
os seres, o mundo
com pecha de sábios,
entretanto, não sabemos
nem quem somos.
de donos da verdade
sem saber o que é a verdade?
Passamos a vida
buscando o novo
em fontes caducas
sem perceber
que a novidade
é o aqui, o agora.
Gastamos parte
desta existência
julgando as coisas,
os seres, o mundo
com pecha de sábios,
entretanto, não sabemos
nem quem somos.
quinta-feira, 8 de março de 2018
O FIM! O FIM?
O homem moderno atropelou o tempo
e logo pediu mais tempo,
porque o tempo que ele mal administra
parece-lhe tão pouco.
O homem moderno, apressado,
sôfrego, detesta o jargão
"dar tempo ao tempo"
impaciente, pula o "meio"
ansioso, quer logo o "fim".
O projeto de vida
do homem moderno
está centrado no:
fim da tarde,
fim da semana,
fim do mês,
fim do ano,
o epílogo do livro,
o ápice na cama...
mas apesar de tudo,
teme o "fim do fim",
tanto que se tivesse poder de barganha,
cara a cara com a hora derradeira,
negociaria com o juiz do tempo
um pedido de tempo complementar...
segunda-feira, 5 de março de 2018
POESIA, AH, A POESIA!
Meio estufetato e assustado,
ouvi esse triálogo, outro dia,
entre um adolescente e os pais,
numa livraria da cidade:
Mãê, compra o Grande Sertão Veredas pra mim!
- Prá que tu queres este livro?
- Leitura sugerida pela sora
- Tua professora está se intrometendo
- Ela disse que é uma leitura inteligente
- Tu deves ler os jornais.
- Jornal é diferente de livro
- Jornais tem bons colunistas, alguns são até escritores.
- Não gosto de jornais. Eles trazem as coisas que eu vejo antes na Internet.
Paê, compra este livro do Marcel Proust?
- Menino tu não tens idéia das coisas
que esse cara escreveu
- Como não! Já vi alguns trechos dele na Web
- Tens certeza de que se tratava do Proust ,
sujeito massudo, rabujento, embromão?
- Claro! Li trechos do 1º volume. Estilo bem descritivo,
mas gostei de Albertine, Germantes. Pretendo ler os 7 volumes
de "Em busca do Tempo Perdido"
- Tempo perdido é continuar insistindo, porque
eu vou comprar mesmo é uma enciclopédia.
Mãê, paê, não poderemos ficar no meio-termo?
- Os dois falam ao mesmo tempo, tipo coisa combinada anteriormente:
Pode ser a coleção Harry Potter?
- Nada disso. Caraca!
- Novamente, os dois:
Então tu queres a coleção de dvd dos filmes do Potter ?
- Quero o último livro do Manoel de Barros
- O quê, eu e tua mãe nunca ouvimos falar desse cara!
- Ah, então, pode ser a coleção do Mario Quintana.
- Poesia, não! Poesia, não!
- Por que não, se já escrevo alguns poemas?
- E os dois, ao mesmo tempo, nervosos, quase gritando:
Por que poesia amolece os miolos!
ouvi esse triálogo, outro dia,
entre um adolescente e os pais,
numa livraria da cidade:
Mãê, compra o Grande Sertão Veredas pra mim!
- Prá que tu queres este livro?
- Leitura sugerida pela sora
- Tua professora está se intrometendo
- Ela disse que é uma leitura inteligente
- Tu deves ler os jornais.
- Jornal é diferente de livro
- Jornais tem bons colunistas, alguns são até escritores.
- Não gosto de jornais. Eles trazem as coisas que eu vejo antes na Internet.
Paê, compra este livro do Marcel Proust?
- Menino tu não tens idéia das coisas
que esse cara escreveu
- Como não! Já vi alguns trechos dele na Web
- Tens certeza de que se tratava do Proust ,
sujeito massudo, rabujento, embromão?
- Claro! Li trechos do 1º volume. Estilo bem descritivo,
mas gostei de Albertine, Germantes. Pretendo ler os 7 volumes
de "Em busca do Tempo Perdido"
- Tempo perdido é continuar insistindo, porque
eu vou comprar mesmo é uma enciclopédia.
Mãê, paê, não poderemos ficar no meio-termo?
- Os dois falam ao mesmo tempo, tipo coisa combinada anteriormente:
Pode ser a coleção Harry Potter?
- Nada disso. Caraca!
- Novamente, os dois:
Então tu queres a coleção de dvd dos filmes do Potter ?
- Quero o último livro do Manoel de Barros
- O quê, eu e tua mãe nunca ouvimos falar desse cara!
- Ah, então, pode ser a coleção do Mario Quintana.
- Poesia, não! Poesia, não!
- Por que não, se já escrevo alguns poemas?
- E os dois, ao mesmo tempo, nervosos, quase gritando:
Por que poesia amolece os miolos!
sexta-feira, 2 de março de 2018
SEI QUE NADA SEI
A sapiência douta quase me assusta:
O clero e os formadores de opinião
querem transformar o mundo,
mas eu, um ser em evolução,
párticipe da Roda de Samsara,
ainda não sei o que é o mundo.
Também não sei quem eu sou,
não sei de onde eu venho
nem sei para onde vou
Felizes os religiosos e os políticos,
porque possuem as respostas prontas
para todas as questões existenciais
Perdoem a ignorância deste fã de Sócrates
que sabe, que nada sabe.
O clero e os formadores de opinião
querem transformar o mundo,
mas eu, um ser em evolução,
párticipe da Roda de Samsara,
ainda não sei o que é o mundo.
Também não sei quem eu sou,
não sei de onde eu venho
nem sei para onde vou
Felizes os religiosos e os políticos,
porque possuem as respostas prontas
para todas as questões existenciais
Perdoem a ignorância deste fã de Sócrates
que sabe, que nada sabe.
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