A carruagem da ilusão
conduz a humanidade
por caminhos insólitos,
vida a fora,
através do tempo.
Tempo de medidas estreitas
para uma vida inquieta
de andar incessante
pelos dias insípidos
e noites insones.
É a eterna repetição
da odisséia humana;
o medo compelindo o homem
a buscar ininterruptamente,
uma pista, um signo, uma estrela,
a chave de um porto seguro.
Por fim ao antever
o ponto de equilibrio
nas aguas do rio da vida
uma voz se faz ouvir:
é hora e embarcar
no carro da partida.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
segunda-feira, 21 de junho de 2010
MISÉRIA
Eu sonhei que sorria sonhando
e sorrindo fui à rua
Era um riso largo
que incomodava os transeuntes,
perturbava o mundo carente de risos,
irritava o homem de terno cinza
e rosto crispado, que falava
feito autômato ao celular.
Mas a alegria foi desaparecendo
à medida que eu me aproximava
do centro da cidade
e deparava-me com a miséria
exposta diante dos meus olhos;
uma miséria diferente
da miséria descrita pelos jornais
e daquela embalada na tv
para a obtenção de pontos no Ibope.
Era a miséria crua estampada
no rosto dos analfabetos,
na boca dos famintos,
na fisionomia dos párias,
no corpo das protitutas,
nos olhos dos assassinos,
no espírito do homem,
nas artérias do tempo.
e sorrindo fui à rua
Era um riso largo
que incomodava os transeuntes,
perturbava o mundo carente de risos,
irritava o homem de terno cinza
e rosto crispado, que falava
feito autômato ao celular.
Mas a alegria foi desaparecendo
à medida que eu me aproximava
do centro da cidade
e deparava-me com a miséria
exposta diante dos meus olhos;
uma miséria diferente
da miséria descrita pelos jornais
e daquela embalada na tv
para a obtenção de pontos no Ibope.
Era a miséria crua estampada
no rosto dos analfabetos,
na boca dos famintos,
na fisionomia dos párias,
no corpo das protitutas,
nos olhos dos assassinos,
no espírito do homem,
nas artérias do tempo.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
A NATUREZA
Eu amo
os riachos, os regatos, os arroios,
os rios, os lagos, os mares,
as pedras, as árvores, as flores,
as rochas, os montes, os vales
porque eles traduzem
o rosto da eternidade,
entretanto, não sabem que existem.
eu amo
o céu, a lua, as estrelas,
o vento, a brisa, o pôr do sol
porque eles não recitam
o idioma dos homens
mas falam a linguagem
que o meu coração entende.
eu amo
a natureza, a primavera, o beija-flor
o campo, o malmequer, os girassóis
amo-os porque são verdadeiros;
não pensam, não falam, não mentem
mas sabem a dança do universo.
os riachos, os regatos, os arroios,
os rios, os lagos, os mares,
as pedras, as árvores, as flores,
as rochas, os montes, os vales
porque eles traduzem
o rosto da eternidade,
entretanto, não sabem que existem.
eu amo
o céu, a lua, as estrelas,
o vento, a brisa, o pôr do sol
porque eles não recitam
o idioma dos homens
mas falam a linguagem
que o meu coração entende.
eu amo
a natureza, a primavera, o beija-flor
o campo, o malmequer, os girassóis
amo-os porque são verdadeiros;
não pensam, não falam, não mentem
mas sabem a dança do universo.
quarta-feira, 16 de junho de 2010
SÍNTESE
A sabedoria oculta
na boca dos incautos
irrita os tímpanos
inabituados à música
das marés.
Os dogmas eternos
exprimem a substância
do minuto espremido
pela mão do relogoeiro,
cansado, no caminho das pedras.
Neste átimo,
no vazio cósmico
o sempre e o nunca;
síntese das eras,
se encontram
aqui e agora
na boca dos incautos
irrita os tímpanos
inabituados à música
das marés.
Os dogmas eternos
exprimem a substância
do minuto espremido
pela mão do relogoeiro,
cansado, no caminho das pedras.
Neste átimo,
no vazio cósmico
o sempre e o nunca;
síntese das eras,
se encontram
aqui e agora
quarta-feira, 26 de maio de 2010
VIAJANTE
Hoje navegarei no vento
montado em Rocinante,
atravessarei os mares do Norte
dentro da baleia Jonica,
subirei à estrela dalva
pela escada de Jacó.
Antecipando-me aos "Sem-Terras"
invadirei a Távola Redonda,
cultivarei o campo de trigo
na cratera branca da lua,
cortarei a semente do mal
manejando a espada de Arthur.
Quando o corpo estiver exausto
descansarei na tenda de Abrãao,
energizarei meus pés
na relva de Witman,
saciarei a sede na fonte
de Fenando Pessoa.
montado em Rocinante,
atravessarei os mares do Norte
dentro da baleia Jonica,
subirei à estrela dalva
pela escada de Jacó.
Antecipando-me aos "Sem-Terras"
invadirei a Távola Redonda,
cultivarei o campo de trigo
na cratera branca da lua,
cortarei a semente do mal
manejando a espada de Arthur.
Quando o corpo estiver exausto
descansarei na tenda de Abrãao,
energizarei meus pés
na relva de Witman,
saciarei a sede na fonte
de Fenando Pessoa.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
MONA LISA
Mona Lisa,
por que não desces da parede?
por acaso te imaginas tela de museu?
Tua persistência me intriga
Estática, não te moves.
Sei teu nome
e sei que te furtas à rua
também pudera,
tão nobre!
mona Lisa
por que não falas?
perdeste a língua?
Minhas palavras te aborrecem?
Se me renegas, então por que me fitas,
enquanto me afasto?
por que não desces da parede?
por acaso te imaginas tela de museu?
Tua persistência me intriga
Estática, não te moves.
Sei teu nome
e sei que te furtas à rua
também pudera,
tão nobre!
mona Lisa
por que não falas?
perdeste a língua?
Minhas palavras te aborrecem?
Se me renegas, então por que me fitas,
enquanto me afasto?
segunda-feira, 17 de maio de 2010
OS OLHOS DO MUNDO
Mira tua face
antes que seque
as lágrimas suspensas
nos olhos do mundo.
Ouvistes dizer:
o tempo tudo apaga
mas devias saber
que o pensamento
inventa histórias
e, grosso modo,
tu és o inventor.
Tu valorizas, sobremaneira,
o objeto,
e, por consequencia,
o mundo,
entretanto, ignoras
o que é o mundo.
Te imginas senhor
das coisas
que te cercam,
o rei de um feudo
Não percebes
que és o abismo.
antes que seque
as lágrimas suspensas
nos olhos do mundo.
Ouvistes dizer:
o tempo tudo apaga
mas devias saber
que o pensamento
inventa histórias
e, grosso modo,
tu és o inventor.
Tu valorizas, sobremaneira,
o objeto,
e, por consequencia,
o mundo,
entretanto, ignoras
o que é o mundo.
Te imginas senhor
das coisas
que te cercam,
o rei de um feudo
Não percebes
que és o abismo.
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