Lembro de quando me obrigaram
ao primeiro gole de Coca-Cola
Era ruim, mas disseram que era chique,
charmoso e gerava status;
quando eu ainda não sabia
o significado de status.
E o primeiro gole de cerveja
foi pegajoso e rascante,
mas falaram: seja homem.
E o primeiro cigarro, um horror,
mas naquele tempo fumar era bonito.
A gente começa cedo no vício lícito
e depois briga com o mundo
para se livrar dessas porcarias...
segunda-feira, 9 de julho de 2018
quinta-feira, 5 de julho de 2018
POIS ENTÃO!
Passei muito tempo sonhando
com o elixir da rima perfeita,
guardado em algum baú
sob à guarda das musas.
Trancado nas cavernas da psique,
eu consultava os compêndios antigos,
esperando encontrar a pista
que levasse à chave da inspiração.
Um dia, distraído, abri a janela
e deparei-me com a vida,
acenando-me da esquina,
com o cardápio do mundo.
com o elixir da rima perfeita,
guardado em algum baú
sob à guarda das musas.
Trancado nas cavernas da psique,
eu consultava os compêndios antigos,
esperando encontrar a pista
que levasse à chave da inspiração.
Um dia, distraído, abri a janela
e deparei-me com a vida,
acenando-me da esquina,
com o cardápio do mundo.
domingo, 1 de julho de 2018
A CANÇÃO DO SER
Outro dia, ouvindo a canção do Raul
voltei a pensar aquele verso
que muitas vezes
não quis ouvi-lo.
"Eu tinha medo de sentir a beleza da simplicidade"
Foi um convite para revisão
das tralas interiores:
o momento de rasgar o script
atrelado ao mundo das aparências.
Hora de trilhar a senda do crescimento.
O objetivo que faz sentido:
o jeito autêntico de ser.
voltei a pensar aquele verso
que muitas vezes
não quis ouvi-lo.
"Eu tinha medo de sentir a beleza da simplicidade"
Foi um convite para revisão
das tralas interiores:
o momento de rasgar o script
atrelado ao mundo das aparências.
Hora de trilhar a senda do crescimento.
O objetivo que faz sentido:
o jeito autêntico de ser.
sábado, 23 de junho de 2018
AS ANDORINHAS
Ainda lembro de mim à janela
esperando as andorinhas.
De repente o céu ficava escuro,
o vento, forte, soprava do sul,
as andorinhas voavam para o leste
e eu antegozava o cheiro da chuva.
Era questão de tempo e a água descia.
Eu de alma lavada esquecia do mundo.
Outras vezes, nas manhãs ensolaradas,
as andorinhas faziam o ensaio da chuva.
Então, a gente sabia que iria chover,
e ainda que a meteorologia dissesse o oposto
naqueles dias sempre acabava chovendo.
Hoje, descendo a ladeira da vida,
ouvindo as previsões anunciar
que uma frente fria trará chuva,
debruçado em outra janela,
lembro do passado e falo
com a criança que eu fui:
são as andorinhas que trazem chuva!
esperando as andorinhas.
De repente o céu ficava escuro,
o vento, forte, soprava do sul,
as andorinhas voavam para o leste
e eu antegozava o cheiro da chuva.
Era questão de tempo e a água descia.
Eu de alma lavada esquecia do mundo.
Outras vezes, nas manhãs ensolaradas,
as andorinhas faziam o ensaio da chuva.
Então, a gente sabia que iria chover,
e ainda que a meteorologia dissesse o oposto
naqueles dias sempre acabava chovendo.
Hoje, descendo a ladeira da vida,
ouvindo as previsões anunciar
que uma frente fria trará chuva,
debruçado em outra janela,
lembro do passado e falo
com a criança que eu fui:
são as andorinhas que trazem chuva!
terça-feira, 19 de junho de 2018
AÇÃO E INAÇÃO
Quando eu contornava
o fim do parque,
onde começava a floresta,
praticando meu cooper,
via um homem parado,
olhando na minha direção.
O sujeito me impressionava,
porque naquela época,
eu era um jovem inquieto,
andando de um lugar a outro,
abduzido pelo movimento.
Quando eu passava por ali,
via o homem inerte, feito estátua.
De início aquilo não me incomodava,
mas depois de algum tempo,
veio-me um estado de angústia.
Curioso, um dia abordei o homem
e perguntei-lhe o que ele pensava
sobre o meu exercício
Daí, ele perguntou que atividade eu praticava
- então perguntei: não me vês passando por aqui,
sempre aos finais de tarde?
- Ora, nunca havia percebido, pois cuido do meu mister.
- Mas o que tu fazes aí parado, sem ver as coisas à tua volta?
- Bem, depois do trabalho, eu exercito, por algum tempo, a arte de ouvir o silêncio
o fim do parque,
onde começava a floresta,
praticando meu cooper,
via um homem parado,
olhando na minha direção.
O sujeito me impressionava,
porque naquela época,
eu era um jovem inquieto,
andando de um lugar a outro,
abduzido pelo movimento.
Quando eu passava por ali,
via o homem inerte, feito estátua.
De início aquilo não me incomodava,
mas depois de algum tempo,
veio-me um estado de angústia.
Curioso, um dia abordei o homem
e perguntei-lhe o que ele pensava
sobre o meu exercício
Daí, ele perguntou que atividade eu praticava
- então perguntei: não me vês passando por aqui,
sempre aos finais de tarde?
- Ora, nunca havia percebido, pois cuido do meu mister.
- Mas o que tu fazes aí parado, sem ver as coisas à tua volta?
- Bem, depois do trabalho, eu exercito, por algum tempo, a arte de ouvir o silêncio
terça-feira, 12 de junho de 2018
TUDO PASSA
Lá no começo da estrada,
eu aprendi algumas coisas,
que agora não servem mais
como datilografia, por exemplo,
em máquinas mecânicas e elétricas;
também informática através de cartões perfurados.
Sem falar na arte de operar antigos mimiógrafos
Ainda me ensinaram boa conduta, respeito, ética;
essas coisas que foram jogadas na lata do lixo.
Nada no mundo líquido já me impressiona muito,
à medida que sei que a novidade badalada de hoje
será a sucata ridicularizada de amanhã.
eu aprendi algumas coisas,
que agora não servem mais
como datilografia, por exemplo,
em máquinas mecânicas e elétricas;
também informática através de cartões perfurados.
Sem falar na arte de operar antigos mimiógrafos
Ainda me ensinaram boa conduta, respeito, ética;
essas coisas que foram jogadas na lata do lixo.
Nada no mundo líquido já me impressiona muito,
à medida que sei que a novidade badalada de hoje
será a sucata ridicularizada de amanhã.
quarta-feira, 6 de junho de 2018
DESABAFO -
Antes da guerra civil
se instalar por aqui
a vida era calma.
Acho que era ano 71 ou 72,
eu saia todo fim de mês
do antigo Banco Nacional,
aquele do guarda-chuva
(lembram?),
agência da Rua Uruguai
com as cédulas na mão,
sem correr riscos,
porque não havia ladrões
à espreita dos nossos trocados.
Porém, pouco a pouco,
os olhos da gateada
foram preteando.
E nos dias atuais
a situação está insustentável.
se instalar por aqui
a vida era calma.
Acho que era ano 71 ou 72,
eu saia todo fim de mês
do antigo Banco Nacional,
aquele do guarda-chuva
(lembram?),
agência da Rua Uruguai
com as cédulas na mão,
sem correr riscos,
porque não havia ladrões
à espreita dos nossos trocados.
Porém, pouco a pouco,
os olhos da gateada
foram preteando.
E nos dias atuais
a situação está insustentável.
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