quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

IDADES

Quando minhas pernas cansaram
fui socorrido pela bengala
Se ainda fosse jovem
diriam que sou um dândi
mas como a juventude se foi
dizem que sou mesmo um velho.
Quando os olhos perderam o alcance
submeti-me ao poder das lentes,
porém quando defendo meu ponto de vista,
falam: há controvérsia, por causa da miopia.
Quando meus cabelos cansaram de mim
e começaram a voar em todas as direções,
pensei, peruca é algo que não cola, é retrocesso,
mas, de repente, o chapéu pode salvar a pátria.
entretanto, pensando melhor, isso é bobagem,
porque quase todo mundo nasce sem pelos.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

UM BRASILEIRO PARA SER LEMBRADO SEMPRE

Neste tempo de vacas magras
e de propinas gordas
quando falta vergonha
e sobra cara de pau
é bom  relembrar
cidadão ilustres
e patriotas
que passaram
por aqui.
Homens,
na acepção
da palavra,
preocupados
com o bem comum
e com a nação Brasil.
Estou  reverenciando
Darcy Ribeiro
o último estandarte
da educação, num país
onde este tema
não está no  primeiro plano.
Pena que Darcy Ribeiro
não tem  sucessor!
Pior para o Brasil!

Não sou  muito dado a frases feitas, entretanto à guisa de homenagem ,
transcrevo aqui  um pensamento do Darcy, que eu admiro:

"Fracassei em tudo o que tentei na vida. Tentei alfabetizar as crianças
brasileiras, não consegui. Tentei salvar os índios, não consegui. Tentei fazer
uma universidade séria e fracassei. Tentei fazer o Brasil desenvolver-se
autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria
estar no lugar de quem me venceu."


domingo, 15 de janeiro de 2017

A COR DO CÉU

Um comercial de Tv quer saber
qual é a cor do céu.
Um racional metido responde,
é azul!
As crianças veem
outras tonalidades
Elas falam violeta,
dourado, arco-íris,
alegria, esperança,
saudade, lembrança,
natal, primavera...
Os velhinhos dizem
que o céu tem a cor do céu.
E para você, qual é a cor
do seu céu?

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

OS BOIS E OS HOMENS

Sabem,  aqueles  questionários
melosos, do tempo de colégio,
de perguntas sobre gostos,
 preferências  e atitudes,
que a gente respondia
imaginando conhecer
as coisas do mundo...
Pois é...doces recuerdos.
Ontem, lendo as respostas
de uma enquete  recente
dirigida a sábios e  afins,
algumas afrouxaram a mola
do cérebro deste velho
e talvez sacudam vossos pelos:
Este país não deslancha
porque os norte-americanos
continuam nos roubando...
A carroça Brasil não anda
porque causa dos vadios...
Ah, vejam também esta pérola:
o povo precisa fiscalizar o governo...
Com essas, lembrei-me de Leonel Brizola:
Venho e volto ao campo e os bois são os mesmos,
não mudam de caráter. Já os homens...

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

DEVERIA SER DIFERENTE

Li de um ex-articulista
de um  veículo antigo
da impressa nacional:
o máximo que almejo
de um político patropi,
que ele tenha medo
de roubar....
que tenha medo
de deixar que roubem.
Convenhamos, é o fim da linha!
Pior que almejamos a mesma coisa.
Almejamos que haja uma reforma
que reduza o número de parlamentares,
que haja redução no número de assessores
para que menos gente roubem...
É pau, é pedra, é o fim do caminho;
diria o maestro Tom Jobim.
Falei de Tom Jobim, porque é bom
relembrar as pessoas íntegras...
Como é bom!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

SE

Quando perguntaram
a Chico Xavier
porque justo ele,
ícone da humildade,
usava peruca,
esta foi a resposta
do arauto do bem:
a uso para minizar
o efeito da feiura
provocada pela ausência
dos pêlos capilares,
que minha imagem produz,
e eu não tenho o direito
de chocar as pessoas
com a minha fealdade.
Senhores, se os distintos
congressistas de Brasília,
se autoanalisassem
e se mirassem no exemplo
do filho de Pedro Leopoldo
quem sabe se não paravam,
um pouquinho, pelo menos,
de enfear a nossa História.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

MAIA OU REALIDADE

Dizem os "sábios"
que o mundo é maia
ou falsa realidade,
entretanto aprendemos
 a vê-lo o mundo assim
e quem vive no engano
ao se deparar com a verdade
pode perder a noção de onde está.
Entretanto, tudo pode ser realidade,
para qual ainda não temos visão
porque nosso olhar apressado
não consegue perceber
o mecanismo que rege
o princípio das coisas.