sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

NÃO EXISTE MAIS PUDOR

Alguns adágios são palavras soltas,
mas este encaixa com propriedade
no contexto do atual momento:
"a corja age na calada da noite".
Refiro-me ao conchavo no Congresso,
nas horas mortas do dia primeiro
do mês que termina o ano.
Sabem aquela jogada de volei,
"tirar o peso da bola"?
Pois é! Ontem esvaziaram o pacote
de medidas anticorruptivas, na cara dura.
Procedimento natural da casta política!
Tenho a impressão de que no andar do faz-de-conta,
mudarão a cor das portas escancaradas dos interesses,
mas tudo permanecerá incerto quanto ao necessário
basta à falta de vergonha dos saqueadores da nação.


quarta-feira, 30 de novembro de 2016

VAI CHAPE!

Vai Chape!
Era um mantra
de uma nação verde.
Vai Chape!
Era o sonho de um povo.
Vai Chape!
Era a força de uma egrégora.
Vai Chape!
Era um conto de fadas moderno.
Vai Chape!
Era o arco-íris de uma comunidade feliz
Vai Chape!
É o grito desesperado diante do incomensurável
Vai Chape!
É a homenagem do mundo a uma cidade enlutada
Vai Chape!
É a  memoria da tragédia registrada nos livros de Akasha
Vai Chape!
É o grito que ficará trancado por muito  tempo
Vai Chape!
É a lágrima presa nos  olhos do Brasil.
Vai Chape!
È a dor que será atenuada pelo tempo
Vai Chape!
É o mantra da saudade eterna.
Vai Chape!
Vai Chape!
Vai Chape!

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

DO CAOS AO CAOS



Após o caos primitivo,
época dos cataclismos,
de confusão dos elementos;
terra, água e fogo,
 abalos de toda ordem
convulsionaram o planeta.

Na proporção em que
as forças que atuavam
de forma  violenta
foram estabilizando
surgiram  condições
de vida na terra.

De repente as convulsões 
se deslocaram para dentro 
do homem, e, enquanto
essas forças estiverem
atuando em nosso âmago,
por certo há de faltar
a serenidade necessária
para entendermos
o que estamos fazendo aqui.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

TUBO DE ENSAIO

Disserem que eu desidratava a palavra
retirando a pureza dos vocábulos
quando os colocava no papel.

Mas eu continuei rascunhando
com as palavras submissas
em momentos distraídos.

Voltaram à carga e disseram
que eu fazia o papel do esnobe
procurando janelas pra pôr a cara.

Então, parei, respirei, pensei,
decidi:se na natureza nada se perde,
porque não prosseguir meus ensaio inofensivos?

terça-feira, 15 de novembro de 2016

DITOS

Eu e muita gente pensamos
que  nos induziram  a crer
durante     muito    tempo
que somos um povo bom.

Diz o adágio que um mentira
repetida   sistematicamente
adquire   foro de verdade
no transcorrer do tempo.

Mensagens à margem do equívoco
nem sempre foram  analisadas
à priori, quando    vendidas
no balcão da maldade.

Pois muitas vezes, o desejo
das almas boas  de  transmutar
o lixo que paira sobre as cabeças,
o joga  sob  o  tapete da realidade.

Fôssemos um povo  bom,
as estatísticas brasileiras
não seriam recheadas
de tanta perversidade.

Fôssemos de fato um povo bom
não haveria tanta desonestidade,
tanto crime, tanto roubo,
nem tanta corrupção







sexta-feira, 11 de novembro de 2016

EU SOU

Eis uma manhã amena
repleta de quase,
sob o império
do meio termo;
cheia de significados,
reféns da   linguagem.
Porém, tudo que eu disser
perderá o sentido
fora do nosso contexto,
ainda bem limitado.
Daí a necessidade
de tantos vocábulos
para que ocorra
a comunicação
entre as criaturas.
Quando ouvimos
a expressão "eu sou"
pensamos, equivocadamente,
no Cristo, porque ignoramos
a amplidão do termo.
Não sabemos o significado
de consciência cósmica.
um nível onde a palavra
é aleatória.
Quando atingirmos
o patamar do "Eu Sou"
estaremos integrados no bem,
leremos o pensamento do outro
e estaremos em todos os lugares
ao mesmo tempo.
Mas o tempo terá
aspecto de espaço.








quarta-feira, 9 de novembro de 2016

O AÇÚCAR, A VIDA, A POLÊMICA...

Outro dia, ao pegar um cafezinho
sem açúcar, provocaram-me:
- É loucura beber café amargo!
Para não perder a glosa, brinquei:
- A vida é doce o suficiente!
E a tréplica veio de imediato:
- A vida é uma droga!
E prosseguimos tipo papo de futebol,
onde coisas são ditas assim a esmo,
para saciar o deleite de tergiversar.