segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

O RIO

Quando eu vi
o rio de perto,
que susto,
que espanto,
que assombro!
Meu Deus,
de onde vem
tanta água?
Esse líquido
vem rolando
pelo mundo
em linha reta,
faz curvas,
muda de rumo?
E ele corre sempre
na direção de onde vem o sol?
O rio é tipo gente,
que nasce, cresce
e morre?
Mas tantas indagações
ficavam sem respostas,
porque essas perguntas
eu fazia a mim mesmo!

sábado, 18 de fevereiro de 2017

FORA DE MODA

O primeiro cigarro posto na boca
queimou-me a língua e os dedos,
produziu-me um acesso de tosse
e um embrulho no   estômago,
mas  estava contente,   porque
seguia o mandamento da mídia;
eu surfava na crista  da   onda
Blindei o pulmão com a fumaça
evolada dos tabacos do mundo.
Achava aquilo bonito e natural:
rostos felizes naqueles flashes
dos comerciais de tv da época.
Mas o tempo passa e um dia
a gente pensa, a gente cansa.
a gente sai do circuito e percebe
que é  bom estar fora de moda.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

ZORRA

É sabido de toda a gente
que os órgãos nacionais
da administração pública
na prática não funcionam,
exceto, cobrança tributária,
que é infalível e mortífera...
Em meio à zorra decadente,
deste barco à deriva,
algumas atitudes isoladas
despertam minha atenção
pela dimensão magnânima;
atos deprimentes/comoventes
de afazer desinteressado.
Pois outro dia, um senhor
estava a tapar buracos
numa rua aqui na capital
próximo da Assis Brasil.
justo no seu dia de descanso,
porque já não aguentava
ver os carros quebrando molas
numa sucessão de buracos.
Quando lhe perguntaram
porque fazia aquilo
respondeu meio tímido:
acho  que alguém tem que ir à  rua
dar início ao conserto das coisas
que foram abandonadas
pelos órgãos (in)competentes,
pois caso contrário; logo, logo
voltaremos ao caos primitivo.


terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

MUNDO

Naquele tempo
eu tinha a impressão
de  que o mundo
acabava logo ali,
naquela esquina,
onde era o colégio
ao lado do campinho
das nossas peladas.
Mas havia um mundo
paralelo, grandioso,
 e poético,
composto de livros
onde eu me achava
e me perdia
e me reencontrava,
em estado de graça.


domingo, 12 de fevereiro de 2017

O AMOR AINDA ESTÁ NA PELE

Lendo, outro dia,
Fernando Pessoa
deparei-me com este achado:
"Eu gosto tanto dela que não sei como a desejar"
Minha gente, imaginem
um nível evolutivo assim!
O amor seria absurdamente belo
se fôssemos menos sensuais,
se fôssemos menos corpóreos
se fôssemos  mais espirituais.


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

GOLPE?

Há momentos em que penso
que não somos racionais
e nos deixamos embalar
pelas paixões primitivas
Não sabemos examinar
com equanimidade,
as questões mundanas.
Hajam vistas, as querelas
em torno das paixões inúteis
relativas a nossa "política".
Digo, do balaio de gatos
em que se transformou
a condução política, aqui,
 nos últimos trinta anos...
Mas, se retrocedermos mais,
chegaremos às maracutaias,
da ditadura, da República Velha,
do Império, do Brasil Colônia...
Pois agora a palavra "golpe"
é proferida com raiva, com ódio,
com fúria,  pelos     adeptos
arregimentados das seitas
societárias do espólio tupiniquim.
Mas que golpe? A troca de seis
por meia dúzia?
Gente, golpe, se alguém o praticou
foi Pedro Alvares Cabral, (inconscientemente)
que ao invadir a grande nação indígena,
da terra do Pau Brasil,
deu início ao extermínio de um povo
 trucidado, pouco a pouco, dentro da própria casa.







quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

HEMINGWAI

Nestas manhãs abençoadas
de temperaturas amenas,
oásis dentro   do    verão,
lembro-me da sugestão
de Enest Hemingwai,
escritor norte-americano:
para criar alguma coisa
escreva a frase perfeita,
sem adornos e retoques,
e terás um bom início.
Mas frases são feitas
de sons   e   palavras,
ferramentas voláteis,
olhando de longe,
o versejante a cismar,
procurando elementos
para mais um poema,
que será esquecido
na varanda do tempo.