quinta-feira, 22 de setembro de 2016

VENTO, VENTO, VENTO

Não sei se em existências passadas
vivi em países ventosos
mas nesta,  minha alma se encanta
quando a brisa beija meu rosto
Não falo de ventania
mas daquele ventinho suave
que balança as folhas de leve
das árvores das alamedas
e mexe com os fios de cabelos
da mulheres que os conduzem soltos
Vento que vem do pampa,
do mar, da serra, do mato
renova o ar das cidades
corrompido pelos monóxidos,
refrigera os seres  aflitos,
melhora o humor dos chatos
Mas muita gente reclama
das variações do ar e do tempo
do calor, do frio e da chuva.
Eu, por vezes, também resmungo:
Ah, esse calor eu não aguento!
mas, de repente, tudo muda
quando recebo uma dose de vento!




segunda-feira, 19 de setembro de 2016

A VELHO MARTINS

 Tenho a impressão de que a primeira vez que entrei na Martins o Livreiro
era mês de setembro. Ainda lembro que chovia e era uma tarde meio
nublada, pouca fria, mas, que se transformou em pura magia, à medida
que eu viajava pelo universo encantado de livros que eu sabia apenas
o nome, mas nunca os vira antes na minha frente. Eu já era frequentador
da Livraria do Globo, visitante da Feira do Livro, mas nesses locais, naquele
tempo, não era comum  a disposição de livros usados e velhos.



Hoje estou com a sensação
de mergulho às tardes juvenis;
das antigas horas passadas
no  sebo da Rua Riachuelo,
" a Martins o Livreiro",
ao lado da Biblioteca Pública,
acho que a pioneira
no comercio de livros usados
e raros em Porto Alegre.
Lembranças de prazeres
gravados na alma...
o tatear de velhas páginas
e o cheiro emanado das folhas
dos alfarrábios...
algo que palavras não traduzem.








sexta-feira, 16 de setembro de 2016

A PRAXIS

A ferramenta de trabalho
do caçador de votos
se expressa no macro
haja vista o discurso
de uma raposa mineira,
Sua Excelência, JK:
"farei o país avançar
50 anos em cinco"
O cara até fez pirotecnia
para inglês ver:
Brasília foi construída
a toque de caixa.
Os tijolos usados nos prédios
foram conduzidos de avião.
São patentes registradas
do grupo corporativista.
Já gostei da fase
de captação de votos.
Era uma época de sonho,
de céu limpo,
das questões solucionadas
no discurso...
Mesmo que saibamos
que não há solução
a curto prazo para
as mazelas brazilis
por vezes damos ouvidos
a fanfarronices tipo:
"tenho a solução
para a segurança"!
"tenho a solução
para a saúde"!
"vou caçar os corruptos"
ou então,
"somos um partido novo
que governará diferente
porque somos povo",
Enfim, palavras vazias
jogadas ao vento.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

VELHOS SETEMBROS

Ando meio assustado
com a voracidade
do tempo.
Setembro entrou
na semana passada
e hoje já é dia treze.
Se continuar assim
semana que vem
vai ser outubro.
Saudade de quando
setembro era do tamanho
de um latifúndio.
Naquele tempo
o nono mês do ano
durava  sessenta dias.
Naquela época
SETEMBRO
nunca terminava...

sábado, 10 de setembro de 2016

SONHO, FICÇÃO, FANTASIA?

As palavras espaço e tempo
mais que melodiosas e musicais
também dão panos para mangas...

Sem esse binômio não teríamos
os minutos, os dias, as horas,
os anos, os séculos, os milênios...

Na ausência dessas medidas
andaríamos em círculos cegos
fluindo à margem da História.

Sem calendário,  sem idade
sem tempo, que diferença faria
o passado, o presente, o futuro?


quarta-feira, 7 de setembro de 2016

SE FOSSE DIFERENTE!

Num certo país
da América do Sul
todos os problemas
são solucionados
através do discurso
durante a temporada
de caça ao voto.

Ainda que vivamos
na esbórnia generalizada
onde quase nada
haverá de mudar
se não sublimarmos
nossos maus instintos.
Ainda acreditamos
ou fingimos acreditar
nos fanfarrões dos palanques.

As beberagens estão
nas ruas outra vez,
as promessas nas bocas
dos labiosos,
porque nós possuímos
algo que interessa
ao segmento que controla
o jogo de cartas marcadas.

domingo, 4 de setembro de 2016

NAQUELE TEMPO!

Eu gostava da introdução
das prédicas dominicais
que começava assim:
"Naquele tempo...
A gente nem respirava
ansioso pela história
que seria contada...
Mas, por vezes
ficava desapontado
porque em meio à leitura
havia algum recheio,
proibição ou alerta,
que gerava culpa
a alguma atitude
do dia-a-dia,
assim, por exemplo,
ler o velho Machado
era desaconselhável,
pois o pai da Academia
era zombeteiro, sacrílego,
um homem sem religião...
Os poetas, uns exagerados
quase todos imorais,
Augusto dos Anjos,
então, pactado com o Demo...
O bom homem de Deus
queria saber das nossas leituras,
mas leituras piedosas...
Uma ocasião, copiei
o poema, Dorme Ruazinha,
e mostrei ao pároco
cheio de expectativa,
mas grande foi a  decepção
diante da reprimenda:
"O Quintana é louco
pois rua não dorme!"