quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

PAZ

Aconteceu no estadio de futebol:
os torcedores do time local
engalfinhados tipo fera fora de controle
nem sabiam o motivo propulsor da rusga,
entretanto alimentavam uma briga inútil,
estúpida, inconsequente e não inteligente,
como são as contendas desnecessárias...
mas eis  que de repente, surge uma menina,
deficiente visual, na arquibancada superior,
abre um saco e derrama pétalas de rosas
sobre os brigões idiotas...
Acordei nesta parte da história e tentei dormir,
mas o cérebro ficou martelando sobre o sonhado,
buscando uma causa para as desavenças,
para as brigas, para escaramuças, para as guerras
no entanto não encontrei  nada,
porque no fundo não existe motivo
para os desentendimentos observados em toda parte...
Então, por que não aproveitemos a virada do calendário
e gritemos junto com o espírito de Ernest Hemingway"
Adeus às armas.

Desejo a todos os meus amigos, amigas e inimigos (acho que não os tenho,
mas se houver algum inimigo oculto, está inserido no contexto) um LINDO
E MARAVILHOSO 2015,  com muita tranquilidade, saúde , sucesso e PAZ;
UMA  OVERDOSE DE PAZ.





domingo, 28 de dezembro de 2014

A VIDA É CURTA

Quando eu era jovem
os mais velhos diziam,
corram, andem rápido,
porque a vida é curta!

Os religiosos complementavam:
não malbaratem o tempo,
 aproveitem as horas,
porque a vida é única!

Naquele época
eu tinha o pensamento confuso
em relação ao tempo
e não atinava o que seria pouco ou muito.

Mas doutrinado
pela filosofia da vida passageira
não admitia ficar parado
desperdiçando a quota de existência.

E eis que de repente um mendigo
surpreende-me com uma tirada imprevista
quando lhe pergunto por que está sempre parado
e ele responde que está aproveitando a vida!


quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

ENTÃO É NATAL,

Então é Natal,
do rico e do pobre
escreveu o cancioneiro.
A mídia canta o natal
dos famosos
A imprensa propala
o natal dos políticos.
Entretanto ninguém fala
do natal dos desvalidos.
Ninguém lembra do natal
do marido enganado
e da esposa traída.
Nem do natal
dos desesperados.
do natal dos perseguidos,
do natal dos humilhados,
do natal dos ensandecidos,
do natal dos encarcerados,
 do natal dos mendigos,
do natal dos deportados,
do natal dos lunáticos,
 do natal dos enlutados,
do natal dos furiosos,
do  natal  entrevados,
do natal dos larápios,
do natal amaldiçoados,
 do natal do morador de rua,
do natal do viciado. . .

E
   N
       T
          Ã  
              O
                  É
                      N
                          A
                              T
                                  A
                                      L
                                   

                   





domingo, 21 de dezembro de 2014

PRECISO APRENDER A SER SIMPLES

O menino que mora dentro  de mim
visitou-me na noite passada
e falou-me de coisas que eu havia esquecido
e de outras que estavam confusas na mente
porque à medida que o tempo avança
parece que cria-se um véu sobre a memória

Ele faz eu lembrar  dos meus natais antigos;
dos velhos  presentes aparentemente singelos
que a gente aguardava com tanta ansiedade,
inclusive daquela permuta no natal de 1961
quando eu troquei os presentes por uma viagem
a um sítio para aprender andar a cavalo.

Relembrou-me das minhas artes e peripécias
quando os guris mais velhos e mal-criados
incitavam-me a colocar rabo de papel
nos transeuntes distraídos sobre o passeio
e dos palavrões que eu aprendia com a galera
mas não os repassava porque tinha vergonha.

De repente, dentro do sono, percebi que ia acordar,
então perguntei ao meu velho  e jovem inquilino
porque ele apareceu através do sonho em vez
de vir quando estou desperto e consciente.
De pronto disse-me que tal método não funciona comigo
porque eu perdi a humildade natural das crianças.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

SE

Se você reduzisse os gastos
com as festividades natalinas
e doasse o valor economizado
com as obras beneficientes
você estaria regendo
uma canção  de amor.

Se você parasse de fumar
e guardasse o dinheiro gasto
no tabaco durante um ano
poderia transformar a noite
de natal de uma família pobre.

Se você cortasse parte  da bebida
além de beneficiar a saúde e o espírito
ainda poderia economizar uma quantia
suficiente para alegrar a vida
de uma criança carente no natal.

Se a gente dedicasse
um pouquinho do nosso tempo
em prol dos necessitados
estaríamos fazendo a revolução
sem precedentes e necessária.

Por que estamos centrados em nós mesmos
preocupados apenas com nosso umbigo
desligados das dores à nossa volta
como se fôssemos cartas fora do baralho?
Porque não conhecemos a palavra solidariedade!


terça-feira, 16 de dezembro de 2014

ERICO VERISSIMO , 17-12-1905 / 28-11-1975

Cresci lendo Erico,
encantado com a fluência
da sua escrita e com o arranjo
das personagens dentro das histórias.

O próprio autor se dizia um contador de histórias,
histórias aparentemente simples à 1ª investida
entretanto à medida da reflexão centrada,
percebe-se que a singeleza é aparente.

Velho Erico, nascido em 1905
Contador de "Caminhos Cruzados",
o drama cotidiano das histórias urbanas;
criador do monumental "Tempo e o Vento",
painel cinematográfico do nosso  Rio Grande.

Envelheço relendo o bom autor de Cruz Alta,
por  vezes ainda cismado com o enredo
do livro  "Olhai os Lírios do Campo",
outras vezes fico  rindo sozinho
com "Incidente em Antares"







domingo, 14 de dezembro de 2014

TEMPO DE BRIGA

Ultimamente briga-se por qualquer coisa.
Tudo é motivo para demandas inúteis.
Gasta-se energia com discussões tolas.
E quando  o caldo entorna
e a contenda ultrapassa o bate-boca
 as altercações  verborrágicas
deságuam nas vias de fato.

Briga-se por causa do futebol
porque o torcedor não admite
a existência do time adversário.
Briga-se no fluxo do trânsito
porque o condutor não quer
dividir a pista com o outro
Briga-se na seção do trabalho
porque o destemido valente
acha-se o mais inteligente da turma.

Parece que a velha compostura,
educação, elegância e finesse
se perderam por falta de adeptos
e sob os auspícios dos novos hábitos
vamos nós se especializando na grossura.


quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

DIREITOS

Dez de dezembro,
dia internacional
dos direitos humanos;
objetos vilipendiados
mundo a fora...

Diariamente neste país
clama-se por direitos básicos
apesar de estarem assegurados
na carta constituinte,
entretanto, as reivindicações
das partes prejudicadas
perdem-se no vazio da indiferença.

Aqui, nos últimos tempos
até houve alguns avanços,
acompanhados de retrocessos,
mas o certo é que direitos
continuam escorrendo pelo ralo.
E o respeito pelo cidadão,
algo que se perdeu no passado.






segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

TÃO FÁCIL CRITICAR

Somos especializados na arte
de vasculhar comportamentos
e formados na (in)disciplina
de elencar defeitos alheios
mas esquecemos de olhar
nosso calcanhar de Aquiles.

Outro dia eu comentava
atitudes perversas praticadas
por incautos no próprio corpo,
tipo cirurgias transformadoras
com o fito de alterar a aparência
ou aquelas dietas recuperadores
da velha silhueta...

Então, de repente dei-me conta
das minhas angústias, no passado,
relativas às minhas parcas medidas,
um metro e sessenta e cinco de ossatura
e também com a minha falta de peso,
cinquenta e sete quilos naquela estágio,
porém mais tarde veio a  gordura...
Depois, aquele velho filme:
patrulha no alimento;
corta isso, põe aquilo,
pouco carbohidrato,
muita verdura, mais frutas,
mas acabei ficando cliente
do velho "efeito sanfona"...

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

RADINHO DE BOLSO

À medida que dezembro desliza
pela trilha imprevisível do tempo
fico a relembrar velhas emoções
vivenciadas nos natais de outrora,
o que significa que venho de longe,
que já não cozo à primeira fervura,
que dobrei o cabo da boa esperança...

Em meio às reminiscencias dormidas
lembro-me dos natais antigos,
época escrita pela simplicidade,
quando uma bola de futebol
ou um  radinho de pilhas
fazia a gente feliz...

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

TANTA ESTRELA POR AI

Ainda ouço a voz do velho Raul
escapando rouca e rebelde do vinil:
sei que tem tanta estrela por ai...

Milhões de estrelas  por ai.
Milhões de galáxias por ai
zilhões de seres, certamente,
espalhados pelos planetas,
inseridos nessas galáxias;
entretanto, queremos acreditar
que somos os únicos
perdidos na imensidão...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

VELHO DEZEMBRO

Então  percebi que dezembro
entrou sem bater na porta.
Com suas passadas largas
está avisando os mortais,
que não pretende se demorar,
que está cansado
de dar suporte à farsa,
pois nem as crianças acreditam
na história do bom velhinho,
porque Natal, hoje em dia,
virou barganha no comércio.
Dezembro anda ressentido
com a ingratidão da galera,
que depois da comilança
e beberança do dia 25
cospe no prato, e no dia 31
quer vê-lo pelas costas,
pois não fala de outra coisa
que não seja a entrada
do  NOVO ANO.







sexta-feira, 28 de novembro de 2014

SE NÃO VAI AJUDAR NÃO SE INTROMETA

Por sermos ainda atrasados,
que estamos sempre catando
os eventos à nossa volta,ou seja,
o que outros andam fazendo.

Qual uma senhora fuxiqueira
eu vinha bisbilhotando, à revelia
os passos do meu ilustre vizinho,
um senhor nonagenário, ativo.

Percebi que o nobre distinto
conferia nos relógios, todo dia,
com calor, frio ou chuva
o consumo de água e energia.

Outro dia, já não me aguentando
aquela rotina inócua ( sob meu prisma)
abordei o veterano distraído:
o que leva o Senhor à tarefas inoperantes?

O bom velhinho, olhando de soslaio
disse-me, não me impressiona o seu proceder.
As coisas que eu faço não lhe interessam,
apenas lhe sugiro: viva e deixe viver!

terça-feira, 25 de novembro de 2014

MILAGRES, O MILAGRE

Nos verdes anos embrenhava-me nos texto
boquiaberto e fixo naquelas passagens
transformadoras de água em vinho,
convicto de que milagres existiam por certo.

Com o tempo nossas certezas balançam.
A gente cresce pondo a crença em xeque,
a autoafirmação substituindo a crença
à medida que a profusão de dúvidas avançam

A convivência com materialistas e a influência
dos livres-pensadores, ateus e anarquistas
retiraram-me a ideia miraculosa da lida.

Mas a carruagem da existência avançou no tempo
e a reflexão demonstrou-me a clareza do milagre,
 a comprovação da tese é a manifestação da vida.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

AS ESTÓRIAS DAQUELE TIO

Quando eu era criança encantava-me
as histórias que o nosso vizinho contava.
Relatos brilhantes à luz da minha insapiência
recontados a pedido da plateia atenta
e saboreados pela imaginação prenhe de curiosidades...
Os vocábulos deslizavam redondos pelos lábios
daquele contador de peripécias improváveis.
De tempos em tempos o artista fechava a casa
e desaparecia pelo mundo a buscar
novas aventuras para o nosso deleite
Ao fim da adolescência tivemos a certeza
de que aquele cara tinha uma missão específica :
que viera ao mundo com o fito de fantasiar
os verdes anos da nossa geração,
porque um  dia nos disse meio sem graça
que nascera, crescera, mas nunca saíra da  cidade,
que quando mentia que estava em recreio pelo mundo,
ficava trancado em sua modesta casa,
criando as histórias que nos contava.


quarta-feira, 19 de novembro de 2014

FRATRICÍDIO

Acuados e temerosos estamos
diante da violência desmedida.
Eis o panorama do momento
pelas nossas capitais e arredores
em tempo de guerra desnecessária.

Indubitavelmente, as guerras abertas
são salvos-condutos para os assassinatos
dos buchas-de-canhões nos campos de batalhas,
mas os não participantes desses eventos macabros
hão de se preocupar apenas com as balas perdidas,
entretanto, nas guerras civis, ao contrário das guerras abertas,
o inimigo sem rosto, surge, de repente, do nada.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

GUERRAS

Guerras são eventos malditos
gerados por cérebros ensandecidos,
mas que  hoje  ficam do lado de fora
do campo de matança  pré-estabelecido.

Provavelmente disputa pela comida
foi a causa da primeira guerra.
Daí nasceu o gosto pela coisa
e começaram a brigar pela terra.

Depois da contenda pela gleba
quiseram  brigar pelas fêmeas
Eram  disputas de vida e morte.
Todos queriam ser machos alphas.

Há quem diga que as guerras são necessárias
para alavancar as técnicas pioneiras
de suporte à evolução material e científica
do indivíduo em marcha para o futuro.

Eu, modestamente, penso que as guerras são inúteis.
Creio que todas as disputas belicosas são insanas,
Acredito que o patrono da guerra é o egoísmo.
Creio no fim das guerras com a vinda do homem solidário.





sexta-feira, 14 de novembro de 2014

MANOEL DE BARROS

Notícia de última hora:
Manoel de Barros morreu
Mas eu tenho certeza:
Manoel de Barros vive

Manoel de Barros, um ícone
ignorado pelos aduladores de plantão
Um maldito adorado pelo amantes
da boa poesia.

Manoel de Barros, poeta ímpar.
Manoel de Barros desconstruiu
o texto acadêmico
para construir sua obra original

Manoel de Barros não morreu
Manoel de Barros foi viajar
Manoel de Barros mudou de casa
Manoel de Barros disse até logo.



quarta-feira, 12 de novembro de 2014

O SONHO DO MÍOPE

Noites dessas tive um sonho
recheado de tensão e angústia.
 Quase como se eu sonhasse
que andava despido pela rua.

Aliás, andar pelado pela rua
virou moda aqui em POA
hajam vistas as peladonas
desfilando pelas praças...

Foi no passeio agora de domingo,
quando voltava, faltou-me os óculos.
Então refiz a trajetória da ida
na esperança de reencontrá-los.

Vi óculos expostos pela rua,
extensa gama de tipos e modelos,
que dentro do sonho pensei:
a cidade inteira ficou cegeta.

Eis  que de repente sem mais nem menos
surgiram mãos alcançando-me  lentes,
que estavam esparramadas pelo chão,
mas nenhuma era as que eu perdera.

Vejam só a incoerência, o contraditório:
se eu havia perdido os óculos que me ancoram
como eu conseguia, míope,  ver com nitidez
todos aqueles objetos pelo caminho?

O bom da história, quando acordei,
foi o final feliz encerrando o susto;
passei as mãos  na cabeceira da cama
e lá estavam minhas companheiras de guerra.













segunda-feira, 10 de novembro de 2014

A MOÇA, O DOUTOR E O BOBO

Quem já não fez besteira
algum dia, na juventude?
Eu me lembro de tantas,
que por vezes constranjo-me
da autoria daquelas pixotadas...

Compartilhei algumas pitorescas,
mas tranquei   vida a fora
aquelas menos abonadoras,
digamos aquelas mais vexatórias.

Relato agora um evento verídico
ocorrido há mais de quarenta janeiros,
nas tardes de abril daquele ano
em que o Tio Sam foi à Lua.

Segui um cara no centro da cidade,
de segunda à sexta-feira,
por volta da quinze horas,
para saborear o aroma do tabaco
que o cidadão queimava no cachimbo.

Um dia, surpreendido por um amigo
abrigado da chuva na marquise da Casa Massom,
eu, boquiaberto, não tive resposta:
por que todas as tardes daquela semana
eu caminhava atrás da menina morena
desde a Rua Uruguai até até a Galeria Malcon?

Pois eu preocupado com o cheiro
do tabaco holandês não percebia
que o distinto senhor engravatado,
platonicamente à distância, seguia
uma bela moça de minissaia.




quinta-feira, 6 de novembro de 2014

AH, OS MEUS QUINZE ANOS...

Nair tinha a pele cor de pêssego,
os olhos lembravam a tonalidade do topazio,
os lábios possuíam o matiz do ambar
Os passos de Nair eram mais delicados
que a dança sincronizada do Balet Bolshoi.
O sorriso de Nair era tecido pelos fios
que compunham as sedas do do arco-íris...

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

POIS É...

Disseram tanta bobagem por ai.
Dirão tantas bobagens à revelia.
Dizem muitas bobagens com o fito
de que acreditemos nelas.
Não haveria nenhum mal que os nossos ouvidos
topassem com esse mar de bobagens,
se estivéssemos no controle do barco,
mas por vezes afrouxamos o leme
e acabamos as assimilando como verdades...

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

A FEIRA

Crescemos praticamente
juntos, mas não lembro
da tua vinda ao mundo,
por que naquela época
eu tinha três anos.
Foi amor à primeira vista,
tenho certeza, e a minha paixão
continua irremovível.
Acho que nada nesta vida
fará romper os elos
que me ligam a tua existência.
Diferentemente de mim,
que já sinto na epiderme
a gravidade do tempo
tu continuas jovem,
jovem e moderna,
dinâmica e atemporal...
Lembro com saudade
e emoção dos teus aniversários,
sobretudo das datas retas.
Ah, os teus 20, 30, 40, 50 anos...
Entretanto, todos os anos
estou sempre presente, quando
tu reapareces na praça
encantadora e juvenil;
 jovem sexagenária,
 Feira do Livro
de Porto Alegre.


terça-feira, 28 de outubro de 2014

VOCÊ NÃO DEVE PENSAR





Em resposta à pergunta do discípulo,
 porque filosofia foi retirada
da grade curricular do ensino,
o mestre disse que não sabia.

O aluno repetiu a pergunta
ao diretor do seu colégio,
o qual disse que não lembrava
do motivo da exclusão da matéria.

O menino  inquieto foi ao gabinete
do secretário de educação do estado
onde lhe disseram que seria melhor
parar de fazer aquelas perguntas.

Como se fosse o personagem central
de "O Processo", obra genial de Kafka;
o moleque percorreu os labirintos de Brasília,
elos entre o nada e coisa nenhuma.

Por fim o ministro da educação
derramou um balde de gelo sobre o rebelde:
Menino, os curiosos morrem mais cedo.
Mas vocês são o futuro do país,
portanto não se preocupem em demasia
com as teorias filosóficas, nós pensaremos por todos.
Além de  tudo, filosofia funde a cuca.
Hajam vistas os pensadores que tiveram finais trágicos
ou morreram doidos.
Senão vejamos Sócrates, Dionísio, Nieztsche, Sartre...



sábado, 25 de outubro de 2014

FOSSEM AUTÊNTICOS NÃO SERIAM POLÍTICOS.

Na hora de nomear
o futuro condutor
do destino do país
 o eleitor deve levar em conta
aquilo que não foi dito.

Porque os dois candidatos
legislando em causa própria
ufanam-se de excelsas virtudes.
Neste mundo imperfeito
a perfeição deles assusta.

As ofertas dos candidatos
vencedores  nos últimos pleitos
se perderam através do vento;
agora fazem parte do compêndio
 dos compromissos não cumpridos.
Mas como se fosse miragem
hoje ninguém fala no assunto.

Lembro-me do comercial
do candidato da legenda,
vencedora há alguns anos,
mostrando gente morrendo
na filas de espera do SUS
e pessoas sucumbindo nas ruas
sob a violência desnecessária.
O locutor com voz tronitroante
vociferava ao vento:
gente, isso é coisa do passado,
porque no nosso governo
isto será resolvido!
Entretanto, tudo continuou como dantes
dentro do quartel de Abrantes!

Em síntese, os candidatos sabem
que importante é convencer,
através do marketing recheado
de intrigas e pirotecnia,
mas quando empossados
farão de conta que nunca disseram
aquilo que prometeram.
Eles sabem que ao final e ao cabo
todos esquecem do discurso.







quinta-feira, 23 de outubro de 2014

VOCÊ LIVRE COM A CORDA NO PESCOÇO

Nossa democracia relativa
obriga, democraticamente,
todo cidadão votar!
Digo, exige que todo o vivente
dentro de determinada faixa etária,
vá ao local previamente estabelecido,
no dia destinado à colheita da assinatura
no livro de registro do evento
e declare seu veredito,
sob pena de transgressão punida com multa pecuniária.

A democracia diz que o indivíduo é livre,
mas acho estranha nossa liberdade acorrentada.
Pelo menos neste quesito a democracia americana
fez jus ao bom senso, ao tornar o voto facultativo.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

PREGOEIROS

Por vezes penso,
que os adesistas,
quero dizer os artistas,
enfim, gente famosa;
cabos eleitorais assumidos
dos candidatos urnicos
imaginam que nós, eleitores,
estamos na idade mental
das crianças de creche,
pois de ambos os lados
dos nossos concorrentes
estão a incitar:
vote neste por isso,
vote naquele por aquilo.
Parece que essa gente quer caçar
o direito do indivíduo fazer
a opção segundo sua consciência.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

AH, SE CHOVESSE POR TODA A PARTE!

Curto, com um pouco de remorso,
o segundo dia consecutivo de chuva,
enquanto a senhora previsão anuncia
mais dois dias hiper molhados.

Teremos sábado e domingo
para ficarmos dentro de casa
curtindo um naco de ócio,
 visitando os blogs amigos.

Sábado e domingo de chuva;
convite para pôr em dia
a leitura daqueles livros
que há tempos estão na fila.

Mas o prazer de que vos falo
machuca um pouco por dentro.
Aqui chove bastante, mas é triste
ver o sofrimento dos nossos irmãos paulistas.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

AOS MEUS MESTRES COM CARINHO

Neste dia consagrado ao mestre
dirijo o pensamento à primeira professora.
Lembro-me que há mais de cinquenta anos
a vi pela vez derradeira.

Não sei se ela ainda vive
nem porventura o lugar onde mora,
mas de repente na minha lembrança
ouço sua voz na sala de aula.

Acho que ainda não era paixão
aquilo que sentia naquele tempo,
entretanto não existem palavras
para descrever aquele deslumbramento.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

SEU DOUTOR, O QUE EU FAÇO?

Doutor, acho que o meu filho
não anda bem da bola.
Passa o tempo ouvindo Beethovem.
Já não quer saber de Funk.

Meu diretor, estou preocupada
com a saúde  do meu filho.
Quase não mexe no celular
Fica lendo horas e horas.

No começo achei que fosse apenas
atitude de rebeldia sem causa.
Entretanto a onda não passa
e eis aqui uma mãe desesperada.

Eu já estava quase assimilando
a mania de leitura do meu herdeiro,
entretanto, de repente, entornou o caldo,
agora ele anda lendo compêndios de  filosofia.





quarta-feira, 8 de outubro de 2014

AH, SE FOSSE VERDADE!

Eu queria escrever um poema
que relatasse as temperaturas amenas
salpicadas de brisa outubrina,
beijando meu rosto no fim da tarde.

Eu queria colocar no papel
loas ao nosso sistema educacional,
elogiando os bons serviços
prestados à juventude,
futura timoeneira
do destino verde-amarelo.

Eu queria exaltar a sensibilidade
dos homens públicos  deste país,
abnegados condutores da bandeira
da equanimidade, mola-mestra do bem comum.

Eu queria escrever um poema elegíaco
sobre nossos programas televisivos,
receptáculos instrutivos e formadores
da capacidade reflexiva do telespectante.

Eu sonhava com um poema decantando
os versos das correntes musicais de agora
criações de nível aceitável, tais quais
as que gente cresceu ouvindo no passado.

Queria dizer tanta coisa,
que preencheria  vários poemas,
mas de repente, a voz da consciência
ficou tocando nos meus ouvidos:
mente pouco, mente menos;
 faze o poema sobre a brisa de outubro
beijando o rosto das pessoas...


sábado, 4 de outubro de 2014

GREVE

Hoje, no fim da tarde
fiquei admirado e apreensivo
porque pelas esquinas que passava
havia policiais de campana.

Inclusive  nos parques
vi  muitos seguranças
reunidos em torno das árvores
como se vigiassem um inimigo imaginário.

A gente que há tanto tempo
não via os operários da lei
a postos em locais estratégicos
ficamos pensado: há loucura no ar.

A noite cai sobre a cidade
e com ela as informações,
que estão deixando a urbe alvoroçada,
dizem que há uma greve geral de eleitores.

Fala-se que as autoridades estão
em estado geral de alerta:
ninguém pode sair da cidade
E a ordem da última hora:
se os eleitores não forem às urnas
os votos serão colhidos à domicílio
ou em qualquer lugar em que eles se encontrem.

Há um grande alarido pelas ruas.
Apesar dos desmentidos o clima é tenso
Políticos, candidatos, intrometidos
vociferam a todo o instante junto à mídia:
se esses calhordas pensam que vão nos enganar,
muito enganados eles estão!

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

VEM PRA URNA

Faça um político feliz
elegendo-o a um mandato.
Não te escondas atrás
do voto branco,  do voto nulo.
Não faças essas coisas feias,
tu não és nenhum covarde.

É a única coisa que ainda te deixam fazer de graça,
por que então não aproveitar a oportunidade.
Portanto, arregaça as mangas, corre pra urna
e vote contente, vote de olhos fechados...

Esqueça a miséria a tua volta
isso não vai acabar mesmo,
Tu és um só e os problemas são tantos...
O candidato não é um inimigo.
Ele quer apenas se dar bem,
ganhar bônus, usufruir das mordomias,
se esbaldar nas maracutaias...


segunda-feira, 29 de setembro de 2014

TRANSITÓRIOS E ETERNOS

Eu não devia me surpreender
com as carrancas de segunda-feira.
Entretanto custa-me aceitar
o mau humor estampado nos rostos.

Nesta existência determinada por ciclos
vejo no início de mais uma semana
oferta de novas possibilidades
para a ampliação do nosso aprendizado.

Tristezas não pagam dívidas,
sábia tirada do poeta popular.
Sabemos que a alegria não é uma constante
mas não vamos nos abater com os reveses.

Esta existência passa depressa
O trem da partida pode estar ali na esquina.
Somos passageiros da Galáxia.
Mais importante que a vida não acaba.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

NÓS, ELEITORES, ESTAMOS CONFUSOS DIANTE DA PERFEIÇÃO

Conversando outro dia
com amigo de longa data
pensei que ele havia
se inspirado no Poema Reto
de Fernando Pessoa,
entretanto declarou-me
que nunca lera aquele poema
o que, aliás, é uma pena
Até sugiro àqueles
que ainda não o leram,
mas gostam da poesia maior
que o façam, porque vale a pena.

Voltando ao início da arenga,
nosso papo era pouco poético,
pois meu amigo dizia-se indeciso
sobre em quem votar no próximo pleito,
porque todos os candidatos
propagandeavam excelsas virtudes,
em suma todos perfeitos.
Por fim afirmou-me : não é justo,
que eu, ser imperfeito,
conspurque com o meu voto
a imagem das vestais do Olimpo.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

VAMOS LÁ, NÃO DÓI, OU DÓI!?!?

Certo, muito certo, eu estava
de que não votaria neste pleito,
entretanto diz aquele velho aforismo:
certeza absoluta é privilégio dos idiotas.

E como ainda não estou idiotizado,
salvo se eu estiver engando.
(haja vista os humanos se enganarem)
Marcharei na direção da urna
como quem lança um semente no solo.

Estava desiludido e descrente
em face do panorama político,
mas na última hora surgiram candidatos
que provavelmente farão a diferença...

As promessas são cristalinas  e alvissareiras,
senão vejamos algumas delas,
isto é, a grade de futuros projetos ambiciosos:
I - não haverão mais secas nas lavouras.
II - acabarão as enchentes nas cidades.
III - não existirão mais invernos rigorosos.
IV - os verões serão refrigerados pela mãe natureza.
V - febres, doenças, moléstias físicas nunca mais.
........................................................................
X- os ladrões e os calhordas abandonarão o ofício;
enredadores, falcatruas e trapaceiros serão aposentados.
..................................................................................
.................................................................................
..............................................................................
L - Deus finalmente vai testemunhar em cartório notarial,
através de firma reconhecida, que é B-R-A-SI-L-E-I-R-O.

Dai, que vos pergunto, como poderei me furtar
de levar meu votinho à urna?


sexta-feira, 19 de setembro de 2014

LÁ....................................................................................E CÀ

Em alguns países europeus
a política é conduzida por pessoas sérias.
Lá política é doação,
prestação de serviço à pátria.
Na Suécia, Finlândia e Dinamarca
os parlamentares são austeros
recebem remuneração simbólica
vão de ônibus ou de bicicleta
aos seus gabinetes
e matriculam os filhos nas escolas públicas,
mas na Suécia, deputados e vereadores
não recebem salários, não possuem gabinete
e fazem os trabalhos em casa.
Em compensação, aqui a política é sinônimo
de negociata, mutreta, trapaça
e carreirismo.
Aqui, muitos parlamentares
entram na carreira política aos vinte anos
e ficam dentro até a morte.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

A GUERRA FRIA

Cresci sabendo que não morreria velho
porque a humanidade seria destruída
pelo fogo das bombas atômicas
construídas pela idiotice intelectual
de alguém que odiava o ser humano.

Cresci sob o império do terror
produzido pela Guerra Fria,
brincadeira de gato e rato;
uma terrível comédia alimentada
pela propaganda bipolarizada da época.

Lá no início dos anos sessenta
eu pensava que o contraponto da contenda
era a corrida espacial.
Que os mocinhos não apertariam o botão fatídico
antes de descerem na lua...

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

PALAVRA DE ORDEM: EVOLUIR

Somos vassalos  da violência,
da discriminação e da intolerância.
Ainda que em determinados momentos
naveguemos pela doce ilusão
de que já avançamos muito
no longa trilha da convivência,
na verdade ainda engatinhamos
no percurso do processo civilizatório,
hajam vistas episódios diários
ocorridos à nossa volta.
Citarei um dentre milhares
que aconteceu aqui na minha cidade,
no fim do mês de agosto,
quando uma menina, no Estadio Arena,
foi flagrada pelas câmeras da mídia
vaiando um atleta em campo
através de cânticos anti raciais,
comportamento criminoso que está em juízo
à espera de decisão judicial.
Evento registrado, veio a retalhação
com a menina sofrendo ameaças diárias
e uma delas culminando concretamente,
pois puseram fogo na casa da garota.
Eis mais uma casa queimada,
esta propulsionada pelo ódio da vingança.
Por fim vos pergunto,
as ações e reações aqui descritas
refletem o comportamento de uma civilização evoluída?


quinta-feira, 11 de setembro de 2014

LIBERDADE ERA UMA CALÇA AZUL E DESBOTADA OU NÃO!?

Em época de caça ao voto
surgem novamente algumas perguntas
à procura de repostas satisfatórias.

A política possui muitas caras
dirão as velhas raposas matreiras,
com que, aliás, concordamos quase todos.

Dizem os analistas especializados na matéria:
o cidadão dever exercer o direito do voto
para não ter aborrecimentos posteriores.

Segundo os exegetas da arte maquiavélica,
há que se explorar o conceito sartreano
a opção, o exercício  básico da liberdade.

Negar a premissa de Jean Paul Sartre;
a condenação humana à liberdade,
seria pecado não fosse o pensador ateu.

Após a exposição do cipoal palavrórico
persiste minha angústia filosófica:
como posso optar por alguma bandeira
se nenhuma delas atende aos anseios da minha consciência?



terça-feira, 9 de setembro de 2014

PACIÊNCIA

A pior democracia, com certeza,
será melhor que qualquer ditadura
Daí a conveniência de tolerância
com determinados ritos do sistema
chatos, aborrecidos, mas necessários
tipo periodo de propaganda eleitoral...

Época das campanhas democráticas,
às vezes nem tão democráticas...
Não bastasse a poluição visual, sonora
e assemelhados,
afluem os discursos passadistas,
vazios, desérticos, messiânicos
sob os auspícios dos salvadores da pátria,
subindo ao púlpito, prometendo
a abertura dos portões do paraíso...

Haja a necessária paciência!

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

FIXAÇÃO DA JUVENTUDE

Durante a minha adolescência
estive enfeitiçado
pelas mulheres ruivas.

As loiras, mulatas, morenas,
negras, pardas, albinas, elavas,
que me perdoem,
mas naquela época
eu era fissurado
pelas ruivas
com pintinhas douradas
na pele.

Naquele tempo eu curtia
os filmes de Jean Jack Godard,
sobretudo as fitas estreladas
pela atriz Brigitte Bardot,
que eu a pensava loira,
mas quando  soube
que era morena, de cabelos tingidos,
não me importei nenhum pouco,
porque o que eu queria mesmo
é que a Brigitte fosse ruiva.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

CUIDADO COM A PALAVRA

O brasileiro médio sempre gostou do palavrão
mas acho que no período da última ditadura
foi que a prática virou cartão de visita.
Era a válvula de escape da panela de pressão.

Na época em que quase tudo era proibido
e o "proibido proibir" aqui não dava pé,
o cidadão comum entre o medo e a raíva
sujava o verbo, na medida do permitido.

Fim da ditadura, fez-se o inventário,
caíram vários vícios ultrapassados,
mas a boca suja prevalece até agora.
Daqui a pouco o palavrão  entra no dicionário.



quinta-feira, 28 de agosto de 2014

AINDA SOMOS IGNORANTES

Sempre vi com reservas  a perspectiva
de um velho amigo da juventude
que dizia que fora dos livros
não havia salvação para nós, mortais.

Nunca tive nada contra os livros,
mas pelo contrário, sempre os amei,
entretanto, num determinado momento, percebi,
que a vida é um mistério maior que a literatura.

Certamente não encontraremos a essência do mundo
nos paradigmas da Arte.
Nossa ascensão no caminho da sabedoria começa
quando percebemos quão grande é a nossa ignorância.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

CERTEZA SÓ A ETERNIDADE

Às vezes, lendo notícias impressas
ou apanhando frases soltas alhures,
vamos ruminando nossas ideias
e um pensamento leva a outro
pensamento aparentemente desconexo,
que já havia sido gerado
lá atrás, em outra oportunidade,
mas devido ao excesso de informação
aportado na caixa de entrada,
ficou esquecido num canto.
Já nem sabemos se pensamos aquilo
ou se entramos no sonho do outro.
Temos dúvidas  se lemos aquele livro
ou se alguém contou a história pra gente.
Não temos certeza se determinado evento
nos aconteceu agora, nesta existência,
ou se ocorreu em vidas pregressas.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

VENTOS DA MINHA ALDEIA

Amo os dias de ventos tranquilos
aqueles que arejam o espírito.
Vento gerado no sul da América
atravessa, pântanos, rios e pampas;
ganha o nome de minuano no caminho
e por fim lava minha alma.

Criança, eu já gostava dos dias ventosos,
pensava que o vento  girava a vida,
mas quando o vento saia de férias,
parecia-me que o mundo parava!

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A CAÇADA

Em tempo de caça
a  indústria e a mídia
calibram as armas
para atingir o alvo.

Outrora
os bichos eram ariscos
e a caça ao pato
demandava longas perseguições
através dos  campos.

Atualmente,
novos métodos de abate
dizimam grupos inteiros
de indivíduos anestesiados
nas lojas dos shoppings centers.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

VIDA QUE SEGUE

Pingos de sol,
gotas de vento
som de vozes,
manhã que segue
na direção da tarde.

Gotas de aromas
pingos de desejos
vindos da rua
no balanço da brisa
incentiva o estômago
a reivindicar o rango:
um grelhado na chapa,
uma salada esperta,
a sobremesa da casa
e um pretinho básico
para saciar o vivente.

A tarde descendo
na ladeira do tempo,
a cidade não pára,
a turba se locomove
buscando um significado
nos templos modernos:
as lojas dos shoppings,
centro de culto
aos cartões de créditos
das bandeiras importadas...

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

PRENÚNCIO OU ANÚNCIO?

O que me agrada no mês agosto
é a impressão de que as tardes
retiram um pedaço da noite
deixando os dias menos curtos.

Agosto prepara a proveta dos aromas
para ser inoculado no útero de setembro;
prenúncio de uma temporada  de sedução
no reinado de mais uma primavera.

Gosto do sol, alaranjado,  nas manhãs de agosto
despontando por trás dos morros da zona leste
e do reflexo róseo sobre as águas do Guaíba
quando ele cruza o rio no fim da tarde.


quarta-feira, 6 de agosto de 2014

MEDONHO, MAS, NEM TANTO...

O pai alertou o filho:
uma fera vai passar por aqui.
- uma onça, meu pai?
- Não. É uma fera terrível!
- Seria um mastodonte?
- Filho, é um animal medonho!
-Paiê, é um unicórnio?
- É um bicho bobo!
- mas então quem é ?
- É o homem!

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

AGOSTO

Acho  que por ouvir desde sempre
ditos desfavoráveis sobre o mês de agosto
muitas vezes flagro-me repetindo
velhos clichês de domínio público

Digo que agosto é o mês do desgosto,
que é o mês do cachorro louco
ou para ser mais poético,
(pego carona no Moacir  Scliar)
falo mês dos cães danados.

Repetindo o chavão comum aqui do sul:
cavalo velho que atravessa incólume
o pantanal  de agosto, viverá  por mais um ano.
Ah, idoso esperto se esconde em agosto
para que a morte passe ao largo...

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

ESTAMOS PASSANDO

Dizem que o tempo anda passando rápido,
que pouco antes de ontem o ano começara
e agora estamos entrando no mês de agosto.
Não sei se isso de fato acontece
ou é a gente que anda muito depressa.
Verdade que estamos na reta final
de mais um ano em nossas vidas,
vidas medidas por calendários,
tabelas criadas pelos viventes
com o objetivo de encaixe
na engrenagem do cotidiano
para que o homem não se perca
nos labirintos da existência.



terça-feira, 29 de julho de 2014

MARIO, IMORTAL, QUINTANA

Mario de Miranda Quintana, poeta gaúcho,
nasceu em 30 de julho de 1907 e faleceu
em 05 de maio de 1994.

A figura do Mario, para nós, que amamos a poesia
e tivemos a graça de compartilhar a mesma cidade, as mesmas ruas,
sempre pareceu aquele tio diferente, próximo, porque
cruzávamos com ele seguidamente, mas distante, porque
era um ídolo; mas por mais absurdo que pareça, Mario
foi o ícone da simplicidade.



Quando Mario Quintana trocou de roupa
ficava à distância do grupo de poetas
empertigados.
Parecia-lhe que não estava à altura
dos confrades.
Lembrava das vezes que concorrera
à Academia Brasileira de letras
e fora derrotado.
Um dia, Érato, a Musa da poesia lírica,
tranquilizou o poeta:
Mário, tua simplicidade te imortalizou!

segunda-feira, 28 de julho de 2014

O HOMEM INTELIGENTE

Refuto, com todo o respeito,
a tese do genial Ernest Hemingway:
" O homem inteligente é por vezes forçado
a embebedar-se para conseguir aguentar
os idiotas que cruzam por seu caminho"
Acho que o homem inteligente compreende
a diversidade do intelecto
e a capacidade assimilativa humana,
convivendo gradativamente com todos
sem elevar ou rebaixar o semelhante.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

EL NIÑO

A chuva que há alguns dias caia
no Nordeste e Norte do Brasil
está descendo aqui no sul.
Neste inverno sem inverno,
o sul fica com outra cara.
Nossas campinas vestidas de geada
nas manhãs de outros invernos
parecem agora estrangeiras.
Dizem os experts metereológicos
que estamos sob o império do El Niño,
menino sapeca, de infância torta,
que fica a brincar com as águas
das comportas climáticas.


segunda-feira, 21 de julho de 2014

VERSOS BRANCOS

Quando eu procurava nome
 para as coisas que mexiam comigo
buscava definição para os versos
que encontrava nas folhas impressas.
 Quando soube que o universo
das palavras mágicas
se chamava poesia
me deparei com Iracema
 a virgem dos lábios de mel,
 e ficava procurando as rimas em vão...
Quando me disseram que se tratava
de uma obra de prosa poética,
 eis o espanto...
também soube que havia no rol poético;
métrica, sílabas, rimas, sonetos,
redondilhas,  alexandrinhos,
versos brancos...
Enquanto leitor juvenil
punha em segundo plano
versos destituídos de rimas,
mas quando comecei a escrever
meus versos pobres,
aderi de imediato
 aos versos brancos.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

ANALOGIAS

Eu viajava na Quadrilha
do nosso imortal Drummond:
"João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim
que amava Lili que não amava ninguém.

Eu lia a biografia do casal Santre/Beauvoir:
Era Sarte que amava Simone que amava Bienfield
Era Simone que amava Sarte que deitava com Olga
que amava Bost que transava com Simone
Era Simone que amava Sorokine
que acasalava com Sartre.
Era Simone Era Sarte eram mulheres  no meio
eram homens na vida de Simone
para equilibrar a relação dos filósofos...

De repente liguei a tv para sair do rame-rame:
era Helena que amava Laerte
que não amava Luiza
que achava que amava alguém
Era Virgílio que entrava na história
para fechar o quadro do roteirista
Era Shirley que amava o passado
Era Kadu que amava Clara que amava Marina...
Mais alguém?


segunda-feira, 14 de julho de 2014

A ARTE DE PERDER

A festa acabou
de forma melancólica
para nós, brazucas.
Nenhum problema
fazer festa para convidados.
Acho que o povo alemão
agradece.
Problema foram as derrotas
acachapantes da última hora.
Procurei consolo no folclore,
nos adágios, nas teses,
nas frases explicativas,
mas nada convence-me.
Lembrei-me de Dino Sani,
 antigo jogador e treinador,
com suas pérolas:
"Futebol é uma caixinha de surpresas"
"No futebol se ganha, se empata, se perde"
Realmente se ganha, se empata e se ...
Mas a cruel verdade
é  que o futebol existe
para a perda de títulos,
haja vista dos dados estatísticos,
 para cada troféu conquistado
haverá várias taças perdidas
Em síntese, futebol é o esporte
das derrotas
e da esperança também,
uma vez assimilado o fracasso
aposta-se todas as fichas
na próxima competição.






sexta-feira, 11 de julho de 2014

CADÊ O INVERNO?

Ao meio do mês de julho
o dia amanheceu com o jeito
de um dia de setembro,
com uma temperatura mediana
atípica para o alto da estação,
o que me leva a perguntar,
cadê o inverno?
Aonde foram parar
os dias gelados de julho,
vestidos de geada e neve?
Tenho um amigo,
de natureza brincalhona,
que há dias vem dizendo:
calma, o inverno virá
quando entrar a primavera!

quarta-feira, 9 de julho de 2014

A CASA CAIU

Diz-se que o melhor da festa é esperar por ela.
Na verdade, muitas vezes, o antegozo da possibilidade
será o resíduo que se guardará com carinho,
 quando  o vendaval da realidade
destruir nossa casa de vidro.

Diz-se que nem sempre o sol brilha
- falava aquela velha canção dos anos 70 -,
também há dias em que a chuva cai.
Mas a chuva de gols que sofremos ontem à tarde
teve a força de um descomunal tsunami.

As ruas  estavam pintadas de verde-amarelo,
as crianças sonhavam com a taça,
mas bastou vinte minutos de peleja
para ruir nosso castelo de areia.




segunda-feira, 7 de julho de 2014

LEMBRANÇAS

Desde cedo, a variedade comportamental
faz-me dar trato à bola.
Outro dia remexendo no bau de memórias,
encontrei uma foto da primeira comunhão.
De pronto retroagi mentalmente àquele tempo,
aos episódios relacionados à catequese.
Vi as caras dos meus comparsas
e ouvi as arengas dos meus camaradas.
No filme que rodava no cérebro
ressurgiu o Serginho, menino bom, crédulo
e lacrimoso, por ocasião das falas relativas
a dicotomia do bem e do mal.
Revi o Jonas, um carinha tipo São Tomé,
descrente de tudo o que não via,
não cheirava e não tocava.
Avistei a Martinha, sempre tensa
durante as aulas preparatórias,
pois achava que a salvação
era uma meta impossível
em vista da tentação do pecado
por toda a parte.
E por fim o Chiquinho, ou a síntese do cinismo,
na exuberância do discurso:
para quê a preocupação com o inferno
se a gente pode fazer tudo o quê der na telha
desde que haja o arrependimento
ainda que no derradeiro minuto de vida?


quarta-feira, 2 de julho de 2014

VERGONHA DE SER

João parou de ouvir músicas da MPB,
Xaxado, Baião e Bossa Nova,
também deixou de assistir aos jogos
da seleção canarinha...
João sabe que a situação politica pátria vai mal
e  confunde alhos com bugalhos,
e começa a sentir vergonha de ser brasileiro.
João pensa com seus botões:
que bom seria se eu houvesse nascido argentino,
norte-americano, colombiano, paraguaio...
João passa o tempo carrancudo diante dos outros,
vive se policiando, com medo
de que seu rosto o traia e, num momento de descuido,
estampe a alegria de outrora...
Nos dias antecedentes à copa do mundo do Brasil,
João entra em crise desesperadora e fica matutando:
por que justo o primeiro jogo é o nosso?
João pensa em viajar para o exterior,
mas por falta de recursos decide torcer escondido
Na hora do jogo, João fecha as portas e as janelas da casa...
No instante do primeiro gol  do Brasil, passa alguém pela calçada
em frente  à casa e grita: ai Seu João, vibrando com o Brasil!
João, com o rosto vermelho, retira o som da tv,
mas continua assistindo, gesticulando, pulando, sorrindo...
Termina o jogo e João não consegue se conter
e sai a caminhar pela rua, ouvindo os rescaldos do jogo
no fone de ouvido do aparelho celular...
Quando algum conhecido pelo caminho lhe pergunta
se está ouvindo os comentários da partida,
de pronto, ele responde: estou curtindo Elvis Presley!


segunda-feira, 30 de junho de 2014

AS CARTAS DO BARALHO

Óbvio que o nosso sistema político
está  alicerçado num sistema carreirista
aonde os postulantes a uma fatia da torta,
quando contemplados com o benefício úrnico
procuram de todas as maneiras
a manutenção no ramo até a morte.

Apesar da aparente diversidade
dos segmentos partidários existentes,
reina duas correntes ideológicas
na essência da omelete brasileira
correntes compensatórias no jogo de interesses:
a situação sonhando com o poder perpétuo
e a oposição almejando virar situação
para permanecer eternamente no poder...

Então, quando os analistas de plantão
dizem para escolhermos bem nossos candidatos
esquecem de um detalhe elementar:
que em face do carteado tupiniquim
pouco importa apostar nesta ou naquela carta,
pois o baralho em questão é viciado.

terça-feira, 24 de junho de 2014

VAMOS LIMPAR NOSSA CALÇADA, NOSSA RUA, NOSSA CIDADE...

Vivendo num país onde onde poucos fazem sua parte;
país do jeitinho, país do dando  que se recebe, país
da lei de Gerson, país de "o mundo é dos espertos"
país, onde nós, brasileiros, gostamos de empurrar a
sujeira para debaixo do tapete e se o tapete for
do outro tanto melhor; pois, fiquei arrepiado, constrangido
e emocionado quando vi a imagem da torcida japonesa
juntado o lixo, produzido por ela, no estádio, após o jogo
da Copa...
E a história se repetiu no jogo seguinte do Japão, aqui no Brasil...
Meus amigos, vocês percebem a dimensão disso?
Por que não pomos vergonha na cara e não começamos agora a limpar a nossa sujeira?

Nós, povo periférico do mundo,
viciados nas águas do ocidente
até agora temos visto com reserva,
comedimento e parcimônia
os povos de olhinhos puxados...
Entretanto, parece que chegou a hora
de olharmos de frente a cultura oriental
É tempo de assimilarmos o exemplo
civilizatório e educativo japonês.
É tempo de recolhermos a sujeira diária
que deixamos à nossa volta...
é tempo de limpar nossa casa,
é tempo de limpar nossa calçada,
é tempo de limpar nossa rua.
é tempo de limpar nossa língua...

sexta-feira, 20 de junho de 2014

BEM-VINDO INVERNO

Acho que neste momento,o inverno está ancorado
na planície da Patagônia,
mas daqui a algumas horas
ele vai estar aqui, conosco,
com toda a honra e toda a pompa
que adquiriu nas convenções
e nos dissídios climatológicos
Ele virá montado no cavalo do tempo,
acompanhado pelo vento minuano,
trazendo o frio no alforge,
para governar os noventa dias
pertencentes ao seu reinado...


quarta-feira, 18 de junho de 2014

FALAM, FALAM, FALAM...

Assistir um jogo de futebol na televisão
se tornou um passatempo entediante
devido a adoção dos esquemas táticos
que privilegiam a força física
em detrimento do futebol arte,
 mas com o andar da carruagem
 o que era ruim ficou pior
quando incorporam às transmissões
narradores extremamente chatos,
porque falam pelos cotovelos,
como se estivessem transmitindo pelo rádio...
Nos anos sessenta,era gostoso assistir um jogo
transmitido pela tv em preto e branco...
a geração de imagem não era grande coisa,
mas o locutor deixava o telespectador em paz,
pois  falava somente o necessário.
Um dia surgiu um profissional diferenciado,
locutor que ditou a norma da falação.
Não demorou muito e a prática foi copiada
pela concorrência da locução esportiva
nos canais abertos e fechados.
Quando sentamos em frente à telinha
para olhar um jogo de futebol
precisamos desligar o som do aparelho
para não ouvir as bobagens ditas pelos falastrões...

segunda-feira, 16 de junho de 2014

PÉS PELAS MÃOS

Cadê as propaladas hospitalidade,
 cordialidade e civilidade brasileiras?
Aonde foram parar tais atributos?
Episódios cotidianos têm demonstrado,
que, em alguns quesitos, estamos ao sul
do processo civilizatório.
Hajam vistas as vaias e xingamentos
dirigidos à senhora presidente da república
e à direção da Fifa, por ocasião
da abertura da Copa.
Há tempo rasguei o título de eleitor
e não defendo nenhuma bandeira partidária,
porque percebo nosso sistema político
viciado e carreirista, um teorema sem solução
a curto e médio prazo,
mas abomino protestos mal-educados, irancundos,
badérnicos, extremistas, incivilizados...
Nos últimos meses antecedentes à Copa
surgiu muita gente  baixando o cacete no evento,
entretanto quando a parasita sediada na Suiça  anunciou
a realização do torneio no Brasil, houve festa popular
e o status quo daquele momento era o mesmo de agora,
ou seja, a mesma curriola partidário-política à testa do governo...
Protestos são componentes saudáveis à democracia
quando exercidos dentro dos limites civilizados,
mas pelo visto ainda necessitamos, antes de tudo,
avançar muito moralmente.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

A NOSSA MARCA

Era uma vez
uma estanha peleja
disputada com cabeças humanas...

Passaram séculos
quando os ingleses
normatizaram o Footbaal...

A bola de couro
disputada a pontapés
conduziu o esporte bretão
pelo mundo;
um esporte violento
assistido por plateias sisudas...

Era uma vez
um povo moreno
no sul da América,
que incorporou a
a dança e a ginga
ao esporte europeu...

Era uma vez
Pelé, Mané, Didi;
era o bailado do corpo,
era adeus às carrancas,
era o sorriso na platéia...

Era uma vez
Pelé, Vavá,  Gerson, Tostão;
era Pelé, Jairzinho, Zico, Falcão;
era Pelé, Rivelino, Sócrates, Romário;
era Pelé, Capita, Bebeto e Ronaldo...´
São tantos, tantos brazucas boleiros...
talvez nem melhores nem piores
(Exceto  a majestade: Pelé)
que os craques consagrados
de outros países,
mas são diferentes,
porque trazem a alegria nos pés





segunda-feira, 9 de junho de 2014

AS CRIANÇAS, AH, AS CRIANÇAS...

Muitas vezes,
as crianças nos despertam
dos nossos pensamentos miúdos
e somos compelidos a refletir
sobre possibilidades mais amplas
que a comodidade das aparências...

Outro dia eu falava:
pena que hoje não tem sol
por causa dessa chuva que cai
e vai continuar caíndo,
sabe-se lá por quantos dias...

Um menino de dez anos,
que ouvia meu desabafo
cutucou-me desse jeito:
tio, hoje não tu vês a claridade do sol
por causa da nebulosidade,
mas ele  brilha sem parar
por cima das nuvens da chuva...

quinta-feira, 5 de junho de 2014

O TEMPO

Minha relação com o tempo
tem-se se alternado no percurso
desta minha quase longa
caminhada nesta existência.

Lembro-me de que lá atrás,
na época do faz-de-conta,
pensava que o meu tempo
era de magnitude infinita

Entretanto, de repente, o espanto:
pessoas à minha volta morriam.
Então, nada era para sempre,
havia uma espada aparando o tempo.

Bem mais tarde conclui,
que o tempo era uma metáfora;
um artifício criado pelo homem
para medir nosso deslocamento no espaço.

Hoje já não sei se o tempo
é manipulação, fantasia,ficção
ou uma curva retilínea se deslocando
entre a imaginação e o porvir...


segunda-feira, 2 de junho de 2014

O TURISTA

Já vi gente
portando desenhos
de Jimi Hendrix,
Marilyn Monroe,
Raul Seixas,
Jesus Cristo,
Buda,
Krischna,
Alex Crowley,
Rasputin;
famosos, santos, folclóricos...
Também vi desenhos
de Dragões,
Jaguares,
Pumas,
Cobras,
Cactos;
motivos ecológicos...
Mas a figura que vi ontem
com um turista que chegou
aqui para ver a Copa
chamou-me a atenção.
Ainda não havia visto ninguém
 conduzindo uma árvore.
Era uma frondosa árvore
contendo no centro
um ninho de palha
de onde levantava voo
uma pombinha branca...
O rapaz fazia força para disfarçar
o frio que sentia
em virtude do clima da tarde
mas necessitava estar seminu
para mostrar a árvore
tatuada às costas...

quarta-feira, 28 de maio de 2014

O PAPELEIRO

Por uma rua
do quarto distrito
que eu transitava
todo santo dia,
na década passada,
cruzava um papeleiro,
e seus três cachorros,
conduzindo a informalidade
na direção do depósito
de recicláveis.
O homem aparentava
um ar de contentamento
que eu não percebia
nas outras pessoas,
profissionais estruturados
na gradação do trabalho.
Um dia, de repente,
ao atravessar um terreno baldio
me deparei com um casinha  de lata
e lá estava o papeleiro
conversando com seus três amigos...
Ontem à tarde, caminhava
tomando meu chimarrão,
abstraído do mundo,
perambulando a esmo,
despertei com um som singelo
vinda da casinha de lata.
 O papeleiro tocava
uma gaita de boca
para seus cachorros
e seus gatos...



segunda-feira, 26 de maio de 2014

DIFÍCIL DILEMA

Outro dia, li
em algum lugar
um artigo
onde o autor
baixava o cacete
nos textos precários
postados nas redes sociais
sob a justificativa de
que erros gramaticais
e gráficos
não podem ser admitidos
na comunicação escrita.
Certo. Erros não são admitidos
na escrita oficial,
entretanto, perseguir indivíduos
portadores de dificuldades expressivas
por suas manifestações informais,
parece-me exagero e perseguição,
sobretudo, num país terceiro-mundista
onde a  organização governamental
trata da educação com desleixo.
Erramos todos,
mesmo quem tem um pouquinho mais de luz
até porque se fôssemos sábios
não estaríamos aqui,
mas em outro planeta
mais adiantado.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

VELHOS POEMAS

Muitas vezes surge-me a sensação
de que não há mais nada a dizer
por que toda a poesia já foi dita
Parece que os versos que eu escrevo
são cópias de antigos  poemas;
plágios dos poetas que  partiram...
Mesmo assim a teimosia me impele
a derramar garatujas pelas páginas
que encontro pela estrada à revelia...

quarta-feira, 21 de maio de 2014

O MAL ESTÁ DENTRO DO HOMEM

Um grande filósofo
do século vinte
disse, que o homem
ainda conduz nas entranhas
o desejo de matar alguém.

A necessidade atávica,
de salvar a pele
e defender a prole,
oriunda das cavernas
não foi sublimada.

Não era por nada,
que Cristo, conhecedor
da psique humana
dizia com autoridade:
trago o caminho da luz,
porém vós que não sois virtuosos
sedes, pelos menos, bons!
Mas ainda estamos distante da bondade,
entretanto discernimos
o bem, o mal, o bom e o ruim,
daí a pergunta necessária:
por que ainda somos maus?


segunda-feira, 19 de maio de 2014

PAGANDO BEM QUE MAL TEM?

O vício que escapa do imposto
entra no rol dos comportamentos mal vistos.
Já o vício regulado, socializado, tarifado
adquire o status de coisa chique.
É o vício permitido respingando
a janela nobre da telinha;
 comerciais midiáticos à Hollywood
patrocinados pelos barris de cerveja
deixam no ar a indutiva - quase certeza -
de que o líquido amarelo não vicia
se bebido com moderação.
A mensagem transmitida no aparato
conduz o incauto à impressão
de que o resultado da beberança
produz, no fundo, o efeito
de um copo de suco de fruta.



quarta-feira, 14 de maio de 2014

JUSTIÇA (?) PELAS MÃOS

A busca da justiça
pelas próprias mãos
não é uma boa ideia
e nunca será solução
para as  contendas humanas
sobretudo por consequência
da fabilidade do nosso juizo,
já que não somos perfeitos.
Quanto mais não seja
quando o sentimento instantâneo
retira o suporte da razão.
Haja vista o crime macabro
praticado pela turba ensandecida
agora há poucos  dias
no estado de São Paulo
quando uma pacata senhora
confundida por um retrato
mal falado
foi trucidada em alto grau de covardia.


segunda-feira, 12 de maio de 2014

LEMBRANÇAS DO REALISMO MÁGICO



Sara, menina adolescente
continua mamando nas tetas da mãe.
Essa jovem de 14 anos já deu a luz
e é mãe de Ana, menina de quase um ano.
Sara nunca teve leite e por consequência Ana
mama nas tetas da  Avó, Eva, mãe de Sara.
Ultimamente, as jovens mães secas da rua de Sara
fazem fila, com seus bebê ao colo, à porta de Eva.


quarta-feira, 7 de maio de 2014

NOTICIA DE JORNAL

Aconteceu em Passo Fundo, em janeiro deste ano.


Após diversas invasões
da dupla de larápios
à casa paroquial
o Sacerdote decidiu
adicionar à reza
uma dose de ação laica.
Comprou uma arma,
a registrou
e ficou na defensiva.
Não demorou muito,
 os gatunos voltaram
convictos de sucesso,
entretanto desta feita
o tiro saiu pela culatra,
por que o Reverendo sacou
o berro da batina
e mandou fogo na bunda
dos meliantes.
Passado o alvoroço
causado pela gritaria
dos ladrões em fuga,
o padre explicava à policia,
que nunca aparecera antes:
eu não queria matar ninguém,
mas apenas enxotar esses vadios,
inclusive benzi a munição
antes de usá-la!

segunda-feira, 5 de maio de 2014

OS NEGÓCIOS DA CHINA

Um velho amigo
contou- me, que
em viagem pela Ásia,
foi comprar tenis
numa loja em Hong Kong
e pediu três pares
de marcas distintas,
mas para espanto dele
os calçados eram iguais,
porém as logomarcas
das grifes solicitadas
foram coladas na hora,
pelo vendedor do estabelecimento.

Eu, consumidor de produtos nacionais,
 surpreendi-me no último final do ano, com a tarja
afixada em alguns produtos adquiridos:
a calça, a camisa e o chapéu
traziam escrito em letra miudinha
na etiqueta interna:
artefato brasileiro produzido na China

Depois disso fiquei pensando comigo,
de repente, talvez, no futuro próximo
os bebês brasileiros sejam produzidos na China!





sexta-feira, 2 de maio de 2014

HORA DO RANGO

Os comensais se refocilavam no repasto
às mesas, sob à sombra das árvores,
na churrascaria Barranco, ali na subida
da Avenida Protásio Alves.
Enquanto isso, outros, menos aquinhoados,
cutucavam os galhos centenários
das árvores do Parque Farroupilha
na esperança de que  alguns frutos
aterrissassem em suas bocas.
Ali mais abaixo, andrajosos,
residentes do Centro Histórico
levantavam as tampas dos containeres de lixo
à procura do almoço de domingo.
O repórter jornalista que fazia a matéria
sobre a diversidade contingencial-alimentar
ao concluir o trabalho, disse, meio sem graça:
é a vida que segue...


terça-feira, 29 de abril de 2014

LEMBRANÇAS POÉTICAS

Remexendo outro dia
no bau de recuerdos,
encontrei algumas cartas
dos meus dias juvenis.
Marcas de uma época
anterior à aldeia global,
quando o serviço do correio
e o telefone de disco
eram pontes entre as criaturas.
Reencontrei-me com alguns vocábulos
perdidos no esconderijo da memória
- gíria amiga dos anos sessenta -,
mas latentes na lembrança do poeta,
que me reconectaram ao túnel do tempo.

domingo, 27 de abril de 2014

SERÁ QUE EU ESTOU ENLOUQUECENDO?

A leitura jornalística dos últimos anos
tem feito eu lembrar da imortal Elis
parodiando uma música que ela cantava.
Meus queridos amigos hão de perguntar,
qual o nexo entre a notícia e a partitura?
É que o nosso cérebro possui o hábito,
lógico ou não, de associar ideias;
no caso aqui exposto, palavra.
e a palavra, combustível da escrita,
leva o poeta a rabiscar no papel,
muitas vezes, elementos significantes
para ele próprio, outras vezes,
para o círculo de afinidades.
Mas, enfim, vamos ao fato:
por mais disparatado que pareça,
fico imaginando a Pimentinha cantar assim:
uma maracutaia pra lá, outra maracutaia pra cá;
duas maracutaias pra lá, duas maracutaias pra cá;
mil maracutaias pra lá, mil maracutaias pra cá,
milhares de maracutaias ....
maracutaias que não acabam mais, meu Deus!

quinta-feira, 24 de abril de 2014

CHIMARRÃO

Hoje, vinte e quatro de abril
é o dia do chimarrão,
nossa doce bebida amarga.

Legado dos povos indígenas,
oriundos do extremo sul da America,
presente no nosso cotidiano.

O mate é sorvido  na Argentina, no Uruguai,
Paraguai, e em outras querências...,
mas aqui no Rio Grande virou paixão.

Do porongo rústico à cuia,
do canudo de taquara à bomba,
o chimarrão não parou no tempo.

Para comemorar (bebemorar) a data
nada melhor que uma mateada
no estilo roda de chimarrão.


terça-feira, 22 de abril de 2014

INFORMALIDADE

Lá pelo meio do século passado
os vendedores ambulantes
anunciavam na Rua da Praia:
vendo Óleo de Peixe Boi,
Extrato do Ipê da Amazônia,
pomada milagrosa tira dor,
bilhete da Loteria estadual,
assinatura da Revista Cruzeiro
e manual de como enriquecer sem fazer força...
Naquela época, na praça XV,
em torno do Mercado Público,
havia o tradicional Lambe-lambe,
o retrato em preto e branco,
três por quatro, tirado na hora
- fotos para o primeiro emprego...
As novas tecnologias varreram
hábitos e costumes antigos,
mas os ambulantes ainda estão
no Centro Histórico e agora apregoam
outros produtos:
temos  o comprimido azul importado do Paraguai,
vendemos óculos de grau por cinquenta reais,
fornecemos recibos de contra cheques
assinalados no valor que o freguês desejar
e atestados médicos de 14 dias...

sábado, 19 de abril de 2014

A SOLIDÃO GLOBAL

A aldeia global
produziu o indivíduo moderno ,
um elemento numérico
da engrenagem digital

A aldeia global
democratizou as relações
do homem sem rosto
através da rede virtual

A aldeia global
eliminou as fronteiras,
mas enjaulou a criatura
na solidão existencial

terça-feira, 15 de abril de 2014

PARA E OLHE

Li outro dia, em algum lugar,
o depoimento de uma menina
dizendo que vivia a correr
o dia inteiro, todos os dias,
mas nunca lhe sobrava tempo
nem mesmo um tempinho qualquer
de olhar para o próprio tempo...

Por vezes, quase desconfiava,
que corria sem um objetivo sustentável...
Que praticamente nada no mundo
mudaria para o bem ou para o mal
em virtude de suas correrias esbaforidas,
porém, justificava-se: é necessário correr,
a vida é muito curta...

Mas um dia deixou cair a guarda
e por breves momentos de distração
viu, emocionada,  uma borboleta diferente
de todas as borboletas
que já vira em sua vida.
Na verdade era uma borboleta
igual a tantas outras borboletas,
mas uma novidade para ela,
que não tinha tempo de ver as coisas,
que existem para ser vistas...




quinta-feira, 10 de abril de 2014

O DEDO DO HOMEM

Eu tinha uns dez anos
quando o pároco
pôs-me a correr
esbaforido da capela,
no dia em que adicionou
as labaredas do inferno
ao sermão dominical.

Anos após o susto,
frequentei templos
de várias seitas,
mas a figura do demo
permanecia inserida
nas prédicas diárias.

Então, por toda a parte
exala o ranço dogmático
da política imperialista
que tem distorcido
a pureza do cristianismo.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

O PARAÍSO PODE ESTAR AQUI

Quando o arco-íris rasgava as nuvens,
meu avô, em estado de graça, gritava;
menino, não perca tempo, venha ver:
os anjos estão espiando a gente!
Eu, extasiado, balbuciava perguntando:
- Vovô, os anjos não vivem no paraíso?
- guri, os anjos estarão onde o nosso coração estiver!

quarta-feira, 2 de abril de 2014

OUTONO, DE LEVE.

A folhinha do calendário
conduziu o verão
para fora do mapa,
mas a temperatura
permanece elevada.
Veio o mês de abril
e tudo continua igual.
Parece que o outono
anda preferindo
o turno da noite
por que depois que o sol
cruza o paralelo trinta e oito
o clima tem ficado,
por algumas horas,
mais ameno por aqui.

segunda-feira, 31 de março de 2014

31 DE MARÇO 1964

Eu adolescia
quando a bomba explodiu
em março de sessenta e quatro:
caiu o governo de Jango
e uma junta militar assume
a presidência da república.

Existem coisas que o tempo não apaga.
Passados cinquenta anos
ainda vejo tal qual fosse agora
a tristeza indescritível
estampada no rosto do meu pai.

terça-feira, 25 de março de 2014

26 DE MARÇO, ANIVERSÁRIO DE PORTO ALEGRE

Na manhã do último domingo
eu tomava meu chimarrão,
andando ali pela beira do rio
na direção do Parque Marinha,
local onde História ensina que nasceu
a aniversariante do mês, esta jovem menina
de duzentos e quarenta e dois anos...

Enquanto meus pés tocavam
o chão sagrado da memória,
sorvia o elixir Ilex Paraguariensis
e conjecturava com meus botões:
Será que passava pelas cabeças
daqueles sessenta casais lusitanos
acampados aqui, naquele dia distante,
 encravado no século dezoito,
que estavam lançando a Pedra de Fundação
de uma metrópole?



quarta-feira, 19 de março de 2014

AINDA É POSSÍVEL SONHAR

Ainda há dias
em que as nuvens
parecem poemas
escritos em algodão
e o tempo pára,
e os anjos descem
e falam com a gente.

segunda-feira, 17 de março de 2014

É SEGUNDA-FEIRA E CHOVE

Hoje acordei com as notas musicais
entrelaçadas a melodia produzida
pela chuva de fim verão
e pensei comigo:
parece "Águas de Março"
Sim, ouço Antonio Brasileiro
dedilhando o piano, acompanhado
de Pinxinguinha ao sax,
 Altamiro Carrilho na flauta,
Vinicius no violão...
e ao fundo as vozes
de Elis Regina, Agostinho dos Santos,
Emílio Santiago...

Agora são dez horas da manhã
de um dezessete de março,
uma segunda-feira chuvosa,
mas isso não tem a menor importância...

sexta-feira, 14 de março de 2014

SERÁ

Durante muito tempo
fui refém
do sentimento de inutilidade
quando olhava para trás
e lamentava aquilo que não foi.

Ó sabedoria, ensina minha alma,
aquieta meu coração
e tranquiliza meu espírito
pelos (des)caminhos da existência
porque o que for para ser, será.

segunda-feira, 10 de março de 2014

ESTADO DE ESPÍRITO

Não critiques aquele,
que na segunda-feira
vai cantando
para o trabalho. 

Tu podes 
estar equivocado
 na presunção 
do teu julgamento

Porque somos mestres
na avaliação preconcebida
daquilo que mal captamos
no mundo das aparências.

Talvez, o indivíduo que adiciona
entusiasmo à rotina,
haja descoberto
a razão de estar aqui.




sexta-feira, 7 de março de 2014

SER

Não anseio Ter.
Satisfaz-me Ser.
Não gabo-me: Tenho.
Agradeço: Sou.

quarta-feira, 5 de março de 2014

É ANO NOVO, MINHA GENTE!

O ano começou finalmente.
Também já era tempo.
Digo o ano mercantil,
que começa após o carnaval.
Bem, bem após o carnaval, não,
porque a quarta-feira de cinzas
é destinada ao descanso
em consequência do cansaço
decorrente do desfrute do feriadão.
Então, na quinta-feira , novamente,
o gigante adormecido despertará
como quem acorda de um porre
e esfregando os olhos, e olhando para o céu,
há de perguntar: onde estou?

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

O ACASO

Se tu atribuis
ou já atribuíste
ao poder do acaso
a causa de ocorrências
aparentemente fortuitas,
esteja certo de que não és
o único.

Quantas vezes, diante
de situações novas à priori,
tiveste a sensação de já as te-las vivenciado,
entretanto, ao mesmo tempo,
carregas a razoável certeza
de que o evento se processa
em virtude de "equívocos dos sentidos"

Então,  é o nosso jeito cômodo
de agir cotidianamente,
transferindo para o aleatório,
a lógica das leis naturais,
porque ainda não conhecemos
os mecanismos do processo.



sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

NAQUELE TEMPO

Naqueles dias, quando fazia tempo bom,
meu pai sentava, nos finais de tarde,
na sua cadeira predileta, junto ao alpendre
e lia Miguel de Cervantes em voz alta.
Nosso quintal se transformava no palco
das desventuras de Dom Quixote.
Dava-me aflição a sorte de Sancho Pança
e pensava comigo naqueles momentos,
que sina triste ser o fiel escudeiro
do destino do anti-herói de La Mancha!

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

A IDEOLOGIA DO CORPO

A filosofia da paz e do amor
e de um mundo solidário
ficou soterrada na memória
dos anos sessenta e setenta.

As ideologias caducaram
e restou o culto ao corpo.
Na era da apologia ao corpo sarado,
parece que não importa ter cérebro.
Paira no ar a discriminação subjetiva,
excludente dos que estão fora da norma,
enquanto a caravana dos sectários
retira a poeira da estátua de Apolo.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

HOJE, NA HORA NA CHUVA, OUVI A VOZ DO MEU AVÔ

A face do meu avô resplandecia
naquele tempo de dias chuvosos.
Ele falava que a mente expandia
à medida que as gotas translúcidas
se desprendiam das nuvens gordas
e limpavam a atmosfera conspurcada
pelos pensamentos poluídos dos homens...

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

CONSEQUÊNCIAS

O direito de greve é justo.
O direito inserido na ordem
conforme ditames legais.
Greves no setor de prestação de serviços
são regulamentados pela constituição.
Isto posto narremos o abuso.
Trabalhadores do transporte coletivo de Porto Alegre
regem um movimento paredista, há uma semana,
ao arrepio da lei, a qual estabelece
para o caso específico, uma cota mínima
de trinta por cento da frota em circulação,
entretanto, a categoria cruzou os braços e entrou em férias...
Não podemos esquecer que o direito de um indivíduo
não pode esmagar o direito de outrém.
A greve integral no setor de transporte coletivo
vai de encontro ao direito individual mínimo:
o direito básico  de ir e vir.
Nós, usuários, estamos de mãos amarradas,
sitiados, impotentes.
Nosso direito primário e intransferível  foi sequestrado pela desobediência civil...


sábado, 1 de fevereiro de 2014

VALEU, GRACITA


Querida amiga  Gracita, obrigado pelo presente, recebido com muito carinho e respeito.







Desejo-te um fim de semana iluminado.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

MATAR, JAMAIS!

Meus irmãos terráqueos,
prosseguiremos até quando
exterminando nossas companheiras?

Nesta guerra unilateral,
estamos matando mulheres
como se matássemos moscas!

Mulheres da Era Cibernética
merecem melhor sina,
entretanto, muitas consortes
sofrem mais que as mulheres de Atenas.

Esposas, namoradas, amantes
dividem a cama com o bandido
na esperança de que a omissão
prolongue a reles existência.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

É


Meus medos aos vinte anos eram:
ficar velho,
perder os cabelos,
perder os dentes,
usar óculos,
também tinha medo
de andar na rua
e ser preso pelos milicos da revolução
e tinha medo de que a ditadura não acabasse,
e nunca pudesse votar para prefeito,
governador, presidente...

Quado fiz trinta anos,
tinha medo do meu medo.

Aos quarenta anos,
tinha medo de que a liberdade
fosse uma miragem.

Aos cinquenta anos,
tinha medo de que minha passagem por aqui
fosse inútil.

Agora, aos sessenta e poucos,
tenho medo de andar na rua,
porque nossas ruas se tornaram
locais de alto risco de vida
e tenho medo de votar para governador,
vereador, deputado, prefeito,
senador, presidente,
pois mesmo que meus candidatos
sejam pessoas determinadas,
coesas e honestas,
acabarão de mãos atadas
em meio ao sistema corrompido.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

QUE CALOR, TCHÊ!

Nos últimos dias, temos sofrido os efeitos
da super canícula tropical,
apesar de estarmos localizados
numa da três capitais brasileiras mais frias
durante a estação civilizada.
E não importa por onde se ande,
de dia ou à noite, o calor anda atrás da gente.

E para agravar a situação super quente,
os equipamentos de ar condicionado,
 insatisfeitos com as condições adversas,
 prometem entrar na Justiça do Trabalho
em ação reclamatória conjunta
contra os patrões que os obrigam
ao trabalho em sessão full time.

Como já não chove há vários dias
tudo fica seco, poirento e quente...
Parece que o calor senegalesco
afetou os neurônios das nuvens
e elas esqueceram de mandar
descer chuva na terra.

Já tem gente imaginando
que o calor atípico vai alterar
o sistema psicológico da noite
e ela descontrolada, de repente,
tomará o rumo de Marte...




terça-feira, 21 de janeiro de 2014

COPA E ELEIÇÃO

Em ano de copa
do mundo,
muitos temas
ficarão fora
da pauta.
Diversos assuntos
relevantes
não serão discutidos,
entretanto,
também é ano de pleito,
de caça ao voto
do eleitor distraído...
Mas de que adianta
estar atento,
de olho no movimento
do tabuleiro político,
se as peças do jogo
são cartas marcadas
de um sistema viciado
que se alimenta de frases de efeito
e da troca de favores
entre os comparsas do Congresso?

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

PRECISAMOS CRESCER, CRESCER, CRESCER...

Somos campões na arte de reivindicar direitos
para o nosso próprio desfrute.
Entretanto resistimos à obediência
do direito líquido e certo de terceiros.

Almejamos todas as vantagens do mundo
para a fruição do nosso deleite.
Se nosso semelhante não tem acesso
isso não é problema nosso.

Eximimo-nos quase sempre  da tutela
dos eventos recorrentes à nossa volta,
independente de toda circunstância
responsabilizamos sempre os governantes.

Propalamos, orgulhosos, a toda gente
nosso caráter retilíneo, uniforme, circunspecto.
Elucidamos com pavonice nossa religiosidade:
arautos da palavra jogada ao vento...
Nossa moral de consumo  embalada em papel celofane,
escamoteada no foro das vaidades...

Justificamos nossas omissões quando chamados à solidariedade,
gritamos que nos falta essencialmente tempo,
que estamos sobrecarregados por tarefas inadiáveis.
Mentimos que gostaríamos imensamente de ajudar os necessitados,
mas não sabemos como e nem por onde começar
como se a oportunidade não batesse à nossa porta
todo o dia, a todo o instante, a toda hora...


sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

CALOR, CALOR, CALOR...

Eu que amo o clima ameno do inverno
- principalmente quando cai alguma neve -,
os dias nublados e chuvosos
e a aragem gostosa do minuano,
ando sufocado neste verão
de temperatura na casa dos quarenta graus...
Parece que o sol vai descer na terra
para  assar a pele da gente...
Os dias ultimamente andam tão quentes
que estou reciclando alguns hábitos,
até tenho trocado o velho chimarrão
por uma generosa taça de sorvete.

domingo, 5 de janeiro de 2014

ANO DE COPA

Nasci no ano do Maracanasso,
quando o Uruguai humilhou nosso escrete,
levando o título da nossa Copa do Mundo.
Em 1958, ano do nosso primeiro título mundial,
minha visão do futebol ainda era confusa,
 mas gravei alguns nomes mágicos;
Pelé, Garrincha, Didi, Vavá, Zagalo...
No bicampeonato do Chile eu vibrei
com alguns daqueles mágicos que ainda estavam na  seleção,
exceto Pelé que se quebrou no meio da copa
e não disputou a partida final.
Em 1966, Inglaterra, eu chorei com nosso despenho;
nossa pior campanhas nas copas
Mas em 1970, veio a redenção,.
foi o Brasil Show! Trilegal!
Futebol arte: balet sincronizado na condução da bola,
como nunca mais se viu, por  bailarinos maravilhosos
(Felix, Carlos Alberto, Brito, Piazza, Everaldo. Clodoaldo, Gerson, Pelé, Rivelino, Jairzinho e
Tostão)
Depois vieram as laranjas mecânicas, os chucrutes
la mano de dios, o futebol pulmão...
Ganhamos mais duas copas, jogando feio.
Agora, 64 anos após o Maracanasso, somos anfitriões outra vez,
mas parece que não temos nada para mostrar  ao mundo...
Felipão, pede para os meninos jogarem bonito!

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

TUDO PASSA

Fomos a passagem de mais um ano findo.
Somos a esperança do ano que nasce.
Seremos o percurso de mais um ano que passará.
Somos a trajetória de um sopro projetado na noite da criação.
Somos as reminiscências do vento soprado nos dias sombrios da existência.
Somos o efeito da contagem do tempo refletida na nossa pele.
Somos a medida do tempo para consumo doméstico.
Somos o botão de controle daquilo que é incontrolável.
Somos o reflexo do que amamos e perdemos pelas curvas do caminho.
Somos o conjunto dos átomos transitórios que compõem a essência das estrelas.
Somos peregrinos galáticos, estagiando no planeta, a caminho da eternidade.