sexta-feira, 27 de setembro de 2013

PRIMAVERA

Eu amo o inverno, o frio
e as circunstâncias adjacentes.
Lá pelo meio do outono
minha alma espera ansiosa
a visita das temperaturas baixas,
mas meu sentimento cósmico
pela estação do minuano
não veda aos meus olhos
os encantos primaveris.

Primavera, tu és védica,
idilíca, mística, feminina...
tu reges a sinfonia mágica
do aroma, da luz, das cores...
Primavera tu és mulher...

domingo, 22 de setembro de 2013

AS CRIANÇAS SÍRIAS

As crianças sírias foram assassinadas
pelo gás das armas químicas.
Enquanto os indivíduos sensíveis
lametam esses episódios bárbaros
a cúpula da política internacional
se reune para nomear os culpados,
que certamente não aparecerão,
porque já virou lugar comum
repassar a autoria de crimes insanos
para o outro, para aquele, para os outros...
Provavelmente mais crianças irão morrer,
porque o síndico do mundo
quer a autorização do congresso
para invadir a Síria...


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

ÓDIO

Acompanhamos com a alma partida
os eventos dos últimos dias
ocorridos na Síria.
Infelizmente, o homem ainda carrega
arraigada em suas entranhas
quantidade letal de maldade.
Dirão os analistas da notícia:
são os desdobramentos do poder,
da política, dos interesses internacionais...
Entretanto, no cerne da questão
reside o elemento desencadeador das contendas,
que precisa ser extirpado,
o ÓDIO.
Enquanto o homem alimentar esta praga
não haverá paz no mundo.
Pensem nisso!

terça-feira, 17 de setembro de 2013

? ! ?

Naquela manhã chuvosa,
sob o abrigo de uma marquise,
o simplório perguntou àquele filósofo,
ateu convicto de longa data:
meu sábio, acho que o Senhor não professa
nenhuma doutrina religiosa
- Graças a Deus não creio nele
- Nele quem, iluminado mestre?
- Naquele que vocês, sonhadores,
chamam de arquiqueto do mundo
- Mas homem sábio, diga-me
quem criou tudo o que existe?
- Ó homem de escassos conhecimentos,
não sabes que o mundo surgiu por acaso?
- ..................................................
- ..................................................

À medida que a manhã avançava,
a chuva ia ficando mais forte,
 o céu ganhava nuvens tormentosas,
o professor começava a gaguejar,
pois  tinha medo de raios,
- muito medo para dizer a verdade -
As questões do homem iletrado
iam ficando sem respostas...
De repente, o sábio muito assustado
debaixo dos coriscos do temporal
implora ao homem hulmilde:
por favor, reze para Deus!




terça-feira, 10 de setembro de 2013

A PROCURA

Hoje, passei a manhã inteira
caminhando inquieto pela urbe
procurando algum motivo oculto
para ingressar na corrente da vaidade.

À porta da uma livraria de um shopping
ao ver exposto um livro de poemas
estiquei a mão para tocá-lo,
entretanto, na metade do caminho
o cérebro abortou o desejo de abri-lo,
porque a capa do livro era cinza.

À medida que perambulava desconfiado
pelas galerias do Centro Histórico
via as coisas deslocadas de eixo,
tudo tão descartável, insosso, estilizado,
material, pós-moderno...
ou quem sabe estou vendo o novo
com  minha lupa de velho?

À tarde, quando as pernas conduziam
o corpo vagaroso ao ponto de partida
a vista entregue ao pessimismo foi premiada
pela sublime esperança do arco-íris
ao contemplar uma criança de colo
junto ao regaço da mãe,
sorrindo para o nada...

sábado, 7 de setembro de 2013

Afonso e Roberta
trocam figurinhas
 pelas redes sociais, há anos.
Eles se conheceram no Emeesseene.
Naquele tempo, cumpriam as obrigações pessoais,
voltavam correndo às suas casas,
sentavam atrás dos pcs e se conectavam...
O tempo passa,
surge o Orkut
e a mobilidade do Notbook
e eles babam, trocando scraps...
Agora, ele vivem plugados
através do sistema Android.
Possuem a pretensão de saber tudo do outro,
mas ainda não tiveram um tete-a-tete...
Ontem pela manhã,
sentada na poltrona dupla
do táxi lotação, indo do sentido zona sul
para o centro histórico,
Roberta digita no face:
Afô, tá muito frio aqui em Poa;
fazendo dois graus centígrados de temperatura.
Ele responde: aqui em São Paulo também faz dois graus.
Afô, o sul é gelado no inverno.
Rô, São Paulo, vez que outra, também gela.
Afô, aqui está chovendo
Rô, aqui também chove.
Afô, aqui parece noite.
Roberta olha para o rapaz sentado ao seu lado
e vê o cara escrevendo na tela do tablet:
Rô, aqui na Marginal do Tiête também parece noite...


terça-feira, 3 de setembro de 2013

MARTINS O LIVREIRO

Há algum tempo
que eu não caminhava
pela Riachuelo,
rua das minhas lembranças.

Riachuelo antiga,
tradiocional point
dos velhos sebos,
arquétipos sagrados
dos amantes da leitura.

Ontem à tarde,
enquanto eu andava
pela calçada direita,
no sentido da Biblioteca Pública,
meu espírito retrocedeu ao tempo
dos meus quinze anos,
e eu me vi folheando novamente
as páginas amareladas
de Victor Hugo, Balzac,
Eça de Queiróz, Machado de Assis...
Em estado sonambúlico,
entrei na Martins o Livreiro,
mas não encontrei Machado
nem Eça nem Balzac...
Em meio a um que outro
clássico do meu tempo,
vi muito alfarrabio de auto ajuda,
bíblias de informática,
compêndios de jardinagem...
Também não avistei o velho Martins.
Talvez haja morrido...
Aliás, a casa agora pertence
a outro mecenas...


domingo, 1 de setembro de 2013

O FIM DO INVERNO

Com uma sensação dorida,
estou guardando as tralhas,
que me aqueceram nestes dias
de temperaturas baixas, aqui nos sul.

Curto as últimas situações
proporcionadas pelo clima
desta quase página virada,
pois setembro está chegando.

A estação da primavera é linda
com a natureza pintada de cores
e uma explosão de vida no ar,
mas este velho rabujento ama o inverno.