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domingo, 15 de abril de 2018

NAQUELE TEMPO

Naquele tempo
bebia a solidão quase absoluta
acoplada à quietude harmônica da natureza.
De permeio, aspirava algo que quebrasse
o veio tedioso da tranquilidade;
talvez uma pedra lançada na calmaria do lago
ou a réstia de vento a debulhar o campo de trigo.

Naquelas manhãs pretéritas
banhava o corpo nas gotas desprendidas,
da cauda do arco-íris,
navegava nos fluidos das essências antigas,
integrado à sabedoria da unidade,
 mas quando ousei, num passe de mágica,
agir sobre a face de gaia;
nomeando, adicionando e dividindo,
me perdi nas trilhas bifurcadas do eu.

Certamente, dentre as coisas
que desesperam o homem,
talvez a mais exasperante, seja
absorver o cotidiano embebido de paz,
tanto, que cedo ou tarde,
lá vai ele, criatura inquieta,
à procura  de guerra,
e na falta de inimigos,
briga consigo próprio.

9 comentários:

  1. Bom dia. Mais um poema doce, maravilhoso, brilhante.
    .
    * Saudade! Do quê? De quem? Não sei, confesso *
    .
    Uma semana feliz.

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  2. Boa tarde amigo!
    Excelente poema! Amei. :)!

    Beijo e um excelente semana

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  3. Pois está mais do que claro,
    já não é como foi outro tempo
    penso que atirar pedras no logo
    não conseguem estancar o vento!

    Mas, poderão perturbar,
    das rãs a tranquilidade
    que lá vivem sem causar
    à natureza instabilidade!

    Tenha uma boa tarde caro amigo poeta Dilmar.
    Um abraço.

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  4. OI DILMAR!
    MUITO BONITO TEU POEMA, AMIGO.
    ABRÇS
    http://zilanicelia.blogspot.com.br/

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  5. Bom dia. Publicação fantástica:))

    Hoje:- {Poetizando e Encantando} Se chegares, amar-me-ás eternamente.

    Bjos
    Votos de uma Óptima Terça-Feira.

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  6. Olá!
    Brigar consigo mesmo pode ser, talvez, um bom sinal pois mostra uma pessoa inquiieta e inconformada com esquemas desmotivadores de viver com qualidade de vida.
    Seja muito feliz e abençoado junto aos seus amados!
    Abraços fraternais de paz e bem

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  7. Às vezes também me pego brigando comigo, gosto qdo acontece. Isto aqui não é uma pitada de poesia, é um porre homérico de talento e inspiração.

    Muito bom seu poema!

    Abraço e boa tarde!

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  8. Amigo Dilmar, mas que poema lindo, e assim somos nós, uma montanha de descontentes, parece que gostamos de encrenca, de guerra, de fome, de sede, de sofrimento. Basta olhar o que fazemos com os rios, com os campos, com o planeta, com gente. Nada está bom, sempre queremos o que não temos, o que não é nosso...
    Naquele tempo, que fala o seu poema, tudo era bem diferente. A verdade, é que nesse planeta, nunca as coisas foram cem por cento. Melhores para uns, piores para outros. Quem sabe não chegou a nossa vez agora, das vacas magras?

    "Certamente, dentre as coisas
    que desesperam o homem,
    talvez a mais exasperante, seja
    absorver o cotidiano embebido de paz,
    tanto, que cedo ou tarde,
    lá vai ele, criatura inquieta,
    à procura de guerra,
    e na falta de inimigos,
    briga consigo próprio."

    Abraço, amigo, gostei muito.

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