segunda-feira, 21 de junho de 2010

MISÉRIA

Eu sonhei que sorria sonhando
e sorrindo fui à rua
Era um riso largo
que incomodava os transeuntes,
perturbava o mundo carente de risos,
irritava o homem de terno cinza
e rosto crispado, que falava
feito autômato ao celular.
Mas a alegria foi desaparecendo
à medida que eu me aproximava
do centro da cidade
e deparava-me com a miséria
exposta diante dos meus olhos;
uma miséria diferente
da miséria descrita pelos jornais
e daquela embalada na tv
para a obtenção de pontos no Ibope.
Era a miséria crua estampada
no rosto dos analfabetos,
na boca dos famintos,
na fisionomia dos párias,
no corpo das protitutas,
nos olhos dos assassinos,
no espírito do homem,
nas artérias do tempo.

1 comentário:

  1. Compreendo, perfeitamente, sua linda poesia, Dilmar! Assino embaixo: poderia, muito bem, ter sonhado esse mesmo sonho...
    Grande abraço, amigo!

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