sexta-feira, 27 de maio de 2011

Confesso que fiquei assustado
ao rever o amigo de infância
separado por um intervalo
de algumas décadas.

Eu que guardava na lembrança
a imagem daquele menino
escanhoando o rosto pela primeira vez,
aparecia-me agora, à minha frente,
aquele senhor de cara enrugada
e com os cabelos grisalhos.

Pior que o choque foi recíproco.
Meu velho amigo
também não conseguiu disfarçar
a angústia estampada no rosto
e um diante do outro, ficamos
calados durante algum tempo.
Quando conseguimos dizer alguma coisa,
falamos ao mesmo tempo:
precisamos evitar os espelhos!

Passado o primeiro impacto
daquele encontro fortuito
fui saindo da zona de turbulência
e à medida que retornava ao território da razão
refletia sobre as ilusões da existência
e na lógica da realidade transitória.

1 comentário:

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