quinta-feira, 23 de junho de 2011

FICÇÃO

Isso que vou lhes contar
parece ficção, mas é ficção
tecida nos liames da realidade.
Algumas metáforas do imaginário
são nada mais que ensaios
da vida cotidiana.

A confraternização popular
à entrada do equinócio,
evento aberto ao desfrute
de todos os trabalhadores
após a jornada diurna de trabalho
defenestrou uma categoria trabalhadora.

Os organizadores do encontro
- homens das mãos sedosas
e de espíritos obtusos -
barraram o ingresso dos garis na festa
- homens de corpos suados e mãos carimbadas -
Os senhores das mãos cuidadas,
excessivamente zelosos
com a limpeza de modo genérico,
violentaram o contrato social
e abortaram a alegria dos lixeiros.
Mas todas as demandas do mundo
cobram o ônus político do ato planejado.
Decorre daí, que toda a ação
acarreta uma reação.
Então, depois da festa,
os catadores de lixo deram o troco
e entraram em recesso compulsivo.

Os senhores da mãos leitosas
exigiram junto ao tribunal do trabalho
o retorno dos grevistas à labuta.
Mas os lixeiros permaneceram
surdos às ordens e às ameaças
do poder estruturado
E por mais absurdiosamente kafkeano
possa parecer, enquanto a cidade
ficava atirada à sujeira e à imundicie,
os garis passavam os dias lendo,
sentados nas praças, os livros de Kafka.

15 comentários:

  1. Oi amigo Dilmar, gostei do texto fictício, mas seria tão bom se nossos garis lessem mais e muito, provavelmente teriam essa força que o texto proporciona e talvez o povo sujasse menos, ou também, talvez se proibisse mais a sujeira nas ruas, seriamos mais desenvolvidos, quem sabe? beijos, bom feriado, obrigada pela visita carinhosa.

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  2. Gostei muito do seu blog!! Agora, sempre darei uma passadinha por aqui...
    Grande abraço, boa noite!
    Mari.
    http://artmarirodrigues.blogspot.com/

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  3. Lindo e realista poema, amigo.
    Peço que aceite a solicitação que enviei para participar do meu blog interativo Diálogos Poéticos. Gostaria muito que participasse com seus poemas e interagindo com todos nós. Mandei o convite pelo seu e.mail. T
    e aguardo lá.

    grande bj, amigo.

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  4. Olá amigo Dilmar,
    Agradeço imensamente o carinho no comentário em minha postagem.
    Quanto ao seu texto, achei muito apropriado e gostaria que fosse realidade o que você escreveu.
    Imagine nossos garis com livros nas mãos! Que coisa mais linda seria se essas pessoas realmente tivessem condições para tal feito.
    Um grande abraço e um ótimo final de semana para você.
    Maria Paraguassu.

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  5. Dilmar querido amigo, eu adorei a história, só lamento que seja tão real essa postura dos que se acham melhores do qualquer outro ser humano. E lamento tb, que seja ficção a leitura de Kafka nas mãos do povão, pq eles deveriam msm ter acesso a todo tipo de arte.
    Bj grande e bom começo de semana

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  6. Gostei. Kafka nas mãos dos garis seria o máximo. Quem sabe, algum já não o leia. A realidade nos surpreende sempre.
    Abração e obrigado pelo cafezinho que você sempre vai tomar em minha casa de tábua.

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  7. Amiga Eva, obrigado pela visita e obrigado pelo comentário. Volte sempre.
    Um abraço Fraterno.

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  8. Mari Rodrigues, gostei da tua arte e, por consequência do teu blog. Já estou

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  9. Mari, continuando, estou te seguindo. Visitarei teu blog quando eu navegar na blogsfera.
    Um abraço fraterno. Volte sempre.

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  10. Amiga Ianê, fiquei feliz com o convite para participar no "Diálogos"
    Um abraço fraterno.

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  11. Amiga Paraguassu, obrigado pela visita e obrigado pelo comentário,
    Um abraço fraterno.

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  12. Amiga Ira, obrigado pela visita e obrigado pelo comentário. Ah, estou adorando teu alfabeto da letras.
    Um abraço fraterno.

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  13. Amigo Natan, obrigado pela visita. Volte sempre que quiser.
    Um abraço fraterno.

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  14. Um abraço fraterno a vc também e bom chimarrão por aí ehehe, um dia perfeito para vc!

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  15. Mas ora bolas, nada mais que perfeito o que fizeram os lixeiros, deram-se ao direito de escolher o que fazer.

    O grande problema de alguns é julgar-se superior a todos os outros, e tudo precisa de equilíbrio, sem equilíbrio nada gira.

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