sábado, 6 de junho de 2015

CENAS QUOTIDIANAS DE UMA TARDE DE 6ª FEIRA

Eu olhava, da minha janela, a folha caindo
da velha árvore que ainda havia na praça,
 o sol descia o céu na direção do rio,
o sabiá cantava nas moitas lá do morro,
o ruído do  som do carro que cruzava a rua
fazendo propaganda do mercado do bairro
era  uma ponta de agulha nos meus ouvidos...
Meus olhos ainda procuravam a folha,
que a brisa da tarde suspendera acima da grama,
mas minha atenção foi desviada pelos alunos
que compravam embrulhos de maconha
junto à carrocinha de cachorro quente da esquina
em frente ao colégio de primeiro grau.
No minuto seguinte, ao extremo norte da praça
três homens usando toucas ninjas abandonaram um carro
com o alarme disparado e passaram correndo sem olhar para trás.
No momento em que eu pretendia me recolher
para preparar meu chimarrão vespertino
surge na rua vindo do lado do sul gritos e lamentos
de uma mulher levando sanafões, tapas e pontapés,
diante das cenas covardes não me aguentei e desci
no intuito de agir na contenda em favor da mulher agredida,
entretanto fui surpreendido pela vitima do evento,
que mandou-me ficar quieto e não meter o bedelho em briga de família...





8 comentários:

  1. Amigo Dilmar, essas cenas cotidianas!
    Seu texto/poema nos mostra que é mesmo assim, "...não meter o bedelho em briga de família..."
    Não dá nem para ficar olhando pela janela a folha caindo sem não se perturbar né mesmo?
    Abraços e boa noite de sábado!

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  2. Obrigado, querida amiga Ivone. Um abração. Tenhas, sei que terás, um lindo domingo.

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  3. Bom dia
    Acontece muito... e custa ver sem fazer nada, mas por vezes é preferível fazer que não se vê.

    Bom Domingo, beijo

    http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

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    1. Amiga Cidália, obrigado pela visita de além-mar. Um abraço daqui do sul do Brasil. Tenhas uma linda semana.

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  4. Soneto-acróstico
    Ao bom samaritano

    Conglomerado humano que aliena
    Uma metrópole hodierna será assim
    Indiferente, onde nada vale a pena
    Deixa estar, cuide de sua vida enfim.

    E cada humano é uma ilha pequena
    Dentro de cada ser vivente um fortim
    Apenas ninguém ouve sua cantilena
    Se quiseres paz, não gaste seu latim.

    Uma Kitty Genovese fora ignorada
    Assassinada dos moradores à vista
    Vivia entre gentes, cercada de nada.

    Infelizmente o ser humano é egoísta
    Direcione seu ímpeto à outra parada
    A sua ação, corações não conquista.

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    1. Caro amigo poeta Jair, obrigado pela réplica-acróstica. Um abração. Tenhas uma linda semana.

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  5. OI DILMAR!
    É DE RIR E DE CHORAR. ESTAMOS VIVENDO UM MOMENTO NO QUAL SOMOS OBRIGADOS A UMA ALIENAÇÃO QUE NOS CAUSA DESCONFORTO. NO TEU CASO, ERA "SÓ" BRIGA DE FAMÍLIA, MAS JÁ SOUBE DE UMA PESSOA TENTAR PROTEGER ALGUÉM, E SER ELA A AGREDIDA.
    BEM LEGAL TEU TEXTO, COISAS DO QUOTIDIANO MESMO.
    ABRÇS
    -http://zilanicelia.blogspot.com.br/

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  6. Que tristeza né Dilmar, e gente procura encontrar paz, com nosso chimarrão, mas difícil ser indiferente, o mundo tá virado mesmo. Deus nos proteja. bjos querido, um belo anoitecer. Obrigada pelas gentis palavras.

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