segunda-feira, 8 de março de 2010

NAQUELE TEMPO

Naquele tempo
bebia a solidão quase absoluta
inerente à quietude harmônica da natureza.
De permeio, aspirava algo que quebrasse
o veio tedioso da tranquilidade;
talvez uma pedra lançada na calmaria do lago
ou a réstia de vento a debulhar o campo de trigo.

Naquelas manhãs pretéritas
banhava o corpo nas gotas suspensas,
no rosto luminoso da fonte,
navegava nos fluidos das essências sagradas,
integrado à sabedoria da unidade,
 mas quando ousei, num passe de mágica,
agir sobre a face de gaia;
nomeando, adicionando e dividindo,
me perdi nas trilhas bifurcadas do eu.

Acho, que dentre as coisas
que desesperam o homem,
talvez a mais exasperante, seja
absorver o cotidiano embebido de paz,
tanto, que cedo ou tarde,
lá vai ele, criatura inquieta,
à procura  de guerra,
e na falta de inimigos,
destrói a si mesmo.

1 comentário:

  1. Lindo poema, Dilmar!
    Fico admirada com o fluir de seus versos, que abordam temas pesados com uma leveza de impressionar...
    Parabéns, meu amigo!!!

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