domingo, 21 de março de 2010

O CASARÃO

Este é o último casarão
que restou na cidade;
arquivo abalroado de memória,
ressonância de passos repetidos milhões de vezes
pelos velhos corredores.
As paredes internas, são murais pintados de sangue
vertido das histórias de vampiros,
contadas às crianças nas noites de agosto.
As fotografias expostas nos cantos
lembram cenas de um filme em preto e branco:
pequenas e grandes cenas cotidianas;
alegria, dor, nascimento e morte:
o eterno repetir da aventura humana.
No sótão, os arcanjos guardam o pergaminho
da historia das Mil e uma noites.
No quintal, a serpente vigia o fruto proibido
para que Adões e Evas não possam tocá-lo.

3 comentários:

  1. O Casarão me levou a pensar nos poemas de Quintana em "A Vaca e o Hipogrifo", onde o poeta viaja da realidade ao irreal e vice versa num gostoso brincar com os versos.
    Um abraço
    Bernardo

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  2. Que coisa mais linda, meu amigo!!!
    A serpente cuidando do fruto proibido...Podia bem ter sido assim.
    Parabéns!
    Um abraço

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  3. Assim mal rompeu o dia
    Ao casarão vim buscar
    Uma pitada de poesia
    Para a minh'alma lavar

    Gostei muito. Beijo

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