segunda-feira, 26 de setembro de 2011

CHOVE, CHUVA!

Olho a chuva caindo
na tarde setembrina,
molhando o meu desejo
de caminhar pela rua,
sentir a brisa primaveril
lambendo a minha pele.

Vejo através das janelas
as calçadas lá fora.
Observo as pessoas andando
com os olhos erguidos para cima
esperando, quem sabe, se de repente
o sol apareça e retire
o líquido das nuvens encharcadas.

Ao norte da minha imaginação,
no pulmão verde do mundo,
os homens das motosserras
praguejam há vários dias
por causa da chuva que não pára.
Mas nossas irmãs árvores agradecem
as gotas de felicidade que caem do céu.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

ELA VEM CHEGANDO

De onde vem esse cheiro bom
que abre minhas narinas
e me leva até a rua,
absorvendo o ar da matina?

De onde vem esse aroma antigo
que não se encontra em nenhum lugar?
Parece coisa de outro tempo
que põe minha estrutura a balançar!

De onde vem essa cantoria
de rouxinóis, beija-flores, colibris;
do passaredo que há muito tempo
não cantava por aqui?

Agora, a ficha caiu,
eufórico, abri portas e janelas,
estou a espera do novo ciclo que se aproxima:
vem chegando a primavera!

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

MÍDIAS

Eu às vezes fico meditando
sobre essas coisas de comunicação eletrônica
e entretenimento virtual
e na maneira como esses modelos
transformaram nossas vidas,
de tal modo que agora
não ficamos um dia desconectados.

Nós; hoje, dependentes de um clic
e de um botão mágico ao alcance da mão,
que vimos de longe,
vimos do tempo do rádio de ondas médias e curtas,
época da tv valvulada, em preto e branco.
Vimos do tempo em que surgiu o primitivo micro computador
de limitadíssimos recursos
- um privilégios das elites -
Justamente nós que crescemos
lendo jornais, revistas, livros;
assistindo as matinês dos cinemas
e interagindo com o mundo
através do velho e bom bate-papo.

Recordemos a revolução provocada pela tv
lá no comecinho dos anos setenta,
época em que o instrumento ficou pop
e colorido no ocidente.
Era o avanço da Aldeia Global,
que Mcluhan havia descrito
sobre o efeito que o rádio e as linhas telefônicas
exerceu na população dos Estados Unidos,
na primeira metade do século passado.
Entretanto, melhor ele houvesse dito
Aldeia de subúrbio ou Aldeia ianque.
Mas ao apagar das luzes do século vinte,
O mundo se transformaria, de fato,
numa pequena Aldeia Global
graças ao advento da Internet.

Hoje, uma parafernália de aparelhos
traz o mundo para dentro das nossas casas.
Em meio a uma imensa gama de informação,
buscamos freneticamente a verdade.
Já perdemos o hábito de buscar a nossa verdade,
adormecida nas profundezas do ser.

Ah, minha gente, vamos fazer um exercício?
Vamos ficar desplugados durante vinte e quatro horas?

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

VAIDADE

O castelo da minha vaidade
trepidou de maneira imprevista,
outro dia, enquanto conversava
com alguns amigos.
Era um fim de tarde
e discutíamos com entusiasmo filosófico
algumas questões fenomelógicas,
quando fui abordado por um sujeito
extremamente simples,
de vestir quase andrajoso,
com cabelos e barba por cortar,
tipo esses indivíduos que comumente
chamamos de loucos...
A justificativa lógica da entrada
daquele homem no cenário,
imaginei que seria o achaque de alguns trocados,
entretanto, para a minhas surpresa,
a resposta que obtive ao lhe perguntar
de quanto necessitava, foi:
Senhor, não estou esmolando,
mas sou um homem curioso
e ao ouvir sua palestra desenvolta
sobre temas tão escorregadios,
senti o desejo de lhe fazer uma pergunta.
- Eu sou um diletante, respondi
Mas parece que o homem não me ouviu
e arremessou de pronto:
quero saber quando vai acontecer
o choque do tempo com o espaço?
- Como assim, balbucei!
- Não sei, diga-me o senhor, que é um sábio!
- Mas eu não sei de nada, meu amigo,
apenas especulo, conjecturo...
- Mas da maneira refinada como falava há pouco,
transmitia a ideia de graduação cosmológica
por uma grande universidade.
- Estás enganado, nunca cursei nenhuma faculdade!
- Ah, então o senhor é um poeta, resmungou o homem
e saiu caminhando cabisbaixo, decepcionado...

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

INDEPENDÊNCIA OU DEPENDÊNCIA

Imaginemos aquela célebre tarde,
perdida no tempo,
quando Dom Pedro gritou para o mundo:
Independência ou morte.

Também podemos imaginar
que não aconteceu nada daquilo.
O ato de nossa independência pode ter sido menos épico,
mais condizente com a nossa realidade, naquele momento.

Não importa o que haja ocorrido,
interessa mesmo que a 07 de setembro
ou em outro dia qualquer de 1822,
esta terra ganhou carteira de identidade.

Talvez, naquele tempo
o povo nem soubesse qual a diferença
entre colonia e nação,
mas com o andar da carruagem
o Brasil ia mostrando a cara para o mundo.

Entretanto, para o povo,
nunca ocorreu a independência de fato
sempre estivemos dependentes das circunstâncias.
Houve uma época, lá nos anos sessenta,
que tínhamos vergonha do termo patriota,
porque a palavra era muito usada
pelos usurpadores dos direitos civis.

A nação brasileira deve comemorar as coisas boas
que estão a demarcar nossa história.
entretanto, no momento em que começamos
a sentir alegria de sermos brasileiros,
é impossível ignorar,
nossa dependência às mazelas cotidianas:
a dependência ao maus políticos
que se locupletam a custa dos nossos votos;
a dependência da falta de segurança reinante em toda a parte;
a dependência do sistema de educação retrógado;
a dependência de um sistema de saúde sucateado;
a dependência aos foras-da-lei, que não respeitam ninguém,
pilhando, roubando e matando as pessoas
como se estivéssemos dentro de uma guerra civil.

Mas a esperança não pode morrer
acreditemos que tudo passará,
que os novos tempos de paz virão,
que ainda vamos andar sem medo pelas ruas,
que não precisaremos pôr grades de ferro às nossas portas,
que a violência e a maldade hão de sumir, pois, afinal, somos todos irmãos!

Meu Brasil, te amo!

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A FAMÍLIA

Porque é noite de domingo e chove,
a família Silva
e os pais do pai
estão sob o mesmo teto.

A mãe diz pro neném:
Filho, mostra prá vó
que a gagueira sumiu!
O menino, de pronto,
descarrega uma saraivada
de palavrões bagaceiros.
A vó, de pelos em pé, pergunta:
netinho, onde aprendeste isso?
Ué, no jardim!

Passado o mal-estar gerado
pelo conhecimento anesteirológico do menino,
a mãe grita prá filha:
Mana, apresenta teus desenhos prá vó!
A menina berra lá do quarto dela :
Agora não dá, tô no Orkut.
- Depois, então, tá!
- Tá nada! Depois navegarei no MSN,
baterei um papo no Facebook, etc...
- Faz uma forcinha, filha!
- Mãê, seguinte, esquece essa coisa
de desenho das Marias mijonas...

O pai, que estava calado
há muito tempo,
vendo o filho mais velho
requebrar o corpo na sacada,
dirige-se ao guri e pergunta
o que ele está ouvindo
no aparelho celular conectado ao ouvido.
- É coisa boa, pai. é Hip Hop!
- O quê! Isso é música, malandro?
- Ora, se o vô chama de música
aquela coisa esquisita
de um tal de Bethovem,
que ele ouve no vinil, então...

A mãe, nervosa, subindo pelos tamancos,
mas procurando manter a calma
como convém a uma dama de estilo,
murmura , quase irritada:
não gosto de domingo;
é um dia que não novelas.

Depois desses episódios,
o pai do pai convoca a mãe do pai:
vamos para a nossa casa
ouvir os pingos da chuva
escorrer pelo telhado

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

SETEMBRO

Bom dia setembro
Te saúdo à espera
da nova estação
que vai trazer o aroma
das plantas hibernadas durante o inverno.

Meu jovem setembro,
eu não tenho nada contra agosto
- nenhuma mágoa ou desdita -
pois todos os dias são importantes
na composição do calendário da vida.

Setembro, meu camarada,
proteje a primavera
do olhar dos indivíduos obtusos
que pretendem compuscar o belo.

Setembro, meu velho,
defende a natureza das mãos dos vândalos
que querem destruir o planeta
porque não pensam nas gerações futuras.

Setembro amigo,
guarda o perfume das flores,
a beleza dos girassóis,
a dança do beija-flor
e todas as coisas caras
às pessoas sensíveis.