segunda-feira, 22 de maio de 2017

VELHOS

Parece que muitos não velhos deste país
imaginam que serão eternamente  jovens
porque, via de regra, tratam  os idosos
como se os mesmos fossem  inanimados.

A turma ativa diz que o velho é um peso
a  atrapalhar  a via  rápida  dos  novos:
que  produz bem pouco para o sistema
e em compensação fala muito do pretérito

Bom para o idoso é ser artista tupiniquim,
sobretudo, se o ente fez um nome na praça
porque nestes não se olha  a marca do tempo
nem se excomunga o pecado da pele enrugada.


Nota: minha gente, apesar de parecer mágoa
extravazada nos versos no post, o poema
não foi escrito sob o espírito do recalque,
mas baseado na observação cotidiana das
relações entre as faixas etárias

19 comentários:

  1. Velhice

    Agora sei como é comprido este caminho
    De uma só direção voltada pro poente
    Que só posso vence-lo vagarosamente
    Porquanto sou apenas um anoso velhinho.

    Pois admiro demais essa apressada gente
    Que vai correndo e quer tudo dar seu jeitinho
    Porém quer da vida, explorar cada escaninho
    Mas, absolutamente nunca, está contente.

    Pois estas multidões formam muitos milhares
    Previsivelmente, perscrutantes olhares
    Vão progredindo no seu caminho por trancos.

    Enquanto, num transe, observo o sol quase posto
    Colorindo de falso púrpura o meu rosto
    Ressaltando o brilho dos meus cabelos brancos.

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    1. Meu caro Jair Lopes, obrigado pelo belo soneto. Um abraço. Tenhas um ótimo dia.

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  2. Entender o difícil não é vantagem.....



    abç

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    1. Cara amiga Margoh, obrigado pela visita. Um abraço.Tenhas uma linda tarde.

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  3. Velhos são os trapos,
    sempre tenho ouvido dizer
    não acredito em bandalhos
    que só mentiras sabem dizer.

    O velho aqui é peste grisalha,
    disse um político no parlamento
    sem respeito por quem trabalha
    para lhe garantir o sustento!

    Tenha uma boa tarde caro amigo poeta Dilmar, um abraço,
    Eduardo.

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    1. Obrigado pela visita poética, meu caro amigo poeta Eduardo. Um abraço daqui do sul do Brasil. Tenhas uma boa tarde.

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  4. Fantástico. Maravilhoso..

    Beijinhos e uma boa semana

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    1. Obrigado pelo carinho,cara amiga Cidália. Um abraço daqui do sul do Brasil. Tenhas uma linda tarde

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  5. Boa tarde, Dilmar,
    sabemos que tudo o que escreveu , infelizmente é verdade, as pessoas que têm mais idade, sofrem ou na família, ou em instituições onde são colocados e esquecidos pelos seus"filhos", no trânsito se demoram, já ouvem chingamentos, é triste saber que os mais velhos não têm vez, em nosso país. No Japão, muitos jovens procuram pelos anciãos que têm muito a ensinar. Quem sabe a gente ainda chegue a ser assim, não é? Abraço!

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    1. Cara amiga Marli, aqui no Brasil falta, realmente, paciência para com os idosos. Obrigado pela visita. Um abração. Tenhas uma linda semana.

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  6. Oi, Dilmar!

    Gosto dos seus poemas filosóficos... Aprendo muito com eles!...
    Igualmente aprecio a convivência com os mais velhos, tenho amizades maravilhosas com diferentes faixas etárias e é uma convivência bonita e rica!...

    Beijos, boa semana! =)

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    1. Cara Nadine, obrigado pelo carinho. Um abração. Tenhas uma linda semana.

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  7. Pois é, amigo Dilmar, os de 40 anos já são considerados meia idade, ah, se soubessem a bagagem dos mais velhos!! Podem não terem um rosto liso, a coluna já dá seu sinal... mas a cabeça é muito melhor. Há maturidade, experiência.Adaptação. A vida tira jovialidade, mas também acrescenta experiência. Muitas vezes fico pensando nesse raio de idade. Vejo os velhinhos curvados na calçada... estão ali, vivos, fazendo o que dá, e se acostumam. Lembro que quando pequena, subia as escadas de minha casa de dois em dois degraus, chegava lá em cima estava sobrando fôlego. Mas pensava, já na época no dia em que não conseguiria mais fazer aquela ‘proeza’. E há muito chegou esse dia... Sabe o que senti? Nada!
    A gente se adapta e sossega. Navega conforme a maré.
    Ótimo tema abordado nesse poema.
    Grande abraço, amigo.

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    1. Obrigado, cara amiga Tais, pois a sobrevivência está relacionada à adaptação. Não existe outra fórmula.
      Quando era jovem, às vezes, pensava, sentindo arrepios,: que horror, ficarei velho e não serei mais o mesmo, talvez me sinta imprestável...Ai vieram os 60 anos (estou com 65) e menos mal que apenas falta-me o vigor da juventude, mas no resto estou bem, muito melhor do que imaginava antes.
      Um abração. Tenhas uma ótima 3ª-feira.

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  8. Amigo Dilmar, os velhos são maltratados pelos mal-educados, infelizmente as pessoas ainda não são todas bem conscientizadas, que pena que é assim né mesmo?
    Entendi sua observação, sinto alegria e orgulho dos meus filhos e netos, eles aprenderam a respeitar e muito bem todos os velhos, meu sogro era japonês, nasceu no Japão e as famílias dos meus pais eram descendentes de italianos e portugueses, uma cultura passada de pais para filhos que valorizam a velhice, ser velho é uma glória, poder chegar a velhice é um prêmio da Vida que nada e nem ninguém pode tirar a alegria de chegar a essa etapa!
    Abrços bem apertados!

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    1. Pois é, cara amiga Ivone, na Europa e na Asia os velhos são respeitados; lá são tratados como seres humanos de fato.
      Obrigado pela visita. Um abração daqui do sul. Tenhas, sei que terás, um lindo dia.

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  9. Oi Dilmar,
    Pois é,..que triste! Me pergunto, onde erramos? Porque esse descaso com os mais velhos? Está faltando amor?
    São muitos os questionamentos!
    Bela reflexão! Feliz semana!

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    1. Amiga Jossara, acho que nós, brasileiros, degeneramos, quero dizer, boa parte dos brasileiros degenerou. Uma parcela enorme de indivíduos deste país enveredou pelo caminho torto e não quer sair da contramão.
      Obrigado pela visita. Um abração. Tenhas uma linda tarde.

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  10. Ah meu amigo
    se estes soubessem que a sabedoria dos tais "velhos"
    é um tesouro.
    Na verdade estas pessoas já plantaram sua semente,
    o futuro os aguarda para colher no tic tac do tempo
    Que é "idoso" e muito sábio.
    E ensina que só se colhe o que planta.
    Ação e reação.

    Amei seu texto.
    Beijo

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