sábado, 25 de dezembro de 2010

Era dia de Natal
de céu azul,
brisa suave
e o espírito fraterno
se esparramando no ar.

Até o trânsito
tão caótico
nos outros dias,
deslizava calmo
pela cidade tranquila.

O ônibus linha Xis 3
fazia seu intinerário
de maneira diversa
da rotina habitual,
pois motorista e cobrador
vestidos de papai Noel
distribuiam balas aos usuários.

De repente, entrou no coletivo,
um passageiro embriagado
cantando com a língua enrolada:
É Natal, Cristo ilumine os homens!

No inicio, o canto do bêbado
foi recebido com aplausos;
todos acharam engraçado,
mas à medida que o alcólatra
repetia o refrão,
a assistência foi se chateando...

O veículo foi andando,
os passageiros irritados,
xingam:
gambá, desce, cai fora!
Mas o homem insistia,
É Natal, Cristo ilumine os homens!

O ônibus seguia seu percurso
e o bêbado prosseguia com a mesma cantilena:
É Natal...

Então, o cobrador enervou-se
e jogou o etílico na calçada.
Todos passageiros gritaram
Motorista, não pára essa droga,
deixa o homem curtir o porre..

E o bêbado esbodegado,
com o corpo retorcido no chão,
gemia e tentava cantar:
Ai... é Natal, ai, ai... Cristo...

3 comentários:

  1. Ai, querido Dilmar, quantas são as facetas do cotidiano que levam à violência...
    Na tentativa de análise, via de regra, não conseguimos identificar os culpados, já que o estresse, esse vilão moderno, anda sempre se infiltrando em tudo...
    Lamentável que, mesmo na hora de uma comemoração tão significativa, fatos assim aconteçam, não?
    A despeito da tristeza, adorei o seu texto, como sempre, tão bom!
    Espero que o seu Natal tenha sido excelente!Forte abraço, amigo!

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  2. Dilmar,

    Gostei da força deste texto. Força em revelar a outra face do humano que chama-se intolerância!

    Beijos com saudades,

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  3. A situação é triste, mas o humor é claro.
    Legal!
    Janice.

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