segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

O TEMPO DO CORPO

Lamentei a morte dos meus avós;
ah, coitados, tinham que ficar aqui,
pois àquela época eu era imortal.

Os idosos da minha rua partiam,
mas aquilo parecia coisa surrealista,
algo que nunca aconteceria comigo.

Os cléricos que eu conhecia falavam
da necessidade de preparar a alma
porque desconhecemos a nossa hora H.

Quando meus pais embarcaram para o segundo andar
me dei conta da minha transitoriedade,
da minha finitude existencial

Quando meu filho partiu para o mundo espiritual
ative-me àquele preceito que tentava ignorar:
quando nascemos começa nossa contagem regressiva.

18 comentários:

  1. Soneto-acróstico
    Ao corpo

    É natural que nos sintamos eternos
    Onde vida existe esperança grassa
    Tem a vida verão, outono e inverno
    Enquanto há ânimo, a vida é graça.

    Mas a natureza não considera assim
    Porque o tempo tem o próprio critério
    Obstinado, do homem quer seu botim
    Domina exigente e possui um mistério.

    O corpo, contrário ao que se pensa
    Contém seu propicio tempo de vida
    Obnubila-se por acidente ou doença.

    Rápido como uma flecha desferida
    Perde viço até que o tempo o vença
    Obediente, corpo na morte tem saída.

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    1. Obrigado pela réplica-acróstica. Um abração. Tenhas uma linda semana

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  2. Certa vez um velho homem me disse para eu não me preocupar com isto
    somos como as lagartas
    nosso destino é o céu
    mas a morte sempre nos perturba
    porque é uma partida
    mui belo poeta

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    1. Poeta Luiz Alfredo, obrigado pela visita. Um abração daqui do sul do Brasil. Tenhas uma ótima semana.

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  3. Perfeito amigo Dilmar!
    Gostei muito de ler-te!

    Beijos!

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    1. Nandinha, obrigado pela visita. Um abração. Tenhas uma linda semana.

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  4. Bom dia Amigo, Dilmar
    Bem verdade o que escreveu...Nem me vou alongar, pois teria muito que escrever!
    Mas quando se perde um filho, é de uma tristeza sem fim.

    Beijo, bom feriado.
    http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

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    1. Querida amiga Cidália, quando perdemos um filho ficamos sem chão durante muito tempo. Um abração. Tenhas uma linda semana.

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    1. Amiga Cecília, obrigado pela visita. Um abração daqui do sul do Brasil. Tenhas uma linda semana.

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  6. Tudo o que nasce um dia termina. Por norma não nos preparamos para isso e...perder um ente-querido é sempre uma dor infinita

    Deixo cumprimentos
    .............................
    http://pensamentosedevaneiosdoaguialivre.blogspot.pt/

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    1. Amigo Ricardo, obrigado pela visita de além-mar. Um abraço daqui do sul do Brasil. Tenhas uma ótima semana.

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  7. Por mais que tenhamos consciência de algumas coisas, não há como negar que, apesar de tudo, a partida que deveria ser uma festa, na verdade, é uma dor imensa.
    Lindo!

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    1. Audrey, obrigado pela visita. Um abração. Tenhas uma linda semana.

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  8. Boa tarde Dilmar.
    A dor da perda só quem sentiu na pele pode falar, pois é um dor mais forte que todas as dores físicas e imaginarias, nem sei como seria de tivesse que enfrentar a dor de um filho, pois perdi um sobrinho que criei a vida toda, parecia que não teria força para continuar, mas ao olhar para a minha filha tive a força necessária para seguir diante, mas nunca com certeza com a mesma alegria, pois quem parte sempre leva um pouco da nossa alegria [ vida] enfim como disse-se quando nascemos começa nossa contagem regressiva, nunca saberemos quando seja o nosso fim.. Temos que aceitar o designo de Deus por mais dificil que possa ser, acho particularmente que já nascemos com uma missão, quando ela acaba a nossa vida tende a voltar para onde viemos, para prestar conta em quem sabe recamarmos novamente. Que Deus na sua misericórdia infinita lhe console na sua saudade eterna, pois acho quem perde um filho sempre sente uma saudade que chega a parecer uma dor física, o tempo passa e parece que foi ontem do ultimo beijo, do ultimo adeus. Meu amigo um lindo dia.
    Beijos.

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  9. Amiga Mirtes, a perda de um filho significa a saudade eterna. Você fica muito tempo sem chão. Depois a saudade que não passa nuca.
    Um abração daqui do sul do Brasil. Tenhas uma linda semana.

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  10. Meu caro poeta e amigo Dilmar, hoje sei disso, sei dessa dor, sei que a única coisa certa nesta vida é a morte, mas o que não me mata, me fortalece, embora me sinta fraco quando bate a saudade daqueles que amo eternamente e que já não estão mais comigo. Sinto tanta falta de meus avós...a saudade nunca passa, só se acalma.
    ps.Carinho respeito e abraço.

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  11. Pois é, querido amigo Dilmar, o que dizer numa hora dessas? Nada, apenas ser solidário, quietinho. Manter a presença. Sei o que é perder os pais, mas filho, não. O vazio é infinito, e a alma da gente jorra lágrimas. Elas param... recomeçam... param... até a nossa finitude. Mas precisamos avançar para tocar a vida.
    Difícil comentar essa sua postagem...
    Mas eu quis para lhe deixar meu abraço.

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