quarta-feira, 7 de outubro de 2015

CHUVA, LIMPA NOSSA VERGONHA

A chuva fina descendo das nuvens,
gotículas translúcidas se desprendendo
das folhas das palmeiras centenárias,
as mesmas árvores que acompanharam
as transformações seculares da cidade...
Sob os auspícios do chuvisqueiro
transborda uma torrente de queixas
contra o sistema político-administrativo
extraviado em um mar de corrupção,
incompatível com o processo civilizatório,
mosaico surrealista ao olhar atônito
do cidadão incrédulo não conivente
com a cartilha remendada, enxovalhada
de normas obsoletas, leis refratárias,
incapazes de limpar o modus-operandi
alicerçado na política da troca de favores
entre os amigos do rei - inimigos da pátria -,
que sortearam lotearam, ratearam as fatias
do poder, renovado - entre aspas -
através do faz-de-conta sufragado nas urnas
por meio de bilhetes viciados...
Ainda que troquem todos os nomes, mudem todas as caras
criem novos partidos, mudem o sistema negocial;
tudo mudará, ficando igual, não mudando,
porque a mudança necessária é simples,
mas de uma simplicidade ASSUSTADORA:
a mundança de consciência: a trilha do CARÁTER.

12 comentários:

  1. Senhor, ajudai-nos a construir a nossa casa
    Com janelas de aurora e árvores no quintal –
    Árvores que na primavera fiquem cobertas de flores
    E ao crepúsculo fiquem cinzentas como a roupa dos pescadores…
    _____Manoel de Barros


    abç,Poeta!

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    1. Cara amiga Margoh, obrigado pela visita e por trazer-me esta beleza de poesia do incomparável Manoel de Barros. Um abração. Tenhas uma linda tarde.

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  2. Acróstico

    Afinal, por que este Patropi é assim?
    Tanta bandalha, bagunça e falcatrua
    Repleto de meliantes e governo ruim
    Indiferentes ao povo que grita na rua?

    Lá no planalto central, lá em Brasília
    Há certo extrato da nossa população
    Apenas para eles o sol sempre brilha
    Deixando o resto com chapéu na mão.

    O caráter com certeza não se herda
    Cada um o adquire na própria família
    Alguns não o possuem, é uma merda
    Resta o mau político, que então pilha.

    Átimo de vergonha na cara não o tem
    Tanto é que roubo é institucionalizado
    E a cada político aquilo que lhe convém
    Rouba-se Petrobras e merenda e gado.

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    1. Rouba-se de tudo, aqui no trópico, cara amigo poeta Jair. Obrigado pela resposta acróstica de alto nível. Um abrção. Tenhas uma ótima tarde.

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  3. Amigo Dilmar, sei muito bem como anda os ânimos, estamos vivendo a pior fase do País, pois nunca houve tanta falta de caráter, nossa, como você, eu também estou indignada, fui criada dentro dos princípios éticos, assim como você e muitos brasileiros que lutam e trabalham dignamente.
    Isso nos envergonha mesmo, lamentável!
    Ótimo texto/poema reflexivo, a chuva não poderá lavar a nossa vergonha desses representantes da Pátria!
    Abraços apertados!

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    1. Cara amiga Ivone, obrigado pela visita e obrigado pelo carinho de sempre. Um abração. Tenhas uma ótima tarde.

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  4. Também gostei do que vi por aqui, no seu blog, Dilmar. Agora faço parte dos que o seguem (positivamente).

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    1. Obrigado, Luiz, por seguir-me. Um abraço daqui do sul do Brasil.

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  5. Boa Noite
    Sempre com bons escritos...Gostei de ler
    Obrigada pelo seu carinho.

    Beijo de boa noite

    http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

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  6. Amiga Cidália, obrigado pela visita de além-mar. Um abraço daqui do sul do Brasil. Tenhas uma boa tarde.

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  7. Amigo Dilmar, que vergonha, é horrível. E temos de passar por isso diante do mundo. Não acredito em mudanças, amigo, ninguém está afim. Quando pensamos que a coisa vai parar, salta outra! Parece cartola de mágico. Não somos a Suécia, mas também não merecemos um Brasil desses. Infelizmente penso que teremos de conviver com isso por longo tempo, até que a chuva limpe um pouco... Tem de ser temporal, um dilúvio pra lavar tanta sujeira.
    Grande abraço!

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  8. Tanto desgosto tivemos nos últimos quase 5 anos, triste...Vontade tenho de mudar desse país :(
    Bom fim de semana, Dilmar!

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