quinta-feira, 22 de setembro de 2016

VENTO, VENTO, VENTO

Não sei se em existências passadas
vivi em países ventosos
mas nesta,  minha alma se encanta
quando a brisa beija meu rosto
Não falo de ventania
mas daquele ventinho suave
que balança as folhas de leve
das árvores das alamedas
e mexe com os fios de cabelos
da mulheres que os conduzem soltos
Vento que vem do pampa,
do mar, da serra, do mato
renova o ar das cidades
corrompido pelos monóxidos,
refrigera os seres  aflitos,
melhora o humor dos chatos
Mas muita gente reclama
das variações do ar e do tempo
do calor, do frio e da chuva.
Eu, por vezes, também resmungo:
Ah, esse calor eu não aguento!
mas, de repente, tudo muda
quando recebo uma dose de vento!




12 comentários:

  1. Gostei muito da sua poesia. Costumo dizer que assim como a brisa afaga a folhagem das árvores, afaga o nosso rosto, também.
    Um abraço, Élys.

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    1. Caro amigo Élys, obrigado pela visita. Que bom que você gostou. Um abraço daqui do sul do Brasil. Tenhas um ótimo fim de semana.

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  2. Que alegria é poder sentir a brisa em nosso rosto, também amo o ar, o vento, esse que nos faz sentir que tudo muda, o ar se renova, durmo de janela aberta exatamente por isso, para que o ar interno não fique viciado!
    Gosto de calor, mas nada exagerado, seria bom que ficasse sempre com a temperatura certa, mas como não é assim, o jeito é dar um jeito para que se possa contornar e viver, pois a vida é mesmo isso, viver em todos os sentidos!
    Amei ler aqui meu amigo Dilmar, bom início de Primavera, essa estação climática mágica e linda que há previsão de que seja bem do jeito que deve ser, sem interferências,esperemos!
    Abraços apertados!

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    1. Cara amiga, obrigado pelo vosso comentário criterioso. Pois quem sabe se as próximas estações não serão mas regulares, menos rigorosas, haja vista que o último inverno, pelos menos aqui no sul, foi dentro do padrão, isto é, frio,sem excessos, e com poucos dias de temperaturas mais alta, como já ocorreu em invernos anteriores.
      Um abração. Tenhas um ótimo fim de semana.

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  3. Vento

    Mais que massa de ar em movimento é transparência que se desloca, é espírito invisível que se move pressuroso. É fluido etéreo que passeia alegre sobre campinas verdes, escala montanhas, levanta poeira e varre desertos. Enfuna a vela do barco inocente que singra as águas mansas da lagoa azul; sustenta ave de papel colorido do garoto caçador de pipas; refresca o camponês solitário, concentrado no amanho da terra; cria ondulações regulares no pasto do gado preguiçoso. É imanente com traços de eterno; não pede passagem nem se desculpa; ultrapassa artefatos confeccionados pelo homem e tem personalidade (ou seria ventalidade?). Seguro de si, estável e presunçoso não respeita obstruções edificadas em seu caminho, a tudo acomete sem indulgência ou temor. Se condições de umidade, pressão e temperatura lhe forem favoráveis, avoluma-se em massas compactas e espetaculares, as quais o homem nomeia furações, ciclones ou tufões, não importa. Colunas gigantescas e de extensões ciclópicas, deslocam-se com fúria avassaladora a centenas de quilômetros por hora erigindo, sobre a água, vagalhões mortais que danificam navios, afundam barcos mais frágeis e transformam o oceano de chumbo em cadeias de montanhas fluidas e fatais. Na terra seca, avança sem se deter carregando adiante pontes, casas, carros e objetos de fabricação humana; como catadupa infernal, despeja zilhões de galões mortais, num átimo, em espaço mínimo; só respeita montanhas eternas, campinas e vales perenes, pois estes, construções sólidas da natureza, têm caráter permanente e feições que lhes são análogas. Impetuoso no grau máximo varre, literal e metaforicamente, vilas e cidades, mostrando ao homem soberbo sua descomunal potência capaz de esmigalhar tudo e todos que se interponham no seu caminho, quase sempre errático. Se o furacão espraia seu poder destruidor por amplo espaço geográfico e atua por tempo dilatado de vários dias, existe sua versão mais breve, porém muito mais aguda e percuciente, autêntico pacote de violência concentrada: o tornado. Verdadeira verruma colossal e impiedosa, em minutos, corta cicatrizes no flanco da terra, desgalha árvores centenárias, dizima florestas e destrói patrimônios. Causa danos materiais, tira vidas e modifica a paisagem, exibe-se como se fora saltimbanco de má índole, movido de furor assassino. Após tornar patente sua força extraordinária, vai diluindo-se – consonante sua posição geográfica - em siroco, alíseo ou monção, sopros mais moderados que não causam maiores danos. Já agora, tendo cumprido seu destino de força da natureza, atenua-se ainda mais e torna-se fraca brisa, viração, corrente branda de ar. Aragem que acaricia o cabelo da criança distraída na calçada; que eleva levemente a saia rosa da moça alegre que cruza a rua; que seca o suor do atleta que corre no parque; que empurra com suavidade o ciclista afogueado; que balouça com languidez a roupa colorida no varal doméstico; que ondula o trigal maduro na campina distante; que ampara a queda suave da folha outonal; que empurra nuvens de algodão rumo ao horizonte remoto; que sustenta a aeronave tranquila no céu cerúleo. Agora é amigo, é companheiro e camarada. Agora, sabe-se útil, precioso, vital, mais até, fundamental. Adentra, benfazejo, os pulmões e outros órgãos de todos os seres que respiram, e é primordial para sustentar a vida que a natureza criou. Tem consciência plena que se não existisse, a vida no Planeta azul seria uma impossibilidade, a Terra seria uma rocha estéril e fria vagando solitária no espaço insondável. Vento que venta viçoso é vetor vital que vai levando vida ao viúvo vivaz que verseja e ao vetusto velhinho visionário. JAIR, Floripa, 02/10/09.

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    1. Caro amigo poeta Jair, obrigado pela cronica poética à guisa de comentário. Não tenho vossos recursos, então resta-me a criação de alguns versos singelos, os quais compartilho com todos vocês, meus amigos.
      Um abraço. Tenhas um ótimo domingo.

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  4. Gosto de vento se for suportável e não frio. Dá para nos arejar as ideias. Muito belo o seu poema.

    Beijos e bom fim de semana.

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    1. Obrigado pela visita de além-mar, cara amiga Cidália. Um abraço daqui do sul do Brasil. Tenhas um lindo domingo.

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  5. Muito bonita essa poesia, Dilmar!
    Vento... só se for na calma primavera ou no verão, naqueles dias abafados, insuportáveis. No inverno até gosto, se eu estiver dentro de casa. Escutar o ruído, a força da natureza é fantástico, porém um pouco assustador. Mas esse vento leve que você narra, é lindo, sem dúvidas!
    Ótima criação.
    Abraços, meu amigo.

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    1. Cara amiga Tais, ventos fortes também assustam-me e inquietam-me, mas a brisa, o vento, acho muito bom.
      Obrigado pela visita. Um abraço. Tenhas um lindo domingo.

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  6. Bom dia querido Dimar.
    Uma linda poesia meu amigo, eu aprendi a não reclamar, se o sol está muito forte, com aquele calor insuportável, ligo a ar. Se o frio está muito, procuro me aquecer, pois sei que todas as temperaturas vem do criador, e ele sabe de todas as coisas. Mas como você amo a natureza, amo aquele vento gostoso que não faz tão bem. Tudo natural é mais gostoso se ser sentido. Por aqui mesmo com janelas abertas e muito raro sentir a brisa do vento. Por isso as vezes sinto saudade de ir ao interior, ficar na varanda e sentir o vento acariciando o meu rosto. Um lindo domingo para vocês e uma feliz semana. Enorme abraço.

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  7. Cara amiga Mirtes, obrigado pelo comentário. Penso que ai na sua cidade não faz muito frio, né.
    Um abração daqui do sul do Brasil. Tenhas uma linda tarde.

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