sexta-feira, 3 de julho de 2015

OS RELÓGIOS

Eu curtia, naquele época, os pôr de sóis.
Acordava cedo e os dias se arrastavam
orquestrados pelos ponteiros preguiçosos
dos relógios que viviam parados no tempo.

De repente, a engrenagem do sistema
começou a acelerar a barca das horas
e foi adulterando o panorama dos dias
pelo tricotar intenso do realismo cotidiano.

Agora, os minutos correm na direção do devir
e nada detém a marcha tirânica dos ponteiros
e o meu quinhão de tempo que parecia infinito
se escoa depressa sob o galope dos poentes.


12 comentários:

  1. Olá, Dilmar!
    Verdadeiro, seu poema.
    E o tempo parece acelerar cada dia mais!
    Abraços e bom fim de semana!


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    1. Vitor, obrigado pela visita. Um abraço. Tenhas uma ótima semana.

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  2. Bom dia
    O tempo agora voa e as vidas são mais stressadas..Gostei do poema!

    Beijos, bom sábado
    http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

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    1. Amiga Cidália, obrigado pela visita de além-mar. Um abraço daqui do sul do Brasil. Tenhas uma linda semana

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  3. Tempo

    Pois é, o tempo carrega o calendário
    Incólume vai riscando meses e dias
    Enquanto o poeta sofre o seu fadário
    Nas escuras esquinas de ruas e vias.

    Até mesmo o bravo cuco vem avisar
    Que tarde se foi e agora está escuro
    Nada de novo no front tudo é milenar
    Somente a aurora é um porto seguro.

    O relógio soluça e o tempo temporiza
    Porém exatamente como fora outrora
    Passa o tempo passamos nós tal brisa.

    Mas, o tempo nos permite nossa hora
    Então quando for necessário nos avisa
    E percebemos que devemos ir embora.

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    1. Amigo poeta Jair, obrigado pela visita, através deste belo soneto sobre este tema tão apaixonante, que é o tempo.
      Um abração. Tenhas uma ótima semana.

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  4. Ah o tempo! Relógio inquieto...
    Beijos.

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    1. Ingrid, obrigado pela visita. Um abraço. Tenhas uma linda semana.

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  5. Ah, meu amigo Dilmar, que saudade do tempo em que se podia esquecer as horas, o relógio parecia parar, hoje com tantos afazeres e compromissos se vive em estado de alerta o tempo todo, mas ainda luto muito contra isso, dou-me o meu tempo, para tanto nem gosto de celular, o uso só em caso de necessidade, meus filhos às vezes até implicam comigo por isso, reluto em me deixar levar pelo tempo "criado" pela modernidade!
    Abraços bem apertados!

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    1. Cara amiga Ivone, obrigado pelo comentário. Um abração. Tenhas, sei que terás, uma linda semana.

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  6. Olá, Dilmar.
    Belíssimo poema.
    Terá sido a engrenagem que acelerou, ou nós que temos uma outra percepção da vida e de seu tempo? Gostaríamos de ter mais tempo, de pedir tempo ao tempo...
    Lindo demais, esse seu "Relógios".

    * Deixo-lhe um link duma música recente, de Miguel Gameiro (um autor de eleição) cantada por uma fadista que fala um pouquinho dessa engrenagem tão implcável connosco.

    https://www.youtube.com/watch?v=9kmwY1Z3YNY

    abç amg


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    1. Amiga Carmem, obrigado pela visita de além-mar. Um abraço daqui do sul do Brasil. Tenhas uma linda semana.

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