sábado, 6 de novembro de 2010

A FEIRA DO LIVRO

Sabe, aqueles dias
em que a gente desperta programado
para realizar algo preconcebido
entretanto a cabeça não lembra da tarefa
mas o espírito fica enviando
mensagens codificadas para o cérebro.

Isso aconteceu comigo
na sexta-feira da semana passada
quando acordei com uma sensação estranha
e não demorou muito
veio-me a impressão de ouvir
uma vozinha no fundo do meu ouvido:
Vê se não esquece do compromisso!

Horas mais tarde,
sentado à mesa de trabaho,
distraído entre carimbos e papéis,
fiquei com o sentimento de ter escutado
no meio da conversa cruzada
entre as mesas dos colegas, aquele lembrete:
Não esquece do compromisso.

Às duas horas da tarde
senti fome e pensei em almoçar,
mas a voz voltou:
esquece um pouco do estômago,
o pão do espírito é mais importante!

Atordoado, sai andando pela rua
como se estivesse num estado alterado de consciência
ou feito um autômato bêbado,
assim cheguei à Praça de Alfândega
no início do discurso de abertura
da Quinquagésima Sexta Feira
do Livro de Porto Alegre.

Após a abertura da festa
fiquei circulando pelos stands,
procurando algum amigo
e lendo as capas dos livros.

Depois de algumas horas
minhas pernas pediram descanso
então, adormeci sentando num banco
mas no meio da sonolência
foi rodado um filme dentro de mim
e na fita em preto e branco
vi-me visitando esta feira no passado
e recebendo autógrafos dos meus ídolos,
de alguns deles que já partiram...
Senti novamente o êxtase
da primeira vez em que entrei
aqui no templo dos livros.
Revivi o clima daquele tempo
quando os estands eram chamados de barracas
e a cidade ainda tinha aquele ar de provincia...
Naquela época, eu comprava algum livro
começava a leitura aqui mesmo, nestes bancos
e as flores dos jacarandás
caiam sobre as páginas abertas;
depois, algumas delas secavam entre as folhas
e hoje essas flores desidratadas
são lembranças, saudades, relíquias...

De repente despertei do sono
com o ruido da sineta do Xerife Julio La Porta
Estava na hora do fechamento da Feira
naquela noite,
mas a Festa dos livros estava apenas começando...

9 comentários:

  1. Querido amigo, falar de como você escreve é difícil, pois quando há emoções junto as palavras não sabemos como descrever o quanto isso é lindo!
    Independente se escreves sobre algo triste, alegre, bom ou ruim, você nos trasporta emoção na maneira única de expor suas idéias e seu coração! Um escritor dos sentimentos!
    Abraços.

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  2. Aah, meu querido Dilmar, uma feira de livros...
    Pode haver, na terra, um lugar mais abençoado?
    É um verdadeiro encantamento , o que me acontece, quando visito uma delas.
    Alí estão os meus objetos do desejo...
    Que maravilha, voltar para casa, com uns, ou ao menos um livro, novinho, perfumado com a fragrância da tinta nova , verdadeiro insenso, a nos perfumar o espírito...
    Lindíssima, meu querido, esta sua postagem domingueira!
    Tão alegre, como sugere o próprio dia...
    Forte abraço!

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  3. Há muita poesia nesta narrativa. O texto flui, prendendo o leitor, em volta dos livros.

    Um prazer ler o que, aqui nos oferece.

    Um beijo

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  4. Bom dia!

    Que linda essa história de quando lia os livros ali no banco e as folhas caindo... Fiquei imaginado a doce pintura...

    Bjs
    e otimo domingo
    Chris

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  5. Amiga Priscilla, muito obrigado pela visita e pelo comentário;
    Um grande abraço.

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  6. Querida amiga Zélia, muito obrigado pela visita e pelo comentário. Sabe, hoje a Feira de Livro de Porto Alegre, traz-me uma saudade das minhas primeiras visitas, sobretudo, por que eu era jovem, e além disso, a feira era menos concorrida; a gente podia ler as capas dos livros, apalpá-los, cheirá-los, inclusive, era possível começar a leitura das obras adquiridas, ali mesmo nos bancos da praça, embaixo dos jacarandás floridos.
    Um grande abraço.

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  7. Querida Lídia, que bom receber tua vista de além-mar. Muito obrigado pelo comentário.

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  8. Obrigado pela visita e pelo comentario, amiga Chris. Pois é, tenho uma saudade enorme daquele tempo em que era possível ler os livros, nos bancos da praça. Com o tempo, a Feira cresceu muito e perdeu um pouco do romantismo.. Mesmo assim, quando chega outubro, fico contado as horas até o dia da abertura do evento...
    Um grande abraço.

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  9. olá!amigo dilmar adorei visitei o passado com você lendo sua hitória.estou com saudades um abraço

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