segunda-feira, 22 de novembro de 2010

UM CIGARRO DE HORA EM HORA

Naquela época
em que eu era
dependente do tabaco
sentia a engrenagem do tempo
mover-se de forma
seccionada.
Os dias e as noites
eram cortados em fatias
específicas, segmentadas;
esses períodos estanques
eram delimitados
pelos cigarros consumidos.
O gosto acre do fumo
trazia-me preso
ao sistema preconcebido
por mim mesmo, dependente
de uma idéia introjetada
a qual me fizera
escravo de um paradigma.

Agora o tempo
voltou a ser um bloco compactado
sem limites, divisões ou sobressaltos,
com pouca coisa definida ou automatizada
e as operações necessárias
à manutenção anímica
são administradas aleatoriamente
em consonância com o estado de espírito.

6 comentários:

  1. o estado de espírito voo pra lugares mais além da bioquímica carnal. O corpo n sentiu mais a nicotina e a despresou naturalmente. como as águas salgadas que impuram as garrafas pets do mar.

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  2. Olá amigo Antonio Henrique. Obrigado pela visita e pelo comentário.
    Um grande abraço.

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  3. Dilmar, meu querido amigo, grande poeta
    Fico impressionada com seu dom de , não só criar lindos poemas, como de encontar, para eles, os mais variados e interessantes temas!
    Neenhuma poesia sua é vã...
    Tudo tem um porquê!
    Isso é formidável, dá consistência ao seu trabalho.
    Grande abraço!

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  4. Olá Dilmar
    Um dia ainda quero sentir essa sensação compactada.
    Um belo poema reflexivo.

    Beijo meu

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  5. Ola amiga Zélia, obrigado pela visita constante ao meu blog e e pelas palavras de estímulo.
    Um grande abraço.

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  6. Olá amiga Fátima. Agradeço sua visita ao meu blog e agradeço também pelo elogio.
    Um grande abraço.

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