quarta-feira, 10 de novembro de 2010

CADÊ O POEMA?

Já não sei
dos cigarros não fumados
- sou ex-fumante -,
dos cafés bebidos
e do papel amarrotado
à espera do poema
oculto sob as brumas do ser.

Sou pescador
de caniço entre os dedos
procurando fisgar os versos
que possam cruzar
ao alcance da minha intuição.

Na pesca temporã
não encontro
meus peixes favoritos;
dourados, por exemplo.
Ah, essa minha falta de humildade
que menospreza as arraias miúdas.
Às vezes, remungo: o rio não está prá peixe!

Mas é necessário ser paciente
e compreender a entressafra,
aceitar o repouso da terra
e perceber o momento expontâneo
em que o grão rasga o solo:
o poema no tempo exato.

17 comentários:

  1. Show, amigo Dilmar!
    Não adianta a gente querer arrancar o verso a fórceps... Ele tem asua hora.
    Lindos versos!
    Você descreve, com absoluta clareza, as divagações do poeta.
    Adorei seu poema!
    Enorme abraço!

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  2. Excelente, a metáfora.
    Tal como o pescador, o poeta sabe que nem sempre "o rio dá o peixe que procura.
    Contentemo-nos com "o que vem à rede", pacientemente.

    Um beijo

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  3. Belíssimo!!!
    Sim , assim é a inspiração.
    Mas, amigo, se escreves assim na falta dela, imagina quando inspirado!
    Adorei seu poema.

    Grande abraço.

    ( OBS: estou para lhe perguntar se tem Facebook, pois lá há grandes oportunidades de trocas poéticas. Você iria gostar. Se entrar, gostaria de fazer parte de sua lista de amigos)

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  4. Nossa!!!

    Essa última estrofe está de arrepiar!!!

    Escrevi vários poemas sobre a falta de inspiração, sobre como os versos nascem...

    Sei que sentar aqui na frente da tela, na vontade de postar algum poema no meu blog, não basta... Os versos têm o seu tempo certo.

    Eles nascem no meio da rua movimentada, na hora do almoço, no entardecer, muitas vezes durante as madrugadas...

    Eles nos invandem de repente numa ânsia louca de fazer poesia de tudo o que vimos durante o dia...

    Temos mesmo o nosso tempo do silêncio, para amdurecer versos quem ainda estão sendo fecundados.

    Um grande abraço
    Chris

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  5. Querido amigo,

    Belíssimo poema!Um poema maior, sem dúvida.
    Poema, poeta que no entrelaçar das tuas palavras
    nos laça nas entrelinhas...


    Parabéns!

    Um grande abraço

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  6. Obrigado amiga Ianê. Respondendo a sua pergunta: não tenho Facebook. Tenho apenas Orkut e MSN.
    Um grande abraço

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  7. Obrigado amiga Chris. Comigo acontece exatamente conforme você descreve: não existe uma hora específica para os versos. Às vezes de uma palavra que a gente ouve na rua ou no trabalho nasce um poema, mas, outras vezes parece que o poema está há dias esperando para ser escrito e no entanto, na hora em sentamos na frente do pc não acontece nada.
    Um grande abraço.

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  8. Obrigado amiga Anna. Acho que não mereço um elogio tão grande assim.
    Um grande abraço.

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  9. Oi Dilmar,
    E ele sempre vem
    no seu tempo,
    no meu,
    teu.
    Belíssimo!!

    E por falar em tempo, andei um tanto distante a vida às vezes abosrve até minha inspiração, juntamente com o meu tempo, mas estou bem, obrigada pela presença e palavras.
    Beijos meus

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  10. Amiga Fátima, obrigado pela visita e pelo carinho.
    Um grande abraço

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  11. Un bellisimo poema , surgido quizá de una canción, de un susurro o de una hoja caida de otoño. La inspiración cuando acompaña , simplemente hay que escuhar al corazon.

    Gracias por escribir tan bonito amigo Dilmar.

    Un gran abrazo

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  12. Bom dia
    Vim agradecer os rastros que deixas no meu campo. Obrigada!
    .
    Esperar o momento certo, porque há, sim, momento certo para cada coisa, até para os poemas.
    .
    Eles são fruto das sementes que plantaram/plantamos em nós durante toda uma existência; sementes estas que, para germinar, precisar ser regadas com dores amargas.
    .
    Porque o poema, a poesia, nasce terno na alegria, mas na dor, nasce forte, poderoso, rasgando almas, dilacerando carnes.
    .
    Ele é um fruto gerado e parido no sangue.
    .
    .
    ...

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  13. Lutar com palavras é a luta mais vã, já dizia o Poeta. E no entanto lutamos, completava.
    Depois da luta, não é mais só nosso o prêmio poético. É quando entra o leitor que apreciou a obra e se manifesta, tirando-nos a insegurança.
    Grato por nos premiar com esse poema. Ah, grato também por suas apreciações no meu blog, muito além, aliás, do que mereço...Abraços Poéticos!

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  14. Obrigado amiga Roser pela visita e pelas palavras carinhosas.
    Um grande abraço.

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  15. Campos das letras, obrigado pela visita e pelo comentário.
    Um grande abraço

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  16. Amigo Natan, obrigado pela visita e pelas palavras de apoio.
    Um grande abraço

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